
Promessa de Amor
Helen R. Myers

O cowboy e o beb John Paladin era capaz de domar um touro selvagem com facilidade, mas no tinha o mnimo jeito para trocar fraldas. Porm, desde que a esposa o
deixara, o fazendeiro se viu forado a mostrar seus talentos de bab. S que John sabia que o filho precisava de algo mais do que os meros cuidados de um cowboy
inexperiente com crianas. O beb precisava de uma me, e a melhor que ele pudesse arranjar!
O cowboy,o beb... e a dama Dana Dixon ficou chocada. Como John Paladin tinha coragem de pedir sua ajuda quando, um ano antes, fugira dela direto p/ os braos de
outra mulher? Mas como poderia dar as costas a 1beb com olhos to parecidos com os do homem que ela amara 1 dia? E provavelmente ainda amava...

Ttulo original: A Father's Promise
Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1998
Publicao original: 1994
Gnero: Romance contemporneo
Digitalizao: Simone Mello/Nina
Reviso: Edna Fiquer
Estado da Obra: Corrigida





J.J.,

Voc foi uma maravilhosa surpresa, embora eu no estivesse muito preparado para assumir o papel de pai. Mas j enfrentei situaes piores. Veja minha vida amorosa,
por exemplo! Quando voc ficar mais velho, bem mais velho, entender o que quero dizer. De qualquer modo, desde a primeira vez em que o vi, senti que essa situao
estava correta de alguma maneira, independentemente do que passei para chegar at ela.
Tem minha palavra de que farei todo o possvel para lhe oferecer a vida e o lar que voc merece. Com um pouco de sorte, talvez at consiga faz-lo sentir orgulho
de seu pai um dia.
Porm, o grande problema  que no entendo nada sobre bebs. Sei onde ficam suas fraldas e a mamadeira, mas, a partir da, tudo fica difcil demais para mim. No
entanto, conheo uma pessoa que poder nos ajudar, e o nome dela  Dana.
No momento, ela est meio aborrecida comigo, e no posso culp-la por isso. Seu pai no sabe ser um galanteador. Mas sou louco por ela, filho. Sempre fui. Voc tambm
vai am-la, tenho certeza disso.
P.S.: Formaremos uma famlia. Eu prometo.
J.P.









CAPITULO I

John Paladin no estava pronto para aquilo, e achava que nunca estaria. Mesmo assim, saiu do hospital carregando nos braos o filho com dez dias de vida.
Assim que passou pela porta, ajeitou o chapu de cowboy e puxou o tecido da camisa jeans, para proteger o beb do vento e da chuva.
 Agente mais um pouco, filho  murmurou, desviando-se de alguns galhos mais baixos das rvores que ladeavam a trilha at o estacionamento.  Logo passar o desconforto.
Depois de ouvir os prprios pensamentos e de considerar a perspectiva de seu futuro, aquela parecia ser a nica promessa vivel no momento.
Uma rajada mais forte de vento o fez segurar o beb mais prximo de si. Todo aquele frio e o ms de novembro ainda nem chegara, pensou. Pelo visto, ele e o restante
dos fazendeiros do Texas teriam um inverno rigoroso pela frente.
O mais importante, porm, seria conseguir levar seu filho para casa, sem que ele acabasse adoecendo ou coisa do gnero. Ao chegar l, iria troc-lo e dar-lhe a mamadeira.
Ento, tudo voltaria ao normal. Ou quase.
Trocar fraldas e dar mamadeira seria at fcil, mas o resto... O pensamento o fez sentir um frio no estmago.
Todas aquelas instrues que as enfermeiras lhe haviam dado o deixaram apreensivo. De fato, ficara to confuso com tantas recomendaes que j se esquecera de boa
parte delas.
Tinha a impresso de que a pior das tarefas seria dar banho no beb. Lidar com aquele corpinho frgil em meio  gua aquecida na temperatura certa e um sabonete
escorregadio no seria nada fcil.
"No se preocupe ainda, John", disse a si mesmo. "Tudo acabar bem, voc vai ver. O fato de ele ser seu filho facilitar a situao."
Enquanto se encaminhava para o carro, John rezou para que a voz de sua conscincia estivesse certa.
A certa altura, ouviu um protesto vindo de debaixo da fralda que cobria o rosto do beb. Deus, ser que ele estava sufocando?, pensou, preocupado. Ou talvez estivesse
apertando a criana demais. Estava comeando a desconfiar de que a chefe das enfermeiras tivera razo ao censur-lo por andar com um beb em meio quele clima frio
e mido.
Acelerou os passos, mas no chegou a correr. Melhor seria no arriscar a possibilidade de algum acidente. A chuva deixara o cho escorregadio, e as solas de suas
botas no eram l muito confiveis.
Ainda no conseguira entender como aquelas enfermeiras podiam ter noo de que seu filho ficaria to alto quanto ele. Ficara surpreso ao ouvir isso praticamente
de todas. O que elas viam que ele no era capaz de ver?
Suspirou, aliviado, quando finalmente conseguiu chegar  caminhonete. Dali em diante, viria outra das partes difceis da tarefa, concluiu, enquanto abria a porta
do carro.
Teria de acomodar o beb de uma forma segura, em um veculo sem o equipamento necessrio para isso. Ele respeitava e aprovava a lei que obrigava o uso do cinto de
segurana, mas carregar um recm-nascido exigia cuidados que iam alm disso.
Tinha conscincia de que o equipamento deveria haver sido comprado meses antes, mas com todos os problemas que tivera com Celene e com o costumeiro trabalho pesado
da fazenda Long J, a ltima coisa que passara por sua mente fora comprar um equipamento adequado para transportar o beb no carro.
Se Celene houvesse demonstrado um mnimo de preocupao com isso durante a gravidez, ele no teria hesitado em providenciar o que fosse preciso. Mas a verdade fora
bem diferente. Dera um carro a ela justamente pensando na impossibilidade de acompanh-la em todas as compras para o enxoval do beb. Porm, Celene deixara o luxuoso
jipe cor-de-rosa praticamente encostado na garagem da fazenda.
At essa manh.
S de pensar na quantidade de vezes que sugerira que ela fosse ao shopping da cidade sentia o sangue esquentar. Chegara at a oferecer seu carto de crdito, mas
tudo que ela fizera fora olh-lo por cima da revista de fofocas sobre artistas famosos e afundar mais sob os lenis.
Depois de ajeitar o cobertor macio com o qual forrara a resistente caixa de papelo que encontrara na fazenda, pela manh, acomodou o beb dentro dela, mantendo-o
no banco do passageiro. Aquilo o manteria sob sua ateno durante todo o trajeto de volta, para o caso de algum imprevisto.
 No se preocupe, garoto  disse ao filho.  J recebi instrues de suas madrinhas enfermeiras para dirigir como se estivesse carregando um vidro de nitroglicerina.
Girando a chave, deu partida no motor com um gesto decidido. Dali em diante, seria apenas ele e John Jnior. Seu filho seria a pessoa mais importante de sua vida.
E se ele tinha alguma dvida quanto a isso antes, a atitude irresponsvel de Celene tratara de elimin-la.
Se ao menos houvesse conseguido que o beb ficasse no hospital por um ou dois dias, teria condies de ir atrs daquela maluca e acertar a situao entre eles de
uma vez por todas. Porm, as enfermeiras haviam sido irredutveis.
"Isso aqui no  um hotel, sr. Paladin", dissera uma delas.
"No pode deixar seu filho quando ele mais precisa do senhor", afirmara a outra.
Nem mesmo seu velho amigo, o xerife Bud Hackman, deixara de cham-lo de irresponsvel quando recebera seu telefonema logo cedo.
Talvez no houvesse sido sensato pensar em deixar o filho no hospital, enquanto ia atrs de Celene, mas onde estavam a compreenso e a sensibilidade daquelas pessoas?
Vinha pagando seus pecados desde que agira impulsivamente durante a viagem a Abilene, de onde voltara com uma noiva grvida, nove meses antes. Tudo que estava tentando
fazer era remediar sua insensatez, nada mais.
        Quem se importa com o que estiverem pensando?  resmungou, enquanto manobrava a pick-up com gestos decididos para fora do estacionamento.  No precisamos
deles, no , Jnior? Por enquanto, pode tirar uma soneca, se quiser. Sero trinta e cinco quilmetros at chegarmos em casa.
Seus pensamentos logo se voltaram para a responsabilidade que teria dali em diante e, aos poucos, um brilho de suor surgiu em sua testa, apesar do tempo frio.
Quando entrou pela trilha que levava  fazenda, estendeu a mo sobre o beb e sorriu para ele, mantendo o veculo a uma velocidade bem abaixo da que era permitida
no local.
Gostaria muito de poder atribuir seu nervosismo  atitude de Celene, mas estaria mentindo se fizesse isso. Sentia-se angustiado e mais apreensivo do que nunca. Se
a visse novamente, no tinha idia de qual seria sua reao. Sua nica certeza era que esta no seria nem um pouco pacfica.
O mais engraado era saber que desde que vira Celene pela primeira vez, soubera que eles no haviam nascido um para o outro. Ela era volvel e irresponsvel, do
tipo que no suportaria ficar ao lado do mesmo homem por muito tempo, ainda mais estando presa ao compromisso de um casamento.
Todavia, na noite em que a conhecera, em Abilene, o mais importante fora o detalhe de que ela no tinha nada a ver com Dana Dixon. Quando danaram, Celene no se
aninhara perfeitamente em seus braos, como Dana costumava fazer. E o perfume dela no abaixara suas defesas, como sempre acontecia quando o de Dana invadia suas
narinas.
O que Celene lhe proporcionara naquela noite fora apenas companhia, e algo mais que no ficara muito bem resolvido. Deixara-se envolver pela seduo com que ela
o cercara porque havia sido rejeitado pouco antes e estava se sentindo solitrio. Porm, teria sido o tipo de experincia pela qual qualquer homem passaria e depois
esqueceria. No fosse por um detalhe, concluiu, olhando mais uma vez para o beb adormecido a seu lado.
Antes mesmo de conseguir pensar em uma maneira de fazer as pazes com Dana, j estava casado e prestes a ser pai. Nunca se esqueceria da fria de Celene, ao saber
que estava grvida. Ela agira como se a culpa daquilo fosse apenas dele. Bem, pelo menos ela aceitara ter o filho, sem optar por uma soluo desastrosa.
Entretanto, quando tudo parecia mais ou menos encaminhado, ele acordara pela manh e no a encontrara em parte alguma. Celene decidira que alm de no querer ser
esposa, tambm no desejava ser me.
Para seu maior desespero, ao chegar ao quarto de John Jnior, encontrara-o chorando a plenos pulmes. De fato, Celene no se encontrava em nenhum lugar da casa.
Havia levado as roupas, os objetos pessoais e o maldito carro cor-de-rosa.
Ligara para Bud e para alguns conhecidos, mas ningum parecia disposto a ajud-lo de fato. Em uma ltima tentativa desesperada, fora at o hospital e tambm recebera
um "no" como resposta.
Respirou fundo, frustrado. Se Dana no o tivesse deixado, nada disso teria acontecido.
Ficou surpreso ao reconhecer o carro de Bud pelo espelho retrovisor. Pelo visto, o xerife resolvera ver pessoalmente o que ele decidira fazer.
Parou o carro mais adiante e abaixou o vidro, no momento em que Bud j estava se aproximando.
 Tudo bem com voc, J.P.?
John separava o grupo de pessoas que o cercavam em trs categorias. Os que o temiam por algum motivo costumavam cham-lo de Grande John. Aqueles que o admiravam,
pelo menos em algumas ocasies, chamavam-no de J.P. E os poucos que no queriam nem v-lo referiam-se a ele como Paladin.
Sim, estou timo  respondeu, com um tom de voz firme.  Mesmo sem receber ajuda do meu melhor amigo  ironizou.
Eu s disse que seria maluquice de sua parte deixar seu filho com estranhos e ir atrs de uma pessoa que no quer mais saber de voc  afirmou Bud, mantendo a sinceridade
de sempre.
Dizendo isso, olhou para a caixa sobre o banco do passageiro. Sua expresso se manteve impassvel, exceto pelo incmodo que os culos cada vez mais molhados estavam
lhe causando. A chuva diminura de intensidade, mas ainda havia alguns pingos insistindo em cair.
O que vai fazer a respeito do beb?
Ainda no sei  respondeu John, de modo evasivo.  Mas aceito sugestes. Que tal me emprestar Kay por uns dez anos?
Prefiro comer a torta de ruibarbo da minha sogra trs vezes por dia pelo resto da minha vida.
Diz isso porque no tem idia do que ando comendo nos ltimos dias  falou John, desanimado.  Torta de ruibarbo nem me parece to ruim assim no momento.
Cuidado com o que diz, meu chapa  disse Bud, com um breve sorriso.  Para entrar em contato com Lucille, basta que eu d um telefonema.
John olhou para o filho e suspirou.
 Sei que acha que estou maluco e que precisa me vigiar, para me proteger de mim mesmo, mas poderia me deixar um pouco em paz por favor? - pediu ao amigo.
 Voc no est facilitando as coisas nem um pouco         declarou Bud, no parecendo muito disposto a atender ao pedido.
Sobre o que est falando?  questionou John.
Fiquei preocupado com a possibilidade de voc fazer alguma besteira. Por isso, resolvi verificar se estava tudo bem. No esta em condies de pensar com clareza
no momento, J.P. Precisa de ajuda e no vou abandon-lo em meio a uma situao to difcil.
John respirou fundo, impaciente.
 Ento pretende ficar a na chuva e pegar pneumonia para me deixar com mais sentimento de culpa?
        ironizou.  J sugeriu que no h nada que eu possa fazer sobre Celene. Sendo assim, d-me alguma dica de como agir com o beb ou deixe-me em paz de uma
vez, ok? Alm do mais, estou correndo o risco de faz-lo adoecer, mantendo esse vidro aberto para conversar com voc. Portanto, decida-se logo.
Deveria ter pensado nisso antes de haver sado com ele nesse tempo  censurou Bud. Adquirindo um tom mais solidrio, completou:  Vou deix-lo em paz, contanto que
me mantenha informado do que pretende fazer. Ah, e cuidado para no beber nada alcolico enquanto estiver cuidando da criana, ok?
No me venha com essa, Bud. Sabe muito bem que nunca mais tomei nem um aperitivo desde que meu filho nasceu.
Ora, ento j so dez dias. Meus parabns! De qualquer maneira, tenha cautela de agora em diante, e lembre-se de que a vida e o bem-estar desse beb dependem de
voc.
Ditas por outra pessoa, aquelas palavras pareceram ainda mais intensas para John.
 Reconheo que voc tem razo, mas no sei o que fazer  murmurou.
O que voc quer fazer?  indagou Bud.
Quero me divorciar e ter a custdia completa do beb o mais rpido possvel.
E o que mais?
Cri-lo direito, para que ele se torne um homem melhor do que o pai dele  respondeu John.  Mas, para ser sincero, no sei por onde comear.
D um passo de cada vez, meu amigo.
John queria assentir, mas, em vez disso, limitou-se a segurar o volante com mais fora.
 Tambm quero ter Dana de volta  confessou.
Passaram-se alguns segundos de silncio.
 Voc nunca teve Dana, John  salientou Bud, com relutncia.  Certas coisas no podem mais ser consertadas depois de serem quebradas.
Porm, ao notar a expresso quase exasperada de John, Bud pareceu se arrepender e disse:
 Ok, ento no fique a parado e siga naquela direo.  Com o polegar, apontou a trilha atrs de si.
"Propriedade Dixon, estrada 5555!", o endereo soou como um grito na mente de John.
 Pode ser que ela no queira me ver  disse a Bud, lembrando-se do ltimo e desastroso encontro que haviam tido.
Fora na noite anterior  sua partida para a venda de algumas cabeas de gado em Abilene. Levado pelo cime e a insegurana, ele se precipitara em algumas concluses
sobre ela e Guy Monroe.
 Provavelmente no  anuiu Bud.  Mas no acha que vale a pena tentar?
John estreitou os olhos.
 De que lado voc est afinal?
 Sou pago para manter a lei e a ordem entre todos da comunidade. O fato de eu sempre haver tido esperana de que voc e Dana viessem a se entender no vem ao caso.
No acredita que isso ainda seja possvel?
Voc sempre foi uma pessoa difcil de se lidar, John. E agora, com dois Paladin...  acrescentou Bud, olhando para o beb.  Acha que ser fcil para ela?  Aps
uma breve pausa, completou:  De qualquer maneira, mantenha o temperamento em baixa, ok?
Eu nunca teria coragem de magoar Dana  declarou John.  Sei como que ela teve uma infncia difcil, e no quero aumentar os traumas que ela guarda com relao
ao pai.
Nenhum homem pode dizer com certeza como agiria em um momento de paixo, John  salientou o xerife.  J vi voc perder o controle, sem se importar com as conseqncias
de suas palavras e atitudes. Por isso, estou avisando com antecedncia. No me obrigue a ter de ficar do lado de um de vocs.
Prometo que no ser preciso fazer isso  afirmou John, ligando novamente o motor.  Telefone para a fazenda mais tarde. Talvez eu tenha alguma novidade para lhe
contar.
timo. Ter sua palavra me deixa bem mais aliviado. Obrigado, J.P., e boa sorte.
Enquanto o xerife voltava para o carro, John fechou o vidro e pegou a trilha que conduzia  casa de Dana. Como reagiria ela?, perguntou-se. Seria possvel ver ao
menos um lampejo de alegria naqueles lindos olhos castanhos?
Ao ouvir o beb se mexer a seu lado, falou:
        Mantenha os dedos cruzados, Jnior. Dana ficou muito aborrecida da ltima vez em que nos encontramos, mas prometo que se houver ao menos uma pequena chance
de reconciliao no irei desperdi-la. Quando ela o vir, ir se apaixonar. Logo ter uma me, e a melhor de todas!
Todavia, no continuou sentindo a mesma autoconfiana quando chegou  casa de Dana. A viso da propriedade o fez lembrar de que ela havia decidido compr-la para
ir morar com a me, em vez de aceitar o que ele lhe havia proposto. Dana o rejeitara.
Ao estacionar o carro, avistou a placa diante da casa: "Contabilidade & Servio de Imposto".
Dana havia montado o negcio cinco anos antes, logo depois de terminar a faculdade. Ela precisava de um trabalho que pudesse ser feito em casa, j que tambm precisava
cuidar da me que sofria de artrite. No demorou muito para Dana conquistar uma pequena clientela que aos poucos fora aumentando at possibilitar uma renda mais
ou menos estvel para as duas.
Aps a morte da me de Dana e de seu casamento com Celene, John ouvira dizer que ela conseguira obter ainda mais clientes. "Melhor para ela", pensou.
 Bem, primeiro vamos ver que tipo de recepo teremos  disse, olhando para o beb.
Achando que ele ficaria melhor acomodado ali mesmo, pegou a caixa com cuidado e saiu da caminhonete.
Ao tocar a campainha, ficou surpreso ao notar que sua mo estava mais firme do que nunca. Estranho que estivesse calmo em um momento to decisivo de sua vida.
E se Dana no quisesse receb-lo? O que ele faria se ela o visse pelo olho mgico e nem sequer abrisse a porta?
Porm, para seu espanto, a porta foi aberta de repente.
        Desculpe por hav-lo deixado esperando, Carl, mas...
O pedido de desculpa e o sorriso desapareceram do rosto delicado quando Dana viu que no se tratava da pessoa que ela estava esperando. A pasta que ela segurava
tremeu em sua mo e, no mesmo instante, foi colocada junto ao peito, como um escudo.
 Ol, Dana  John a cumprimentou.
O olhar espantado se desviou de John para a caixa, antes de voltar ao rosto dele.
 Maldito  sussurrou ela.
Sem dvida, aquela no estava sendo a melhor das recepes, pensou John.

CAPITULO II

Feche a porta!", Dana disse a si mesma.  "Feche-a agora, antes que seja tarde demais!"
No queria se importar com aquele ar de desespero no rosto de John. Nem tampouco queria prestar ateno na criana que ele trazia nos braos. No podia abaixar
suas defesas mais uma vez ou cometer o erro de deix-lo saber quanto ele ainda a afetava.
 E mesmo muita ousadia de sua parte  disse por entre os dentes.
O comentrio pareceu torn-lo ainda mais exasperado.
        Eu sei  respondeu John.  Mas posso entrar, para conversarmos por um minuto?
A porta de entrada da casa no tinha proteo contra chuva e, por mais que estivesse furiosa com John Paladin, ela no teria coragem de deix-lo ali com um beb
recm-nascido nos braos. Sem dizer nada, deu um passo atrs, abrindo espao para ele entrar.
Como no estava esperando nenhum cliente, exceto Carl Hyatt, que pegaria a pasta com sua declarao de imposto de renda, Dana vestira apenas um confortvel agasalho
de moletom. No se preocupara nem um pouco com a aparncia, mas. ainda assim, a sua estava bem melhor do que a de John. Ele parecia abatido e muito preocupado,
bem diferente do homem atraente e autoconfiante, que sempre fazia as mulheres das redondezas suspirarem.
Est tima, Dana.
Mas voc no parece nada bem  replicou ela, com sua costumeira sinceridade.
        Para ser franco, estou tendo um dia de co.
Dana arqueou uma sobrancelha, determinada a se manter impassvel a qualquer custo.
No me diga que a lua-de-mel j terminou?
Voc sabe que no houve nenhuma lua-de-mel.

Ah,  mesmo. Vocs a tiveram antes do casamento, no foi?  ironizou ela.
Tambm no houve nenhum casamento no sentido completo da palavra. Apenas uma cerimnia legal, nada mais. E, se quer mesmo saber, tambm no houve amor na minha
unio com Celene  acrescentou, com impacincia.  Eu lhe disse...
Sim, voc me disse  Dana o interrompeu, antes de comear a ouvir uma nova srie de desculpas, como no passado.  Mas eu tambm lhe disse que no tnhamos mais
nada no dia em que veio me procurar, quando voltou de Abilene. Isso significa que no h motivo para voc estar aqui.
Dana considerou aquilo como uma justa declarao de independncia diante das circunstncias. Porm, sua determinao foi por gua abaixo quando John levantou a caixa
forrada com um cobertor felpudo, obrigando-a a olhar para o que ele trazia nela.
        Voc ficou maluco?! Como tem coragem de carregar uma criana em uma caixa de papelo?
Por um momento, ele pareceu no saber o que responder.
        No  a primeira vez que me chamam de maluco hoje  declarou.  Mas isso foi tudo que consegui improvisar. Quer conhecer meu filho?
        No  respondeu Dana, dando um passo atrs e cruzando os braos.
Ter contato com uma criana que tinha o mesmo sangue de John correndo nas veias era a ltima coisa que ela desejava. Bastava ter de lidar com a curiosidade, o que
j estava sendo bastante difcil.
        Tudo bem, mas preciso deix-lo respirar com mais liberdade por alguns minutos  explicou John, olhando em volta, como que escolhendo o melhor lugar para
colocar a caixa.  Incomoda-se se eu...?
Dana queria resistir ao impulso de ajud-lo, mas, por estar em sua prpria casa, no teve muita escolha.
 Pode coloc-lo no sof  respondeu.
No conseguiu deixar de sentir-se culpada. Haviam terminado o relacionamento um dia antes de ele haver partido para Abilene, mas era como se John nunca houvesse
de fato sado de sua vida. Sentiu-se ainda mais culpada quando ele olhou do carpete para as botas enlameadas.
        Pelo amor de Deus, John, no  hora de se preocupar com isso  disse a ele.
Manteve os braos cruzados, enquanto o observava ir at o sof. No ficou surpresa quando uma sensao de vazio invadiu seu peito. Desde o dia em que soubera que
John havia se casado lutara para evitar esse reencontro. Porm, vendo-o ali,  sua frente, no sabia se conseguiria lidar direito com a situao.
Conhecia John desde que era uma tmida adolescente de dezesseis anos e ele, um atraente rapaz de vinte. Incrvel, mas mesmo com trinta anos, John continuava com
a mesma aura de virilidade daquela poca.
Apesar do esforo para ignorar seus sentimentos contraditrios com relao a ele, nos ltimos tempos acabara sucumbindo a algumas fantasias. Imaginava como seria
ser amada por John, dar  luz um filho dele e depois aninhar o beb em seus braos protetores, compartilhando uma vida em comum com o pai dele.
Atribua sua mente sonhadora a seus genes irlandeses, mesma desculpa que sua me costumava usar para justificar a bebedeira e o temperamento de seu pai. Com vinte
e seis anos, j estava mais amadurecida para entender que aquilo no passava de uma desculpa sem fundamento.
Ao ver John levantar o filho nos braos, conteve o flego. Como braos to fortes e musculosos seriam capazes de segurar um beb com tanto cuidado?
Num impulso, atravessou a sala.
Deixe-me segur-lo. Talvez o esteja apertando demais. Afinal, nunca teve noo de sua prpria fora.
Exceto com voc  salientou John.
Uma sensao de alerta se apoderou do corpo de Dana. Em parte devido  proximidade dos dois e, em parte, por saber que John estava certo.
Ele tentara ser delicado com ela, tanto quanto um homem com aquele porte e aquele temperamento conseguiria ser. Exceto no dia em que haviam se conhecido e na vspera
da partida para Abilene. Porm, ela no queria pensar nisso no momento.
        Ora, ora...  murmurou, olhando para o beb aninhado em seus braos.
Esforando-se para no olhar para John e acabar denunciando sua vulnerabilidade, afastou-se um pouco, balanando o filho dele nos braos.
        Assim est melhor, no?  disse para o beb.
        Para mim, est perfeito  respondeu John, como se ela houvesse se dirigido a ele.
Dana sentiu o rosto esquentar. Somente John tinha o poder de faz-la enrubescer com tanta facilidade. Foi preciso utilizar toda sua concentrao para ignor-lo
e focalizar a ateno na criana que outra mulher dera a ele.
Porm, esse foi o segundo erro de seu dia porque apaixonou-se de imediato por aquele rostinho rosado e rechonchudo. Seu corao se entregou mais uma vez, e com a
mesma intensidade com que se entregara ao pai dele um dia. Quando deu por si, seus olhos estavam cheios de lgrimas.
O filho de John era lindo. Perfeitamente lindo. Parecia uma miniatura do pai, com os mesmos olhos castanhos e os mesmos cabelos castanho-escuros. Para ela, aquilo
era quase cruel.
        O que acha?
Dana sentiu-se incomodada com a pergunta tanto quanto com a presena de John em sua casa. Por outro lado, no conseguiu deixar de acariciar o rostinho do beb ao
responder:
Voc tem muita sorte.
No tenho tanta certeza disso, mas obrigado. Parece que ele se adaptou muito bem ao seu colo.
Indignada com a atitude de John, Dana levantou a vista para ele.
No posso acreditar que tenha tido a audcia de trazer seu filho at aqui, sendo que ele deveria estar em casa com a me.
No fiz isso por audcia, Dana, mas por desespero.
O que est querendo dizer?
Que voc tem razo. Ele deveria estar em casa com a me, mas o problema  que ela no est l.
 Dana se tornou tensa.
O que aconteceu?
Celene me deixou.
Dana lutou contra o sentimento de solidariedade que ameaou afet-la. Felizmente, conseguiu cont-lo.
        Pelo visto, ela foi muito esperta.
John fez uma careta.
        No me diga isso. Quero continuar pensando que fiz o possvel para agrad-la e que ela no se aproveitou de mim.  Tirou o chapu e passou a mo pelos cabelos.
 Eu deveria ter imaginado que Celene no seria capaz de cumprir sua parte no acordo. O isolamento, o cansao da rotina... Deve ter sido demais para uma pessoa volvel
como ela. De qualquer modo, eu sabia que nossa unio no iria durar para sempre.
Dana no queria ouvir todas aquelas mentiras de novo, mas no teve opo.
        Ela nunca quis o beb  continuou John.  Mas concordou em ficar at que ele estivesse com idade suficiente para no depender mais dela.
Dana respirou fundo.
Isso  tolice, John. Um filho pode estar com vinte e um anos e ainda precisar dos pais.  Aps uma breve pausa, perguntou:  Quando ela foi embora?
Acho que no intervalo entre minha sada pela manh e a volta para o almoo.  John olhou para o filho.  Ao chegar, ouvi o choro dele e, quando a procurei, ela
j havia sumido.
Durango no ouviu nem viu nada?
No. Ele disse que entreteu-se enquanto preparava o almoo e dava alguns telefonemas para mim. Tambm sei que ele costuma deixar a tev alta demais, mas desisti
de discutir com ele a esse respeito. Durango no vive sem assistir programas de entrevistas e no posso me arriscar a perd-lo. Est difcil encontrar bons empregados
hoje em dia.  Abrindo o casaco, acrescentou:  Ela me deixou um bilhete.
Dana deu um passo atrs, como se ele estivesse prestes a sacar uma arma.
No estou interessada em ler o que Celene possa ter deixado para voc, John.
Ela disse que fez a parte dela e que quer voltar  vida de antes  afirmou ele, ignorando o protesto de Dana.
Uma me no abandona um filho assim, sem mais nem menos  falou ela, lembrando-se da prpria me, que apesar de ter mil razes para deixar o marido nunca o fizera
por causa da filha.
Mes normais, voc quer dizer  salientou ele.  Fui at a cidade, na esperana de encontr-la, mas quando no consegui, imaginei que poderia deixar o beb no hospital
por um ou dois dias at conseguir encontr-la. S que as enfermeiras praticamente me expulsaram de l, dizendo que o hospital no era um hotel.
Pelo menos ainda resta algum pensando com clareza  afirmou Dana.  Seria demais vocs dois abandonarem o beb, John. O que se passou pela sua cabea?
Nos primeiros minutos, tudo que eu queria era torcer o pescoo dela  confessou ele, dobrando a aba do chapu com fria.
Atitude tpica  disse Dana, como que para si mesma.
Vivia dizendo a ele que justamente por aquele tipo de reao da parte dele era que os dois no poderiam ter um futuro juntos.
        Teria resolvido tudo, no?  ironizou.  Celene acabaria morta ou em um hospital, e voc na cadeia. Estava realmente pensando no seu filho, no?
        Eu queria ir atrs dela e faz-la assinar um documento com testemunhas, antes de ela desaparecer de vez e complicar a situao s Deus sabe por quanto tempo.
Como se no bastasse isso, hoje cedo, quando telefonei para Bud, ele disse que se eu sair da cidade, ir decretar minha priso e dar meu filho a um orfanato.
Aquilo parecia bastante extremado para haver sido dito por Bud, mas Dana sabia que o xerife tentara apenas evitar que John cometesse uma loucura. Bud era um amigo
melhor do que John imaginava, ou merecia.
Pelo menos algum por aqui continua usando o bom senso  disse-lhe.
Preciso acabar com isso, Dana. De uma vez por todas.
Sem dvida que sim. Mas o que permanece um mistrio  o motivo que o trouxe at aqui. Por acaso, pareo com madre Tereza?
John deu um passo em direo a ela.
Preciso de ajuda para cuidar do beb.
Ento contrate algum.
O beb fez alguns sons de protesto, deixando-a com sentimento de culpa. Estava mais tensa do que nunca, mas no poderia ceder aos apelos de John, seno estaria
perdida.
Por outro lado, tambm tinha noo de que o beb no tinha culpa pela irresponsabilidade dos pais.
No acredito que tenha sido esse o motivo que o trouxe at aqui  disse a John.  O que voc quer?
O que voc me deixar ter?
Dana sentiu como se de repente o cho houvesse sumido debaixo de seus ps. Em um gesto quase defensivo, virou-se de costas para ele e foi at a janela mais prxima.
O fato de no ter de fitar os olhos de John facilitaria o dilogo.
No entanto, aquela presena mscula continuava to intensa quanto antes, s suas costas. Era simplesmente impossvel ignorar John Paladin quando ele queria se fazer
notar.
Sua reao  presena dele sempre fora a mesma desde que ela chegara  cidade, com dezesseis anos, quando seu pai fora contratado como chefe da polcia local.
Depois de discutir por causa da violao de uma lei de trnsito, John sara do escritrio de seu pai feito um furaco, bem no momento em que ela se preparava para
entrar.
A fora do encontro a fizera cambalear para trs, mas John se apressara em ajud-la e pedira desculpa. A preocupao nos olhos dele fora sincera, assim como o brilho
de interesse.
Seu pai tratara logo de acabar com a magia do momento, mas John a esperara depois, no final da rua. Aps se desculpar mais uma vez, convidou-a para sair.
Lisonjeada com o convite, mas tambm apreensiva com o porte fsico de John, caracterstica que ela passara a temer por causa do pai, Dana explicara que o pai no
a deixaria sair com algum rapaz at que ela completasse dezoito anos.
Porm, logo ficou evidente que John Paladin era bastante persistente. Quando ele decidia que queria algo, centralizava toda a ateno para seu intento, at conseguir
realiz-lo. E John decidira que queria ter Dana para si.
 No podemos voltar, John. Ele se aproximou dela.
Mas no quero voltar, prefiro ir adiante.

No acho que isso seja possvel. Sabe que desde o comeo achei que nosso relacionamento no daria certo. E agora...
Dana, no diga isso.  Ele tocou-lhe os cabelos macios, antes de descer a mo at o ombro dela.  Sei que estraguei tudo.
Dana forou um riso.
Destruiu qualquer confiana que eu pudesse ter em voc,  o que quer dizer.
No!  John a fez virar-se de frente para ele.  No importa o que pense, mas no foi isso o que eu fiz. E no acredito que no haja mais volta entre ns.
Apesar do efeito devastador do contato das mos quentes de John em seus ombros, Dana se esforou para manter-se firme.
O que eu disse  verdade  insistiu.  Destruiu a confiana que eu tinha em voc.
Aquilo foi apenas um momento de perda de controle, e por sua causa.
Minha?!  Arrependendo-se por haver assustado o beb, ela o balanou no colo e sussurrou:  No acredito que tenha dito isso!
Pense um pouco. Se no houvesse dito que foi ao Fort Worth com Guy Monroe, eu no teria perdido a calma daquela maneira.
Eu expliquei que peguei carona com ele porque estvamos a caminho de um mesmo seminrio sobre negcios, mas voc quis me ouvir? No! Foi logo tirando concluses
precipitadas e me insultando!
O sujeito  casado e tem trs filhos, Dana. Aquilo no me pareceu certo.
 A esposa confia nele!
Soube isso dela mesma ou foi algo que ele lhe disse? Pelo amor de Deus, Dana, sei que seu pai foi bastante severo em sua criao, mas ele j se foi e voc est com
vinte e seis anos. Como pode continuar sendo to inocente a respeito das pessoas? Monroe j teve vrios casos, e a esposa finge no saber por causa dos filhos. Qualquer
idiota poderia ver que voc era a prxima presa que ele pretendia capturar.
Dana ficou boquiaberta.
Isso no  verdade.
Quer que eu cite nomes?  replicou John, impaciente.
Ela balanou a cabea negativamente. No queria ouvir mais nada sobre aquilo e nem ter dvidas a respeito da conduta de Guy. Eles eram bons amigos, e ele indicara
a ela alguns de seus melhores clientes na rea comercial.
Por que no me disse isso antes?  perguntou a John.
Voc teria acreditado?
No sei  admitiu Dana, com relutncia.  O fato  que sua atitude no se justificou, qualquer que tenha sido a inteno de Guy. Voc me ofendeu, e no tinha esse
direito. Alm de demonstrar que no confiava em mim, ainda quis impor regras para o que eu poderia fazer ou no.
Sabe o que sinto por voc  declarou John.
E quanto ao que eu sinto? De todas as pessoas de Dusty Flats, voc, mais do que ningum, deveria saber que eu nunca me deixaria controlar novamente por algum! Mesmo
assim, quebrou todas as promessas que havia feito. Tem idia de como fiquei quando voc...
Sim.  John a interrompeu.  No se passa um dia sequer sem que eu me arrependa pela maneira como agi. Mas consegui me conter a tempo, lembra?
Fiquei com as marcas de seus dedos nos meus braos por mais de uma semana  declarou Dana, por entre os dentes.  E meus lbios ficaram feridos quando voc... 
Ela desviou o olhar.
Quando a beijei. Por que no consegue dizer isso?
Porque no foi um beijo!  retrucou ela.  Mais pareceu um ataque!
John respirou fundo.
Fiquei louco de cime e perdi o controle  admitiu.  Qualquer pessoa est sujeita a cometer falhas.
Claro que sim : respondeu Dana, com voz trmula.  S que a soluo mais prtica que voc encontrou foi ir para Abilene e dormir com a primeira mulher que encontrou
pela frente, no?
Aquilo foi um mau julgamento baseado em frustrao e mgoa...
Poupe-me dessas respostas clnicas, por favor  Dana o interrompeu.
...e estou pagando por isso at hoje  completou John.  No h nada que voc diga que eu j no tenha dito a mim mesmo, ao longo dos ltimos meses.
Dana fez meno de entregar o beb de volta a ele.
Ento, no h motivo para continuar aqui.
Claro que h  insistiu John.  Eu quero... Espere um pouco, Dana.
Pegue-o de volta.
No. Primeiro oua o que tenho a dizer.
Por qu?
Porque quero que me ensine a ser pai.
Ela arregalou os olhos, sem conseguir disfarar a surpresa. Porm, antes que pudesse dizer algo, John prosseguiu:
        Bud tem razo. No posso deixar meu filho e ir atrs de Celene. Vou telefonar para meu advogado e deixar que ele cuide do caso. O mais importante  que
eu continue ao lado do meu filho, para que ele sinta que pode contar comigo sempre que precisar. Mas... Droga, Dana, eu no sei por onde comear!
        Poderia comear no praguejando diante dele.
Os lbios dele se curvaram em um sorriso.
Ento precisa se corrigir tanto quanto eu. Praguejou assim que abriu a porta, lembra?
Isso prova que no sou a pessoa certa para cuidar dele  respondeu Dana, com voz firme. Foi at o sof e deitou o beb de volta na caixa.  Lamento, mas no posso
ajud-lo. Alm do mais, tenho tanta experincia com crianas quanto voc.
Ento poderemos aprender juntos, lendo alguns manuais que as enfermeiras me recomendaram. Mas voc, melhor do que ningum, sabe como um pai no deve agir. Poderia
me ajudar nesse aspecto. No quero que meu filho acabe tendo medo de mim, como voc tinha de seu pai. Quero que ele me chame de "papai" com orgulho, e no com receio
de que eu grite ou faa um escndalo.
Dana sentiu sua resistncia se desfazendo como gelo ao sol. Alguns anos antes, acreditaria em tudo que John estava dizendo, mas j o conhecia o suficiente para
saber que aquele tipo de atitude exigiria demais dele.
        Antes de dizer "no" novamente  disse ele, quando ela comeou a balanar a cabea , deixe-me fazer outra proposta: ajude-me at que eu consiga contratar
uma bab.
A proposta melhorara, mas ainda seria difcil de aceitar.
 Eu no... no posso, John.
Mas tenho de cuidar da fazenda!
Tambm tenho meu negcio para administrar  salientou ela.
Eu sei, Dana, mas, se no me ajudar, minha nica opo ser recorrer a Durango.
No pode fazer isso!  Ela o censurou.  Durango fuma feito uma chamin e  cuidadoso como um elefante em uma loja de cristais.
Talvez. Mas, pelo visto, ele  a nica pessoa disposta a me ajudar nesse momento.
Quando o beb fez meno de comear a chorar, Dana deu-lhe a chupeta. Mordeu o lbio, pensativa. Aquilo no era justo. Mal comeara a se recuperar do rompimento
com John, e l estava ele, querendo voltar para sua vida.
Droga, queria viver em uma situao segura e tranqila! Sua me nunca tivera isso at seu pai falecer, um ano antes de ela terminar a faculdade. Recusava-se a passar
pelo mesmo que a me, mesmo que para isso tivesse de continuar sozinha pelo resto da vida.
Por outro lado, continuava achando que aquele lindo beb no tinha culpa pela irresponsabilidade dos pais.
Olhou mais uma vez para o filho de John. O menino j nascera entre dois impasses: a me o abandonara e o pai no tinha a mnima noo de como cri-lo. No poderia
simplesmente ignorar aquela situao. No com a vida de uma criana em jogo.
Mesmo ciente de que poderia estar cometendo o maior erro de sua vida, olhou para John.
Tenho algumas exigncias  disse, com cautela.
Pode falar  respondeu John, sem hesitao.
No se empolgue. Duvido que gostar do que vou dizer.
Est olhando para um novo John Paladin  afirmou ele, com um brilho diferente no olhar.  Diga.
Dana respirou fundo.
Primeiro, quero saber que tipo de aproximao fsica voc tem em mente.
Aproximao fsica? Bem, eu no havia pensado nisso.
Dana disfarou o ar de desapontamento.
Acho melhor comearmos da. No me considero nem um pouco treinada em tcnicas de cuidados infantis, mas parece bvio que no  saudvel um beb sair nesse tempo.
Sim, tem razo  anuiu John.  Mas o que est querendo dizer exatamente?
Estou dizendo que ficarei na sua casa, para que no tenha de ficar trazendo-o at aqui.
Um sorriso iluminou o rosto de John.
Oh, Dana, eu...
No precisa dizer nada  declarou ela, decidida a no se deixar levar pela empolgao dele.  Farei isso por ele, no por voc.
Eu ia lhe agradecer, s isso.
No  preciso. Estamos fazendo apenas o que parece ser mais prtico no momento. Tambm quero liberdade para continuar com meu trabalho. No pode exigir que eu deixe
meus clientes s porque voc se meteu nessa confuso.
Sim, claro. Eu no pensaria em lhe pedir mais do que o necessrio, Dana. Alm disso, quero lhe pagar pelo trabalho.
Nem pense nisso!  respondeu ela, indignada.
A tarefa no ser fcil  avisou ele.  Por que acha que Celene fugiu?
Acho que quanto menos falarmos sobre sua esposa, melhor  respondeu Dana, mantendo o tom de voz firme.
Logo ser ex-esposa  lembrou John.
Em segundo lugar  continuou ela, ignorando o comentrio , vou ficar na sua casa, mas se demorar a contratar uma bab, ou se alguma emergncia o obrigar a sair
no meio da noite para cuidar do gado, ter de procurar outra pessoa para ficar com o beb.
Ok, entendi.
Estou falando srio, John.
Eu no estou?
No brinque comigo. Ainda no o perdoei pelo que fez, portanto, nada de referncias sobre nosso relacionamento passado enquanto eu estiver l, certo?
Ah, ento pelo menos j est considerando que foi um relacionamento?
E se eu descobrir que voc no est se esforando para encontrar uma bab, deixarei a fazenda imediatamente.
Seguiu-se um momento de silncio, durante o qual John a fitou com ateno. Dana j vira aquele olhar antes, quando ele a beijara pela primeira vez. Jurou a si mesma
que se ele tentasse beij-la nesse momento, o acordo estaria cancelado no mesmo instante.
Porm, John se limitou a colocar o chapu, antes de se abaixar para pegar o filho.
O acordo parece justo  disse a Dana.  Sendo assim, estamos acertados.
Estamos?
Tenho apenas uma nica exigncia  salientou ele.  Mas  provvel que voc no goste porque no lhe dar chance de dizer "no"  avisou.
No tenho nenhum problema em dizer "no" a voc quando quero, John. Pode ter certeza disso.
Ok. Bem, meu pedido  que venha agora mesmo para minha casa.
Agora?!

CAPTULO III

 Por qu?    perguntou Dana, num fio de voz.
Porque preciso de sua ajuda para fazer uma lista do que  necessrio comprar para o beb.  Diante do silncio de Dana, ele insistiu:  E ento? Aceita me acompanhar?
Est querendo dizer que ainda no comprou nada? Francamente, John. Voc teve meses para fazer isso!
Ele sabia disso melhor do que ningum. Porm, tudo que pde fazer foi dar de ombros.
Voc no conhece Celene  respondeu.  Ela no tinha nenhum interesse pelo filho. Continuei tendo esperana de que ela acabaria fazendo o enxoval do beb, por isso
fui adiando as compras. Tambm no posso negar que andei bastante ocupado com outros assuntos.
Ocupado? Mas isso no justifica sua negligncia. Acha justo ficar carregando seu filho em uma caixa de papelo?  Olhando para o beb mais uma vez, perguntou: 
Qual o nome que deu a ele?
        John Jnior.
Dana revirou os olhos.
        Ah, o ego masculino. Quando ele passar os prximos vinte anos sendo comparado a voc, no se pergunte por que isso no o agrada.
John no havia pensado nesse detalhe.
        Talvez isso no acontea  argumentou.  Quanto ao nome, uma das enfermeiras do hospital comeou a cham-lo de J.J., j que algumas pessoas tm o hbito
de me chamar de J.P.
Dana pareceu gostar da sugesto, pois seu olhar se tornou terno no mesmo instante.
Gostei do apelido  disse ela, com um breve sorriso.  Tambm vou cham-lo de J.J. Pelo menos, soa mais apropriado do que Jnior.
Acha mesmo?
Sim. Bem, poderei ajud-lo por algumas horas hoje. Irei segui-lo no meu carro.
No era exatamente o que John havia planejado, mas j que conseguira convencer Dana a acompanh-lo, achou melhor no contestar.
        Ok, obrigado.
Ela pegou a bolsa e vestiu uma jaqueta vermelha, que ressaltava o tom claro de seus cabelos castanhos. Depois de apagar a luz da sala, pegou as chaves do carro e
abriu a porta para ele.
A chuva havia diminudo bastante, mas o caminho at Long J continuou sendo um grande desafio. O tempo no Texas estava sempre surpreendendo seus habitantes. Aquele
era um lugar para quem estava disposto a trabalhar duro para ganhar a vida. Ainda assim, John adorava aquelas terras.
Na regio mais prxima da fazenda, o terreno se mostrou ainda mais difcil. John olhou vrias vezes pelo espelho retrovisor, preocupado com a lama que seu carro
estava jogando no cup branco de Dana.
Sempre gostara de v-la naquele carro esporte. O modelo arrojado, embora bastante feminino, parecia a marca do desafio e da independncia prprios do temperamento
de Dana.
Ao estacionar diante da entrada da casa, esperou que ela parasse o carro ao lado do seu, antes de expor J.J. ao tempo novamente.
S esperava que Durango no fizesse nenhum comentrio inapropriado ao v-la. Concentrada em levar o beb a salvo para dentro, ela nem pareceu notar o estado enlameado
do carro.
Ao passarem pela porta da cozinha, John notou uma certa hesitao por parte dela. Preocupado com os prprios pensamentos, esquecera-se de considerar o nervosismo
que Dana poderia estar sentindo ao voltar  fazenda, depois de meses de ausncia.
Pela primeira vez, em semanas, ele observou a cozinha com mais ateno. Havia uma baguna generalizada pelo aposento, prova evidente do que Celene fizera  sua
casa e  sua vida.
        Sinto muito pela baguna  disse a Dana.  Deveramos ter entrado pela porta da sala.
        Sim, talvez sua idia no tenha sido l muito boa.
John franziu o cenho. Estaria Dana pensando que ele a levara at ali na esperana de que ela arrumasse aquela baguna?
Prometo que a cozinha estar impecvel da prxima vez que entrar aqui.
Tem certeza de que sua esposa no est mais aqui?  perguntou Dana, como que esperando que Celene fosse aparecer a qualquer instante.
Por acaso voc viu algum jipe cor-de-rosa do lado de fora?  indagou ele, sem conseguir disfarar a ironia.
Um o qu? Oh, no, no!
        Ento acredite em mim. Ela foi embora.
Percebendo que quanto mais cedo sassem dali, melhor, John tratou de lev-la logo para a sala. Chegando l, ele colocou a caixa de papelo sobre o sof e tirou a
jaqueta. Dana fez o mesmo e logo tirou J.J. daquele local um tanto desconfortvel.
Prontinho, meu anjo  disse ela, livrando-o do lenol e do cueiro.  Ei, voc  grande, no?
Sim, nasceu com cinqenta e um centmetros  declarou John, orgulhoso.
Dana o olhou de alto a baixo.
Sua esposa foi muito corajosa, apesar de tudo.
Acho que sim.
J.J. vai ficar mais alto do que voc.
John no havia pensado muito no assunto, mas sentiu uma sensao de culpa ao se lembrar dos comentrios das enfermeiras sobre como o parto de Celene havia sido
difcil.
Porm, achou melhor afastar tais pensamentos, antes que comeasse a sentir-se solidrio com Celene, mesmo depois do que ela fizera. Unindo as mos, perguntou:
E ento? Por onde comeamos?
Pelo papel de parede?
John franziu o cenho. Mas quando percebeu um sorriso se insinuando nos lbios de Dana, logo entendeu o que ela estava querendo dizer.
        Tem razo  respondeu.  Isso aqui est um horror. O certo seria comearmos mesmo pelas paredes.  Levando-a at o andar de cima, abriu a porta de um dos
aposentos e perguntou:  Que tal arrumarmos esse aqui para J.J.?
Depois de analisar o quarto pequeno, mas aconchegante, Dana concordou.
Ficar perfeito.
Tem certeza?  indagou John.
 Sim. A menos que queira deixar o bero dele no seu quarto.
No meu quarto?  repetiu ele, como se ela houvesse dito algo estranho demais para ser verdade.
Ele  seu filho, John, no um estranho  salientou ela.  Seria melhor deix-lo perto de voc para o caso de ele chorar durante a noite.
E por que ele choraria?
Ao ouvir aquilo, Dana no conseguiu conter o riso. Apesar do prazer de v-la sorrir, John sentiu-se aborrecido. Perguntou-se o que poderia haver dito de to engraado.
Tambm quero saber qual foi a piada, Dana. Estou precisando rir depois do que me aconteceu nesses ltimos meses.
No entendo muito sobre bebs, mas sei que eles mantm seus prprios horrios, sem se importarem muito com os dos adultos. Eles acordam muito cedo e gostam de ser
servidos rapidamente, quando esto com fome.
John ficou preocupado ao ouvir aquilo. No percebera nenhum choro do beb no meio da noite, desde que o trouxera para casa com Celene. Seria seu sono muito pesado?
E se ele no ouvisse o choro do beb?
E o que faremos?  perguntou a ela.
Bem, uma coisa de cada vez  respondeu Dana, mantendo a calma.  Acho melhor voc ir comprar os itens da lista enquanto cuido de tudo por aqui.
No caminho, passarei na agncia de classificados  avisou John.  Quanto mais cedo eu anunciar o emprego para uma bab, mais cedo a ajuda aparecer.
Boa idia  aprovou Dana.
S que John no saiu de imediato. Continuou no mesmo lugar, olhando-a com ar de adorao.
 Obrigado, Dana.
 Voc j me agradeceu.
 Eu sei, mas estou comeando a me dar conta da tarefa difcil que joguei em suas mos.
Ela enrubesceu.
Pode ser, mas a minha nem se compara  sua, papai. Agora v logo, antes que me faa pensar na idiotice que fiz ao aceitar vir at aqui.
Voc  muito especial, irlandesa.
Claro que sou. E sabe quem costumava dizer isso? Meu pai, depois que pedia desculpa por haver me agredido.
Dana reconheceu que fora indelicada com John. No era do seu feitio responder daquela maneira, mas nem ela mesma entendeu direito o que a havia levado a dizer aquilo.
Enquanto ouvia John acelerar a caminhonete com fria, encostou-se na parede do quarto que seria de J.J., e esperou que o tremor de seu corpo passasse.
John sempre tivera o poder de deix-la desse jeito, e, dali em diante, teria de enfrentar o fato de que, apesar de todo o trabalho que tivera para combater tal sentimento,
pelo visto nada havia mudado.
Mais uma vez, sentiu-se envergonhada por seu comportamento. Nunca fora intencionalmente rude com ningum. At minutos antes. John conseguia faz-la mostrar um lado
de sua personalidade que nem ela mesma conhecia.
        Bem, temos muito trabalho pela frente  disse em voz alta, olhando para J.J., que continuava na caixa onde o pai o havia deixado, s que em um sof a um
canto do aposento.
Ao ouvir a voz dela, o beb olhou em sua direo.
        Aposto que no pretende facilitar nem um pouco as coisas para mim, no , anjinho?
O beb fez uma careta, mas no chegou a chorar.
 Sei que tenho de ser compreensiva. Afinal, que culpa tem voc por haver nascido de uma me maluca e de um pai mais maluco ainda? Tambm no  justo que voc seja
to parecido com seu pai. Teria sido mais fcil eu dizer "no" se voc parecesse mais com sua me. Mas no, saiu to charmoso quanto seu pai, para meu maior desespero!
Pelo visto, tambm vai arrasar muitos coraes, mocinho.
Dizendo isso, beijou a testa do beb e levou-o para o quarto de John, para trocar-lhe a fralda.
Desde o comeo, avisara John de que ele precisaria mudar aquele temperamento inflamado, se quisesse ficar com ela. Por mais que fosse apaixonada por ele, a combinao
de sua vida problemtica com sua natureza competitiva servira para criar um ambiente sentimental aparentemente apropriado para desiluses. Por isso, nunca se deixara
envolver totalmente por John. Recusava-se a cometer os mesmos erros de sua me. Erros que a haviam forado a agentar a brutalidade do marido em nome do amor.
Sua me sofrer muito, ao lado de um homem que desde o incio do casamento provara ter um temperamento que combinava com sua indomvel ambio. Felizmente, ele
satisfazia no trabalho boa parte da necessidade de demonstrar controle e poder. Mas nem tudo se resolvia dessa maneira. Para Dana e a me, cada dia representava
uma nova provao. Donnal Dixon era uma verdadeira bomba ambulante, prestes a explodir a qualquer instante.
A princpio, Dana apenas perdera o respeito pelo pai, mas, com o tempo, a falta de respeito se transformara em repdio. Quando ele morrera, um ano antes de ela
terminar a faculdade, Dana no sentira vontade de chorar. Terapia talvez houvesse ajudado, mas no havia como pagar um terapeuta e a faculdade ao mesmo tempo. Por
isso, limitara-se a ter longas conversas com a me e com a psicloga da faculdade. Longe da presena de Donnal, ela e a me haviam se tornado boas amigas.
Porm, quando tudo parecia estar se encaminhando, Sally Dixon cara na banheira e tivera uma srie de complicaes de sade que a haviam levado a uma morte prematura,
um ano antes.
Os ancestrais de John no pareciam ser muito diferentes. Certa vez, ele lhe dissera que tinha um pouco de sangue italiano correndo nas veias. Devia ser essa a origem
de seu temperamento forte. Depois que a me dele sofrer um enfarte durante o parto e ficara um pouco debilitada, deixara a maior parte das responsabilidades sobre
a criao do filho nas mos do marido.
A reputao de James e de John, conhecidos como os "intempestivos Paladin", fora uma das primeiras histrias que Dana ouvira ao chegar em Dusty Flats. Desde a primeira
vez em que a vira, John se mostrara interessado nela, mas Dana sempre evitara uma completa aproximao. Porm, John continuou insistindo, e s se afastou por algum
tempo quando James morreu em um acidente de trator, quatro anos antes.
Na poca, ele ficara com uma responsabilidade grande demais para um jovem de vinte e seis anos. Mas mesmo assim lutara bravamente para manter a Long J ativa, e
conseguira com sucesso, mas no sem antes adquirir a fama de "um homem com pulso de ferro". Ela prpria tivera chance de comprovar isso durante a discusso que haviam
tido, meses antes.
Tentando afastar os pensamentos desagradveis, concentrou-se em verificar se a fralda de J.J. estava molhada. No entanto, algumas dvidas continuaram a assaltar
sua mente.
E se estivesse cometendo um grande erro ao permanecer ali? Ficar na casa de John, cuidando do filho que ele concebera com outra mulher, um dia depois de haver jurado
que ela era a nica mulher da vida dele, parecia pura loucura.
Sim, a fralda estava molhada. Mas onde estariam as fraldas limpas?, questionou-se, lembrando-se de que no perguntara esse detalhe a John.
 No se preocupe, anjinho  disse ao beb.  Encontraremos suas fraldas.
Levando-o no colo, saiu para o corredor e viu uma porta fechada mais adiante. Intuitivamente, soube que aquele havia sido o quarto de Celene. Com um suspiro, resolveu
ir at l.
A atmosfera do quarto a fez sentir-se como uma intrusa. No havia o menor sinal de organizao, e exatamente como na cozinha, a negligncia reduzira tudo a uma grande
baguna.
Dana encontrou embalagens vazias de comida e copos usados, mas nada daquilo parecia haver sido usado realmente por Celene, exceto a aliana sobre a mesinha-de-cabeceira.
Por que Celene no a levara consigo? Se ela fosse mesmo uma caadora de fortunas, como John sugerira, teria levado o anel e conseguido algum dinheiro com a venda
dele.
Dana olhou para a aliana. Disse a si mesma que no se importava com tudo aquilo. Celene poderia voltar para casa nesse mesmo instante, que ela prpria se limitaria
a pegar o casaco e ir embora. Ainda assim, no resistiu ao impulso de coloc-lo no dedo anular da mo esquerda.
Notando que o tamanho era um pouco maior do que o de seu dedo, Dana experimentou uma sensao estranha ao olhar para a aliana. A jia pertencera  mulher com quem
John dormira e que lhe dera um filho. Como teria sido ser tocada por ele? O porte msculo de John intimidara Celene ou a deixara ainda mais excitada? Teria John
gostado disso?
Com um gesto brusco, tirou o anel do dedo e praticamente o jogou de volta sobre a mesinha-de-cabeceira.
        Pare com isso, Dana  censurou-se em voz alta.
Tivera toda chance do mundo de experimentar tudo aquilo antes de Celene, mas no quisera se envolver por completo. Jurara a si mesma que nunca deixaria nenhum homem
controlar sua vida, portanto, no adiantava lamentar.
Ajeitando J.J. no colo, continuou a procurar as fraldas. Felizmente, encontrou um pacote de fraldas quase vazio dentro do guarda-roupa. Acima dele, uma poro de
cabides jogados aleatoriamente denunciavam a sbita partida de Celene.
Sentindo-se mais protetora do que nunca com relao ao beb, Dana pendurou os cabides e pegou o pacote de fraldas. "Como pde fazer isso, Celene? Como teve coragem
de abandonar seu filho?"
Ficou surpresa ao ser presenteada com um sorriso de J.J. enquanto voltavam para o quarto de John.
        Est comeando a se acostumar comigo, no ?  disse a ele, tambm sorrindo.  Vou troc-lo e depois iremos  cozinha, ver o que h para comer.
S ento lembrou-se de que tambm no havia perguntado esse detalhe a John. Como teria o mdico recomendado a preparao da mamadeira de J.J.? Bem, nada que um
telefonema para sua amiga Elizabeth, que tivera um beb havia pouco tempo, no pudesse resolver.
 Farei uma mamadeira deliciosa para voc  disse ao beb, enquanto lhe tirava a fralda suja.
Ao receber outro sorriso de J.J., deu-lhe um sonoro beijo na barriga.
 Oh, voc  mesmo uma gracinha! At que estamos nos saindo bem, no acha?
S que nem tudo continuou to fcil quanto no incio. Enquanto estava dando banho nele, molhou muito a blusa e percebeu que teria de encontrar algo para vestir.
Como se no bastasse, J.J. molhou a fralda limpa assim que ela o trocou. Cus, como as mes conseguiam sobreviver a tudo aquilo?
Quando levou-o para a cozinha, minutos depois, cantava baixinho uma das canes de ninar irlandesas que a me lhe ensinara.
J que J.J. no tinha a me por perto, era bom pelo menos se acostumar a ouvir uma voz feminina. Depois de telefonar para Elizabeth e receber algumas instrues
bsicas, concentrou-se em procurar os ingredientes para a mamadeira. A certa altura, porm, sentiu uma brisa fria atrs de si. Ao se virar, deparou-se com o empregado
e cozinheiro de John.
        Ah, j estava em tempo de aparecer por aqui  disse a ele, fingindo um ar de censura.
Durango, como era chamado carinhosamente pelo pessoal da fazenda, sorriu para ela. Seu nome era William Clive Durand, mas todos achavam que parecia empolado demais
para um homem de quase sessenta anos e de aparncia rude, mas que estava sempre se desmanchando em sorrisos.
        Mal acredito no que meus olhos esto vendo  falou ele.  Aposto que se no fosse por um momento de muita necessidade voc nunca mais colocaria os
ps nesta fazenda.
Dana deu de ombros.
Voc me conhece, Durango. Uma vez bandeirante, sempre bandeirante.
O garoto parece estar contente.
De fato, J.J. no aparentava o mnimo desconforto nos braos de Dana, mas ela no estava nem um pouco disposta a admitir isso.
No tenha esperana, meu caro. Ficarei aqui por muito pouco tempo. E estou fazendo isso apenas pelo bem de J.J., e nada mais.
De qualquer maneira,  bom v-la de novo, mocinha.
Obrigada. E voc? Como tem passado?
Com certeza, melhor do que certas pessoas por aqui. Ei, veja s o estado desta cozinha! No  de se estranhar que John tenha preferido comer no barraco, com os
empregados, nos ltimos tempos.
Dana se surpreendeu.
 John estava comendo com vocs?
Sim, desde algum tempo. Mas vendo o estado desta cozinha at entendo o motivo. A mulher era mesmo terrvel.
Isso no  da nossa conta, Durango.
Vi quando ela foi embora.
Alm do mais... Voc o qu? Mas John disse que voc no viu nada!
Ouvi o barulho do jipe, mas quando fui olhar, o carro j ia longe.
E por que no disse a John?
Porque eu queria que ela fosse embora. Celene o estava deixando muito infeliz, e John est bem melhor sem ela por perto. Tambm vi quando ele foi atrs dela. No
a encontrou, no ?
No.
Claro. Voc no estaria aqui, se ele a houvesse encontrado  concluiu ele.  Tem idia do que acontecer de agora em diante?
Por que no pergunta isso ao seu chefe, quando ele voltar?
Pelo estado desta casa, aposto que John vai querer um daqueles divrcios rpidos. Quando ele a trouxe para c, eu disse que bastava algum olhar para aquelas enormes
unhas manicuradas para saber o que Celene faria com a casa.
Tentando ignorar a satisfao em ouvir aquilo, Dana jogou no lixo uma embalagem vazia de salgadinhos. Durango se aproximou dela no mesmo instante.
Deixe-me ajud-la  disse ele.  O que est procurando?
Ingredientes para a mamadeira de J. J. No creio que voc saiba onde esto.
Claro que sei! Celene no fazia nada que pudesse pedir para algum fazer por ela. Por isso ela preparava a lista de compras e eu mesmo as fazia e depois as guardava.
Dizendo isso, ele abriu uma parte mais baixa do armrio e tirou alguns itens, colocando-os sobre a mesa.
Aqui esto.
Obrigada.
Dana pegou uma das mamadeiras e suspirou. Pareciam substitutos muito impessoais, se comparados ao aconchego de um seio materno.
No se preocupe, Dana, o beb est acostumado a elas. A nica boca que tocou...
Durango!
Dana virou-se de costas para ele, fingindo procurar uma colher na pia. No acreditava no que quase acabara de ouvir. No queria saber nada sobre as intimidades
de John e de Celene.
 Desculpe-me  disse Durango, reconhecendo que fora longe demais.
Celene  esposa de John, e, at que ele diga o contrrio, ela merece ser tratada com respeito.
Pode ser, mas ela no era uma dama  insistiu ele, pegando uma panelinha em outro armrio.  Tome. Vai precisar disso. A outra preparava a mamadeira no microondas,
mas j li a respeito do efeito de ondas eletromagnticas e no acho que seja saudvel para a criana ser exposta a isso to cedo.
Sem resistir ao impulso de olhar o mao de cigarros no bolso da camisa dele, Dana riu.
Desde quando comeou a cultuar a sade?
Sei que no tenho moral para falar isso, mas a sade e o bem-estar de uma criana so muito importantes. Voc e John deveriam se unir e...
Quer parar, por favor?
Embaraada, Dana comeou a pr os ingredientes da mamadeira na panelinha.
Como eu j lhe disse, no adianta alimentar nenhuma esperana.
No estou alimentando esperanas, mas fatos so fatos. Se est aqui  porque no foi capaz de dizer "no" para John. Estou apenas me perguntando quanto tempo sua
mente conseguir manter esse cabo-de-guerra com seu corao.
Muito tempo depois de Durango haver se retirado, Dana continuava indignada com os comentrios que ele fizera.
Ele sempre fora muito sincero, mas dessa vez havia passado dos limites. Que fosse reclamar dela com John, se quisesse, pois ela no titubeara em mand-lo embora,
j que lhe parecera a nica maneira de ficar em paz.
Somente depois de esterilizar a mamadeira, prepar-la e sentar-se com J.J. na cadeira de balano da sala foi que ela conseguiu respirar aliviada. O beb comeou
a mamar com fria, mostrando o quanto estava faminto. Vendo aquele rostinho rosado concentrado em sugar o contedo da mamadeira, Dana no conseguiu conter um sorriso.
O filho de John era adorvel.
Aos poucos, seus pensamentos se voltaram mais uma vez para John e para o relacionamento meio conturbado que os dois haviam tido.
Seu lado romntico sobre amor, casamento e filhos fora abafado desde cedo. Conhecia muitas verdades para continuar acreditando em tudo aquilo. E seu pai contribura
muito para criar aquele trauma em seu ser. Seria preciso um homem muito compreensivo e generoso para faz-la mudar de idia.
Absorta em tais pensamentos, mal notou quando a porta foi aberta e John ficou a observ-la por algum tempo.

CAPITULO IV

John teve certeza de que nunca vira uma cena to adorvel em toda sua vida. Ver Dana segurando seu filho quase adormecido era a viso de seus sonhos, o modo como
sua vida realmente deveria ser, se ele no houvesse sido to idiota. J.J. no tinha o sangue de Dana, e ela no era sua esposa. Porm, talvez fosse justamente esse
o maior apelo da cena.
Dana ficou surpresa ao notar sua presena, mas se manteve imvel para no assustar o beb.
Ol  disse ele.
Shh...  Ela pediu silncio, levando o dedo aos lbios.
John se aproximou dos dois devagar e sorriu ao ver o rosto angelical do filho adormecido.
        No faz idia de como vocs dois esto perfeitos assim, juntos  murmurou ele, mantendo o sorriso no rosto.
Dana no respondeu, mas tambm no fez meno de contestar. Invadido por uma sensao de gratido, John se manteve em silncio durante alguns segundos, sentindo
uma espcie de n na garganta. No era uma boa hora para dizer nada, apenas para observar, sentir...
Sem dizer nenhuma palavra, fitou o olhar tmido de Dana e sorriu para ela, acariciando-lhe a face com o dorso dos dedos.
 No, John  murmurou ela, afastando-se ligeiramente do contato.
Apesar da frustrao por haver sido rejeitado, John entendeu o motivo que levara Dana a fazer aquilo. Por isso, afastou a mo do rosto dela.
Como quiser  disse.  Mas no vou me desculpar por querer toc-la. Ainda mais com essa sua pele to macia quanto a de J.J. Alm disso...
Agora que j voltou, preciso ir embora  Dana o interrompeu, levantando-se da cadeira com cuidado para no acordar o beb.  Vou lev-lo para cima e deix-lo na
sua cama, cercado por travesseiros. Aprendi isso com uma amiga e sei que no h problema.  Aps uma breve pausa, acrescentou:  Conseguiu encontrar tudo que estava
na lista? Se voc quiser, poderei fazer o restante das compras amanh, antes de vir para c.
Percebendo o modo como ela insistia em manter-se ocupada com palavras, John achou que seria mais prtico se Dana jogasse um balde de gua fria em sua cabea de
uma vez.
Dana...
Precisar de mais ingredientes para a mamadeira. Desculpe-me por no haver pensado nisso antes. Bem, mas amanh eu...
Dana, pare um pouco, por favor.
Ela parou no primeiro degrau da escada, mas se recusou a olhar para ele. Cansado, depois de todos os acontecimentos conturbados do dia, John encostou-se na parede
e fechou os olhos por um momento.
        No precisa ficar dando desculpas  disse a ela.  Entendi a mensagem.
        No tenho certeza disso  replicou Dana.
John forou um sorriso.
        Posso ter muitos defeitos, mas sei me manter no meu lugar quando no estou sendo desejado por perto.
Ele esperou que Dana fosse dizer algo, mas ela continuou embalando J.J. devagar. Para John, aquele silncio foi pior do que uma confisso. Por um momento, teve
vontade de voltar a seu antigo mtodo de reao e esmurrar a parede, chutar uma cadeira ou qualquer coisa do gnero. Afinal, seu pai sempre dissera: "E melhor ter
uma cadeira quebrada do que uma lcera sangrando". Porm, o bom senso e a presena de Dana e de seu filho o fizeram se conter.
 Est esquecendo o principal.
Ao ouvir aquilo, John franziu o cenho, sem entender onde ela estava querendo chegar.
Estou esquecendo o qu?
Que voc  casado.
No mais.
John, voc  casado.
Ok, mas apenas temporariamente.
E tambm tem um filho. Como eu j lhe disse antes, tudo mudou. No me faa mudar de idia a respeito de ajud-lo.
Isso o fez se calar. Por que a vida ficava to complicada de vez em quando?
Tem razo. Nada mais  como antes. Tenho um filho.  Suspirou.  Fiz algumas besteiras, mas no mereo sua condenao eterna por isso, Dana. Esse no  o ponto principal
da questo.
Sim, .
No  insistiu ele, com um breve sorriso frustrado.  A questo  que por mais que o relacionamento entre ns esteja complicado no momento, ele ainda no terminou.
Nunca vai terminar, Dana. Sei disso e, se for sincera com voc mesma, tambm ter de admitir isso.
Voc me assusta quando fala assim.
No  essa minha inteno. No quero que tenha medo de mim, mas que enfrente a realidade com sensatez.
Acha que meras palavras ainda significam algo para mim, John? Tenho ouvido promessas durante toda minha vida. "Nunca mais vou mago-la, querida", "Seu pai vai mudar,
tenha pacincia". Mas nunca cumpriram as promessas que me fizeram. Nem mesmo voc.
John censurou-se mais uma vez pela maneira como agira, detestando ser comparado s pessoas que a haviam decepcionado. Ainda assim, manteve-se esperanoso no fato
de que por mais que Dana estivesse magoada, no fugira dele quando fora procur-la, em busca de ajuda.
Oua  disse Dana , acho que esta conversa era necessria para esclarecer algumas coisas, mas ela tambm prova quanto  importante que voc encontre outra pessoa
para cuidar de seu filho. Lembrou-se de colocar o anncio no jornal?
Sim. Mas s ser publicado a partir de segunda-feira.
Dana pareceu desapontada por um momento, mas assentiu, aceitando a idia.
Ok. Pelo menos isso lhe dar tempo para entrar em forma.
Entrar em forma?  John levou a mo  barriga.
        O que h de errado comigo?
 No  a esse tipo de forma que estou me referindo         explicou Dana.  Precisa fazer a barba e ficar mais apresentvel quando for entrevistar as candidatas.
Dizendo isso, subiu a escada, deixando John pensativo. Dana tinha razo, concluiu ele, levando a mo  barba, que no era feita havia dias. Faria aquilo por ela.
Dana concluiu que ficaria aliviada quando o anncio fosse publicado no jornal. Afinal, isso significaria que John havia sido sincero e que pretendia cumprir sua
parte no acordo.
Porm, alguns dias depois, quando John comeou a entrevistar as primeiras candidatas, ela deu-se conta de que havia se enganado. At ento, no percebera quanto
j havia se afeioado ao beb.
A primeiras mulheres no pareceram oferecer nenhuma ameaa, principalmente depois que ela percebeu que John no as aprovara. Todas partiram pouco depois de haverem
chegado. Tinham currculos breves, por no haverem permanecido muito tempo nos ltimos empregos. Alm disso, apresentaram mais exigncias do que credenciais.
Entretanto, na sexta-feira, um novo tipo de candidata comeou a aparecer. Tratava-se de verdadeiras damas, com experincia no trabalho e boas indicaes. No estavam
interessadas apenas no emprego, mas tambm no desenvolvimento da criana que ficaria sob seus cuidados.
Foi ento que Dana comeou a ficar mais preocupada, passando a ouvir as entrevistas do lado de fora da porta, geralmente mantendo J.J. nos braos, para ter a desculpa
de estar passeando com ele, no caso de ser flagrada.
No entanto, a primeira vez que John a flagrou, ocorreu por puro acaso. Ficou to embaraada que sentiu o rosto esquentar.
Mais tarde, pedira desculpa a John e surpreendera-se quando ele declarara que a interferncia dela seria til. Apesar da surpresa e do leve brilho irnico nos olhos
de John, ela aceitou a sugesto.
Porm, estar autorizada a ouvir as entrevistas facilitou a situao apenas em parte. Embora no perdesse nenhuma parte das entrevistas, ficava preocupada quando
alguma candidata parecia estar mais qualificada para o emprego.
Uma semana depois de as entrevistas haverem comeado, ela se encontrava do lado de fora da porta, mordendo o lbio enquanto escutava com crescente preocupao os
risos de John e de Louise Hanratty. Foi preciso que ela acenasse da porta vrias vezes, at John conseguir notar sua presena.
Algum problema?  perguntou ele, antes de pedir licena a Louise e acompanh-la at a cozinha.
Sinto muito em ter de cham-lo at aqui  sussurrou ela, mantendo J.J. no colo , mas eu tinha de lhe falar algo.
        Sobre a sra. Hanratty? O qu?
Dana meneou a cabea.
Percebi que voc no levou muito em considerao o fato de ela s haver trabalhado com meninas. Ela no iria compreender as necessidades de um menino, John.
Necessidades?
Olhe s para ela. No vejo algum segurar um lencinho de renda entre os dedos h sculos!  exagerou.  Ela  simptica e parece bem qualificada, mas imagine quando,
daqui a um ou dois anos, J.J. comear a querer explorar o mundo  sua volta com maior interesse? Essa mulher no vai saber lidar com a situao. Mas  voc quem
deve dar a palavra final. O que acha do que eu disse?
John estreitou os olhos por um momento, pensativo.
        Tem toda razo  admitiu ele, por fim.
Minutos depois, Louise Hanratty deixou a casa, parecendo mais confusa do que nunca.
Naquela mesma tarde, John entrevistou a srta. Collins e, mais uma vez, Dana balanou a cabea negativamente, quando ele pediu sua opinio. Dessa vez, porm, foi
ele quem a levou  cozinha.
Ela tem um currculo impecvel, Dana. E cuidou tanto de meninos quanto de meninas.
Eu ouvi  respondeu, pegando os ingredientes para a mamadeira do beb.
Ento, o que h de errado? Para mim, ela pareceu a mais qualificada at agora. Acabou de sair de um emprego onde cuidava dos filhos de um magnata na Arbia Saudita!
Dana assentiu.
        Eu sei. Mas, nesse caso, no interessa se ela cuidou de meninas, meninos ou de animais de estimao! O que me preocupa  que ela estava acostumada a ter
outros empregados providenciando tudo que fosse necessrio para ela e para as crianas. Voc acha que ela vai suportar viver em uma fazenda onde todos tm de aprender
praticamente a sobreviver por conta prpria? Duvido que Durango se mostre disposto a atender todas as exigncias que ela fizer.
John demonstrou um ar de preocupao.
Eu no havia pensado nisso.
Bem, pois essa  minha opinio  afirmou Dana, ajustando a chama do fogo.  Mas, como sempre, a palavra final  sua.
A situao mudou bastante depois disso. John se tornou muito mais cauteloso e, durante os dias seguintes, traou critrios rgidos, entrevistando as candidatas
primeiro pelo telefone.
A princpio, Dana sentiu-se culpada, sabendo que apenas uma santa seria capaz de atender a todas as exigncias. Na sexta-feira seguinte, uma outra candidata chegou
at a ser convocada para a entrevista pessoal, mas saiu da casa pouco depois, acusando John de ser exigente demais.
Ouviu isso?  perguntou ele, quando Dana levou J.J. ao escritrio e entregou-o ao pai.
No entenda isso como algo pessoal  disse Dana.  Ela apenas no atende s suas exigncias. Alm disso, voc viu o modo como ela anda? Ficou evidente que tem algum
problema nas articulaes. Ela no ia agentar ficar descendo e subindo a escada por muito tempo. E se J.J. se machucasse ou precisasse dela de repente e ela estivesse
na cozinha?
Tem razo  anuiu ele, cocando o queixo.  Foi melhor ela ter ido embora. Seria ridculo contrat-la agora e ter de dispens-la daqui a alguns dias.
O bom senso avisou a Dana que ela teria de mostrar empecilhos em breve. Caso contrrio, John comearia a desconfiar de que ela no estava querendo outra pessoa para
cuidar do beb. Ter J.J. junto de si o dia inteiro e rir um pouco com John,  noite, quando ele a levava para casa, estava sendo mais prazeroso do que ela queria
admitir.
De fato, Dana s percebeu isso verdadeiramente na terceira semana, durante a entrevista com uma atraente jovem de cabelos negros. Tratava-se de uma viva que aparentava
ter mais ou menos a mesma idade de John.
Mantendo-se no alto da escada, Dana observou quando John conduziu a sra. Pamela Davis at o escritrio. Logo percebeu que a nova candidata tinha um alto Q.I., alm
de outros atributos, e isso comeou a deix-la preocupada. A certa altura, comeou a andar de um lado para outro do corredor, enquanto ouvia a entrevista.
        ...ento, em vez de voltar a dar aula para uma classe com trinta alunos, resolveu centralizar toda sua ateno em apenas uma criana  dizia John.   uma
atitude muito generosa de sua parte.
Pelo modo como ele estava falando, Dana percebeu que John parecia satisfeito. O tom afvel da conversa no a agradou nem um pouco.
Obrigada, sr. Paladin. Mas, para ser mesmo sincera, recusei outro emprego de bab porque o casal iria se mudar para a Europa e eu no queria sair do pas.
Entendo. O mais importante, porm,  que a senhora gosta de crianas. Tem certeza de que no ser um mero trabalho sem importncia?
Claro que tenho, sr. Paladin. Adoro crianas e, mesmo correndo o risco de parecer piegas, confesso que tambm tenho esperana de ser me um dia.
Dana sentiu um aperto no estmago. Estaria mesmo ouvindo aquilo? Se aquela mulher fosse contratada, sua funo ali estaria terminada. Por mais que procurasse, no
encontrava nenhum defeito na candidata. De fato, John seria maluco se a dispensasse.
        Pode me dar licena por um minuto?  ouviu-o dizer.
Antes que ele sasse, Dana correu para a cozinha. Porm, ao abrir a porta, John parecia saber exatamente onde a encontraria.
 Precisa de algo?  perguntou Dana, com ar inocente.
 Onde est J.J.?
Dormindo l em cima. Por qu?
Voc no me fez nenhum sinal durante toda a entrevista. Pensei que houvesse algo errado.
No. Bem, na verdade, no fiquei ouvindo a entrevista por muito tempo.
Vi que voc estava no alto da escada quando a conduzi at o escritrio  observou John.  Depois percebi sua presena do lado de fora do corredor. Portanto, sei
que ouviu a conversa.
Ok  Dana admitiu, frustrada.  Talvez seja ela a pessoa por quem est procurando.
Est dizendo que a aprovou?
No! Quero dizer, no exatamente.
        Ento, explique-me o que est sentindo, Dana.
Se decidisse dizer a verdade, ela teria de confessar que estava se sentindo pssima, mas no era isso que tinha em mente.
Nada, no estou sentindo nada. Voc... no vai apressar um pouco a deciso?
J entrevistei mais de doze pessoas, Dana. E j dispensei at mais do que isso, contando com as conversas por telefone. No posso continuar adiando a deciso. Alm
disso, preciso voltar a cuidar da fazenda. Meus livros de contas esto uma verdadeira baguna e...
Por que no disse antes?  ela o interrompeu.  Eu poderia ajud-lo com isso.
O olhar irnico de John mostrou quanto o comentrio dela fora inoportuno. Dana apertou os lbios quando ele se aproximou e segurou-a pelos ombros.
 Ser que preciso lembr-la de que voc insistiu em me ajudar apenas com J.J.?
 Eu... estou ciente de quanto voc tem trabalhado ultimamente.
E voc tambm  salientou John.  Como se no bastasse, no quer que eu lhe pague.
J conversamos sobre esse detalhe. Desde que voc no me impea de continuar com meu trabalho normal, cuidar de J.J. no est atrapalhando meus compromissos.
John a olhou em silncio por um momento.
 O que est acontecendo, irlandesa?
Dana sentiu o corao acelerar, como sempre acontecia quando ele a chamava daquela maneira.
No estou entendendo o que quer dizer.
Explique o que  isso que anda fazendo  falou John, gesticulando com um ar vago.
No h nada para ser definido.
Sim, claro que h. Estou com uma forte impresso de que voc no est querendo que eu contrate uma bab.
Dana sentiu-se como se houvessem tirado o cho de sob seus ps.
Oh, isso  ridculo!  protestou.  Eu no...
Diga-me o motivo.
Dana sabia que no conseguiria mentir para ele, no sob a mira daquele olhar intenso.
Quero o melhor para J.J., s isso  respondeu.   algo natural.
E?  John a questionou.
Sim. Considere a situao dessa perspectiva.  Aflita, fechou os olhos por um momento, tentando encontrar argumentos plausveis.  Tenho passado muito tempo com
ele, desde que vim para c. Sinto como se o conhecesse melhor do que a qualquer outra pessoa. Exceto, talvez, voc.
 Receosa de que John pudesse perceber o tremor em sua voz, Dana limpou a garganta, determinada a no dizer nem mais uma palavra antes da saber qual seria a deciso
dele.
 Pamela Davis  uma farsa.
Dana franziu o cenho, sem entender o que John estava querendo dizer.
O qu?
Ela  irm de uma amiga minha, de Abilene. Pedi a Pamela para fazer a entrevista quando desconfiei de que voc estava parecendo exigente demais. Eu queria descobrir
quanto voc agentaria at me dizer que gostaria de continuar cuidando de J.J.
Isso  ridculo  repetiu ela, detestando haver sido pega em uma armadilha.  Voc precisa de ajuda, e essa tem sido e continua sendo minha nica preocupao.
J tenho a ajuda necessria, e a melhor. De quem mais posso precisar?  John deslizou a ponta dos dedos pelos cabelos dela, suavemente.  E isso o que est pensando,
irlandesa? Chegou  concluso de que talvez eu merea um pouco mais de confiana, e de que no seria to ruim assim manter as coisas como esto?
"Sim!", Dana teve vontade de gritar. J.J. j fazia parte de sua vida, e ela no sabia o que faria se John dissesse que no precisava mais de sua ajuda. Tambm no
queria nem pensar na tortura que seria deixar uma mulher como a tal Pamela passando a maior parte do tempo na fazenda. Porm, como poderia confessar tudo isso sem
derrubar as barreiras que ela acreditava ainda serem necessrias em sua vida?
        Fale comigo, Dana. O prximo passo tem de ser seu.
Dana o fitou nos olhos.
 No acredito que tenha feito isso comigo.
No fiz nada que voc mesma no tenha feito primeiro.
John tinha razo, mas essa situao era nova para Dana e ela no estava sabendo muito bem como lidar com ela. Nunca sentira cime antes.
O que estava havendo com ela, afinal? Pensara que nunca mais conseguiria olhar para John sem v-lo como algum que a insultara por ela haver ido a um seminrio com
um amigo, e que voltara de Abilene pouco depois com uma noiva grvida. No entanto, ali estava, querendo ficar ao lado dele e do filho!
Eu pensei que estava tudo resolvido!  desabafou, passando a mo pelos cabelos.
Foi uma boa tentativa.  John sorriu.  Mas voc esqueceu de que s vezes a vida no  muito simples.
John estava certo mais uma vez, admitiu Dana. Teria sido sensatez ou teimosia que a mantivera to decidida a manter-se longe de John?
        Minha atitude no est sendo justa com relao a voc  falou, olhando-o fixamente.
Por um momento, John pareceu desapontado.
        Est querendo dizer que posso voltar para o escritrio, pegar o telefone e contratar qualquer uma daquelas mulheres?  Dana no conseguiu responder.  Seria
capaz de ir embora sem sequer olhar para trs, se eu lhe pedisse para fazer isso?  indagou John.
Ela sentiu um vazio no peito ao ouvir aquilo. S de pensar em nunca mais segurar J.J. no colo j sentia os olhos se enchendo de lgrimas. Por outro lado, como poderia
continuar ali sem voltar a se envolver com John? A proximidade entre ambos estava tornando isso cada vez mais difcil.
        E se eu...  Ela hesitou.  Bem, o que voc diria se eu decidisse ficar por mais algum tempo?
John continuou impassvel.
Tudo depende do que voc quer dizer com "algum tempo". No tenho mais disponibilidade para ficar fazendo essas entrevistas todas as semanas.
Entendo. Tudo depender do fato de voc no interpretar os fatos como algo alm do que eles querem significar na verdade.
John deu um passo atrs.
Oh, Dana! Voc  mesmo um caixa de surpresas.  Com um suspiro, continuou:  Est bem. Vou continuar com o plano.
Que plano?
Aquele sobre o qual lhe falei antes. Pretendo lhe mostrar que sou uma pessoa de confiana e tambm um bom pai.
Mais uma vez, Dana sentiu suas resistncias desmoronando, como as paredes de um iceberg.
No posso prometer nada  avisou a John.
Tudo bem, mas poderia pelo menos me dar um sinal de aceitao.
Dana estreitou os olhos, desconfiada.
O que est sugerindo?
Achei que seria vlido selarmos o acordo com algum gesto.
Ela teve receio do que sentiria se fosse tocada por John.
 Trocar um aperto de mos pareceria meio idiota, no acha?  perguntou a ele.
E verdade  anuiu John.  Mas que tal um beijo?
Dana sentiu um arrepio pelo corpo.
Paladin!  Ela o censurou.  No acredito que...
John a silenciou tocando-lhe os lbios com o dedo indicador.
 Economize o flego, irlandesa. Um beijo bem aqui e ser tudo. Prometo.
 Por qu?
Porque voc tentou me enganar, em vez de se dirigir a mim com a mesma sinceridade com que tenho lidado com voc.  Tornando o tom de voz mais carinhoso, acrescentou:
 E tambm porque isso lhe provar de uma vez por todas que no precisa ter medo de mim.
No terei de retribuir o beijo?
Claro que no  respondeu ele, para surpresa de Dana.  Irei beij-la sem esperar nada em troca.
Aqui?  Ela apontou para os prprios lbios.
Exatamente. Espero que se comporte e que no tire proveito da situao.
Dana no soube se deveria rir ou chorar. O John Paladin que ela conhecera no passado no faria piadinhas como aquelas.
Respirando fundo, fechou os olhos e levantou o rosto. Quanto mais cedo aquilo terminasse, melhor.
Foi ento que sentiu um breve toque dos lbios de John no canto de seus lbios. Conteve o flego por um instante, mas a sensao se foi to rapidamente quanto comeara.
Ao abrir os olhos, viu que ele a observava com um olhar indecifrvel.
 Tudo bem?  perguntou a ela.
Ele s poderia estar brincando, pensou Dana.
J... j me beijou?
Sim.
Tem certeza?
Sim. Foi voc mesma quem quis um contato mais breve possvel. Bem, vou telefonar para o jornal e pedir que suspendam a publicao do anncio.
Quando ele fez meno de se afastar, Dana segurou-lhe o brao.
 Algum problema?  perguntou John, voltando a olh-la.
Voc sabe que sim  respondeu ela, sentindo a fora dos msculos do brao dele.
Ento fale.
No reverta a situao, fazendo-me parecer boba, John Paladin. Por mais que eu merea alguma repreenso, no faa isso, por favor.
Ele a olhou por um longo tempo, antes de deslizar o polegar sobre seus lbios.
        Eu nunca teria coragem de faz-la parecer boba, Dana. Nunca.

CAPTULO V

 Quer uma xcara de caf?
John franziu o cenho, estranhando a pergunta de Durango. O restante dos empregados se encontrava espalhado pela fazenda, cuidando do gado, mas Durango havia chegado
a casa pouco antes, para preparar o jantar.
Se eu quisesse, j teria me servido  respondeu John, impaciente.  Por que no quer responder  minha pergunta?
Porque preciso de algum tempo para analisar a situao.
Diga apenas "sim" ou "no", droga  insistiu John.  Acha que Dana aceitar passar o Dia de Ao de Graas conosco ou no? Por que  to difcil responder a essa
pergunta?
A resposta precisa vir de voc mesmo, J.P.  replicou Durango.  No gosto de opinar sobre esses assuntos e voc sabe muito bem disso.
Eu sei, mas voc faz parte da casa, e tem obrigao de opinar. Portanto, diga-me quando tiver uma resposta.
Durango riu, com ironia.
        Ah, e tambm pense como organizaremos um jantar para todos aqui em casa  acrescentou John.
 Vai oferecer o jantar aqui por causa de Dana?         Durango se surpreendeu.
Claro que sim. Acha que vou lev-la para o meio daquela baguna onde comemos nos ltimos meses? Alm disso, no poderemos sair com J.J.  noite, em meio ao tempo
frio. Ele pode acabar adoecendo. Se ficarmos aqui, no terei de me preocupar com esses detalhes.
Isto , se Dana vier, voc deixar seu filho aos cuidados dela e no ter de se preocupar, certo?  insinuou Durango.
Ao contrrio do que Durango estava sugerindo, ele no se importava em cuidar do filho. Aprendera a gostar da tarefa com Dana.
        Est com aquele ar sonhador novamente  disse Durango.
Embaraado, John fuzilou-o com o olhar. As insinuaes de Durango costumavam no incomod-lo, j que o antigo empregado j era quase como se fosse da famlia. Porm,
quando era Dana quem estava em jogo, tudo se tornava diferente.
Preocupe-se com seus prprios assuntos, Durango.
Antes ou depois de responder  sua pergunta?         questionou ele, com um sorriso irnico.  Ok, se quer que eu seja sincero, acho que ela vai recusar.
Por qu?
Dana ter receio de que a situao fique ntima.
Como poder ficar com um bando de homens por perto?  indagou John.
Durango pareceu ofendido com o comentrio.
        Podemos no ter classe, J.P., mas somos a nica famlia que voc tem, alm de J.J., e Dana sabe que todos passamos o Dia de Ao de Graas juntos, desde
que seu pai era vivo. Tudo isso cria um clima muito familiar, meu rapaz. E isso deixar Dana apreensiva.
 Pois vou convid-la  insistiu John.  E voc trate de avisar aos outros para se comportarem direito.
Pode deixar, patro. Ah... mas antes de sair, poderia abrir a gaveta dos talheres?
        De novo?  John arqueou uma sobrancelha.
Algumas vezes por ano, Durango acabava emperrando a pesada gaveta dos talheres.
 Se soubesse fech-la direito, isso no aconteceria.
Dizendo isso, John se inclinou e tentou puxar a gaveta. S que dessa vez ela pareceu resistir mais do que das outras.
        Oh, mas que timo  ironizou.  Dessa vez, voc realmente conseguiu, Durango.  Afaste-se um pouco.
        Tenha cuidado, patro. No quero que se machuque.
Lanando um olhar impaciente por cima do ombro, John puxou a gaveta com um gesto firme. Porm, se tivesse a mnima idia do que aconteceria em seguida, no o teria
feito.
A gaveta desemperrou de repente e a rapidez do movimento a fez se soltar por completo, jogando talheres para todos os lados.
Durango no perdeu tempo em se esconder atrs da geladeira, enquanto John observava os talheres voando como se estivesse em meio a uma cena mostrada em cmera lenta.
Nesse mesmo instante, a porta se abriu de repente.
 Parem! Parem j com isso!
Surpreso, John se virou, deparando-se com o olhar furioso de Dana.
Mantendo as mos na cintura, ela estava batendo o p, indignada.
        Vocs deviam estar envergonhados! Principalmente voc, John Paladin! Que tipo de exemplo costuma dar a seus empregados?
 Mas eu no...
Claro que no! Onde j se viu dois homens brigando feito crianas? E Durango tem quase o dobro de sua idade!  disse a John.
Ei, mas no estou to velho assim!  protestou o empregado.
No estvamos brigando  explicou John.
Ah, ento esse desastre aconteceu enquanto discutiam o menu?  ironizou Dana.  E pensar que eu estava comeando a achar que voc havia mudado, John.  Balanando
a cabea, encaminhou-se novamente para a porta.  Vim apenas avis-lo que seu advogado telefonou. Quer que voc telefone para ele assim que possvel.
Dana!  chamou John, seguindo-a.
Sentiu um frio na barriga, ao pensar no que ela poderia fazer. E se Dana se recusasse a ouvi-lo e fosse embora?
Conseguiu alcan-la antes mesmo que ela sasse da cozinha.
Dana, eu posso explicar.
No quero ouvir mais desculpas, John. Mantendo-se de costas para ele, pegou as roupinhas
do beb, deixadas na secadora pouco antes.
Voc entendeu tudo errado  insistiu ele, posicionando-se diante dela.
Com licena, John. Preciso ir ver como est J.J. Ele j deve ter acordado.
John sabia que iria se arriscar, mas precisava tentar.
        Espere!  Segurou-a pela cintura, antes que ela escapasse.  S um minuto. O que voc acha que viu e o que realmente aconteceu so coisas bem diferentes.
Se eu estivesse agredindo Durango por algum motivo, no iria neg-lo. Precisa acreditar nisso. Dessa vez,  voc quem est tirando concluses precipitadas, Dana.
Ao perceber que ela no estava mais tentando se afastar dele, John a soltou, dando o espao que ela precisava.
Forando um sorriso, disse:
 Eu s queria me explicar. Durango emperrou a gaveta dos talheres novamente. Voc sabe que ele faz isso de vez em quando.
Dana estreitou os olhos.
Quer dizer que no estavam brigando?
No.
Mas eu pensei... Voc estava to furioso...
Aposto que voc no se sentiria diferente se visse uma gaveta cheia de talheres voando pelos ares.
Dana apertou os lbios, embaraada.
Nem sei o que dizer.
Foi um erro de interpretao, s isso.
        No seja to generoso. Tirei concluses precipitadas.
Dana pareceu to adorvel naquele momento que John teve de se conter para no envolv-la nos braos. Porm, limitou-se apenas a tocar-lhe os cabelos.
Ei, fico contente em saber que no continua furiosa comigo. Seria terrvel ficar com a impresso de que a desapontei pela... Quantas vezes mesmo? Pela dcima vez?
Eu deveria ter tido mais calma  Dana se censurou.  Voc tem se esforado muito nas ltimas semanas.
Acha mesmo? No tive certeza de que voc estivesse percebendo.
Claro que percebi. Eu estava sendo apenas...
Cautelosa  John completou por ela.  Eu sei. E entendo sua atitude.
 Mas ela no foi correta  insistiu Dana.  Estou comeando a ver que no  justo fazer algum pagar pelos erros de outra pessoa. No futuro, farei o possvel para
no ser preconceituosa.  Desviando o olhar, acrescentou:  Sei que no  muito, mas...
Sim,  muito, irlandesa.
Voc acha?
John a fitou por um longo tempo, antes de responder:
Sim, pode acreditar.
Preciso mesmo subir  lembrou Dana, sem deixar de notar o modo intenso como John continuou a olh-la.  J.J. deve estar...
S mais um minuto  disse ele.  H algo que quero lhe perguntar.
Sim?
John hesitou por um instante.
Bem, o Dia de Ao de Graas est prximo e ser o primeiro da vida de J.J.
Tambm estive pensando nisso.  Com um leve sorriso se insinuando nos lbios, ela acrescentou:  As primeiras participaes "sociais" de J.J. sero importantes
para voc.
Sim. Por isso, pensei se voc no se importaria em...  Por um momento, John esqueceu o que iria dizer, hipnotizado pelo brilho sedutor dos olhos castanhos de Dana.
 Oh, bem, se no tiver nenhum outro compromisso...
No, no tenho. Para ser sincera, cheguei ao ponto de considerar essa data igual a outra qualquer.
Pois est na hora de mudar isso  afirmou John.
Isso significa que est me convidando para comemorar a data aqui?
Sim, por favor. No ser a mesma coisa sem sua presena.
 Acho que serei til para cuidar de J.J.
John queria explicar que no era esse o motivo pelo qual ele a convidara para a celebrao. Porm, no encontrou palavras que pudessem convenc-la disso.
        Isso significa um "sim"?  perguntou a ela, quase com receio de que a questo quebrasse a atmosfera de calmaria entre eles.  Tem de ser um "sim", irlandesa.
Como Dana poderia haver dado outra resposta? Enquanto descia a escada com J.J. no colo, no incio da tarde do Dia de Ao de Graas, sentiu um frio no estmago.
Ao ajudar Durango a arrumar a mesa, pela manh, a falta de conhecimento que ele demonstrara com relao  disposio dos talheres dera-lhe a forte impresso de
que era a primeira vez que John convidava os empregados para jantar em sua casa.
Ciente disso, escolheu seu vestido com um cuidado especial. Nada muito chamativo nem discreto demais. Selecionou um modelo azul feito de um tecido sofisticado, mas
lavvel, para o caso de algum imprevisto. Um lindo colar de prolas com pingente de safira e brincos combinando completava o visual. De fato, serviriam at de distrao
para J.J., se ele ficasse impaciente.
De qualquer forma, no que dizia respeito  sua autoconfiana, teria de deixar claro que no era "a outra". No que precisasse se defender, mas um telefonema do
advogado de John dera detalhes sobre o paradeiro de Celene, e isso mudara um pouco a situao.
A esposa de John fora localizada em Atlantic City, onde estava tendo aulas de como se tornar lder de mesa em cassinos. Os papis do divrcio j estavam em andamento,
e se havia um perodo em que Dana deveria se manter longe da situao, esse perodo seria os prximos dias.
Enquanto ela se aproximava do final da escada, John apareceu, vindo da cozinha. Vestido com uma camisa preta e cala cinza, exalava masculinidade de uma maneira
quase perturbadora. Porm, o que fez sua pulsao realmente acelerar foi a lembrana de que John ainda acreditava em uma possvel reconciliao amorosa entre eles.
 Uau...  murmurou, ao v-la.
Sem saber ao certo o que responder, Dana sorriu.
        O mesmo para voc  falou, por fim.
Sempre sentira-se intimidada com aquele poder que John tinha de embara-la. O que se deveria dizer a um homem com aquele brilho sedutor no olhar, sem faz-lo entender
sua resposta de uma maneira errada?
No sei se ser seguro deixar que o restante dos rapazes a vejam  disse John.
Quer cancelar tudo? Se quiser, posso ficar no andar de cima com J.J. enquanto voc os dispensa.
John balanou a cabea devagar e levou a mo s costas dela, conduzindo-a para a direo oposta da sala.
        E arrasar o corao de todos? Nem pensar! Eles esto agindo como se estivssemos no Natal por aqui. Eu gostaria de dizer o mesmo de Durango, mas ele no
d muita importncia a essas datas. Importa-se apenas com a comida, como em qualquer outra ocasio.
Era agradvel ver John relaxado. De fato, ele mudara bastante, desde que ela comeara a cuidar do beb. Perceber isso, deu-lhe foras para acompanh-lo com mais
confiana at a sala de jantar. No entanto, foram recebidos com um completo silncio assim que entraram no aposento.
Havia quatro homens presentes, alm de John e de Durango. Ao verem Dana, nenhum deles conseguiu disfarar a admirao diante de tanta beleza. Olharam de um para
o outro, esperando que algum deles dissesse algo primeiro.
Dana sentiu-se embaraada. Conseguia discutir com tranqilidade sobre juros de emprstimos e ndices de impostos, mas sentia-se totalmente perdida quando o foco
das atenes era sua feminilidade.
"Meu Deus, esto com tanto medo de mim quanto eu deles", pensou. No era de se admirar, concluiu, lanando um olhar curioso para John. Ele estava observando os
empregados com um ar srio. Estaria tentando dizer a eles que deveriam faz-la sentir-se  vontade? Ou aquele seria mesmo um ar de cime?
Chegando  concluso de que tal resposta no era muito importante, Dana mostrou seu melhor sorriso.
 Fiquem  vontade, por favor  disse a todos, sentando em uma das cadeiras com J.J. no colo.
Quando John se aproximou para ajud-la, ela aproveitou a oportunidade para sussurrar-lhe:
 Comporte-se.
Dana j conhecia os empregados de vista, mas todos fizeram questo de se apresentar. Zeke, Hap, T.J. e Fred. Todos usavam jeans e camisas com as mangas dobradas,
formando uma espcie de quarteto inusitado.
No entanto, foi Durango quem animou o ambiente. Assim que ele apareceu carregando uma bandeja com peru assado como se estivesse prestes a servir  realeza, seguiu-se
uma srie de aplausos e risos.
Assustado com o barulho repentino, J.J. comeou a protestar.
        Ouam s isso  disse T.J., indicando o beb com seu dedo calejado.  Ele j tem a braveza do pai. Mas garanto que olhar para ele  bem mais agradvel
do que olhar para o pai dele  brincou Zeke, fazendo caretas brincalhonas para o beb.
Comecem logo a comer, seno a comida vai esfriar  avisou Durango.
Ao imaginar o trabalho que ele tivera para preparar tudo aquilo, Dana perguntou:
Precisa de ajuda, Durango?
Claro que ele no precisa  respondeu John, antes que o empregado pudesse se manifestar.  Durango est acostumado a cozinhar.
E verdade  anuiu ele, com um sorriso.  Mas obrigado mesmo assim.
Cerca de uma hora depois, quando todos j estavam encostados em suas cadeiras, satisfeitos, John se ofereceu para segurar J.J., assim que o beb acabou de tomar
a mamadeira. S ento Dana pde terminar de comer o que restava de sua comida, j quase fria.
Seguindo as instrues de Dana, John segurou o beb de p, para que ele pudesse eliminar o ar do estmago. Enquanto segurava o filho, comeou uma acalorada discusso
com T.J. sobre a incompetncia de um time de futebol. De repente, porm, o beb soluou, como que confirmando algo que o pai dissera. Porm, o gesto o fez enviar
uma boa dose de mamadeira j processada pela gola da camisa de John.
Dana teve de manter o guardanapo junto  boca, para no se juntar s gargalhadas que ecoaram pelo aposento. O ar de verdadeiro pavor que surgiu no rosto de John
ajudou-a a manter-se sria. Estendendo os braos na direo do beb, falou:
 Venha c, rapazinho. Isso  o que se costuma chamar de "hora da sada estratgica".
A sada de Dana foi seguida por risos e frases de encorajamento.
Leve o chefe tambm  disse T.J.  Ele est precisando trocar a camisa.
At logo, Dana  despediu-se Zeke.
        Obrigado pela companhia  acrescentou Fred.
Era agradvel sentir-se parte do grupo, mas o que a deixou mais surpresa foi perceber que John a seguiu escada acima.
Quando voc e J.J. se livrarem dessas roupas, irei lav-las para no ficarem manchadas.
Nada disso  protestou John.  J fez at mais do que devia. Vou tirar a camisa, mas eu mesmo cuidarei dela.
Dana pensou que ele iria at o prprio quarto trocar de roupa, mas John a seguiu ao quarto do beb. Enquanto ela trocava J.J., ele tirou a camisa e deixou-a de
lado.
Dana tentou no prestar ateno, concentrando-se em brincar com o beb. Entretanto, John insistiu em segurar o filho no colo, para que ela levasse as roupinhas dele
para o banheiro. Ao levantar a vista, Dana no conseguiu deixar de olhar para aquele peito forte e msculo. Aquilo s serviu para lembr-la de que ela nunca o tinha
visto daquele jeito antes.
        Algo errado?  perguntou John, fazendo-a se dar conta de que estava olhando para o peito dele por mais tempo do que deveria.
Umedecendo os lbios, disse:
        No, nada. Hum... Por que no o traz ao banheiro, para que eu possa banh-lo?
Ao chegar ao banheiro, encheu a banheira do beb com gua e pegou o sabonete infantil. Manteve a cabea baixa, com receio de se deparar novamente com o fsico msculo
de John. Teria ele idia de quanto a afetava? Sim, claro que tinha.
Onde ponho isso?  indagou ele, mostrando a camisa.
Deixe-a na pia. Quando eu levar as roupas do beb para a lavanderia, cuidarei dela tambm.
Ao terminar de preparar a gua do banho, Dana endireitou o corpo. Porm, no viu que John estava logo atrs e esbarrou nele.
Oh, sinto muito  disse.
Por qu?
A voz aveludada provocou um arrepio em Dana.
John...  sussurrou ela, sentindo-se vulnervel diante de tanta masculinidade.
Fique tranqila, irlandesa. No estou fazendo nada, apenas olhando para voc.
Esse  o problema.
Aposto que muitos outros homens j olharam para voc.
Talvez, mas nenhum deles me deixou com essa apreenso que estou sentindo  admitiu ela.
Por qu?
Dana sabia que iria mago-lo se respondesse. Por outro lado, no conseguiria deixar de ser sincera com ele.
No tenho uma resposta precisa. S sei que voc  diferente de alguma maneira, J.P.
Prefiro quando me chama de John. Faz com que eu no me sinta distante de voc.
De minha parte, prefiro quando no temos de falar to seriamente.  Diante do silncio de John, acrescentou:  Por que insiste em perder seu tempo comigo? J tentei
explicar uma poro de vezes que no pretendo ocupar o lugar que outra mulher almejava ter em sua vida.
 O que est querendo dizer, Dana?
Voc sabe muito bem. Alm disso, com J.J. envolvido na histria...
No gosta de crianas?
Acha que eu estaria aqui se no gostasse?  Dana respondeu com outra pergunta.  A questo principal  que no quero me envolver com ningum.
John mudou a posio do beb em seu colo e segurou-a pelo pulso. Dana conteve o flego.
        Estamos envolvidos desde o primeiro dia em que nos vimos, irlandesa. Quero me casar com voc.

CAPTULO VI

Dana no deveria ter ficado chocada, afinal, John nunca fora do tipo que fazia rodeios para dizer o que lhe vinha  mente, mas ela simplesmente no conseguiu evitar
o choque.
Talvez por pensar que o desencorajara demais para algum dia ouvir uma proposta de casamento vinda dele. Ou talvez por imaginar que o sentimento de culpa sobre J.J.
e Celene o levasse a se conter.
No entanto, qualquer que houvesse sido o caso, chegou  concluso de que errara ao sentir-se to segura quanto  atitude de John.
        Sempre fico surpreso ao ver as mudanas da expresso de seu rosto. Elas mostram muitas emoes  murmurou ele, traando o contorno do rosto dela com a
ponta do dedo indicador.  Diga-me: o que a verdadeira Dana est pensando?
 Que voc a est deixando louca  respondeu ela.          No pode fazer uma proposta dessas, John. No houve nem mesmo reconciliao entre ns.
Mas estamos sempre juntos nos ltimos tempos.
Sim, mas isso no significa que esteja tudo resolvido.
No mesmo, irlandesa?
Dana invejou a calma de John diante de tanta proximidade entre os dois. De qualquer maneira, no podia se deixar levar pelo corao para responder ao questionamento
dele.
Ainda acabar se dando conta de que no vale a pena insistir em ter algo comigo  declarou, esforando-se para manter a voz firme.  No passo de uma covarde, John.
Aprendi a ter medo at da minha prpria sombra.
Pare de se recriminar  aconselhou ele, com um tom de voz gentil.  Voc  cautelosa, s isso. E apesar dos erros que j cometi, venho tentando ao mximo respeitar
esse lado de sua personalidade.  Tocando os cabelos dela, acrescentou:  S que em momentos como esse  difcil manter minhas mos longe de voc.
Seguiu-se um momento de silncio. Nem mesmo J. J. se manifestou.
 Ouvir isso  to ruim assim, Dana?
Ela no conseguiu responder e nem se afastar de John. Embora trmulas, suas pernas pareciam estar coladas ao cho.
        Toque-me mais uma vez, irlandesa  pediu ele, como que sentindo o dilema que a afligia.
De sbito, pegou a mo dela e encostou-a junto ao peito nu.
        Quando a vejo passar tanto tempo com meu filho, confesso que chego a sentir inveja dos momentos que ele passa em seus braos.
Dana conteve o flego, sentindo o calor da pele dele em seus dedos.
O problema  que lido melhor com crianas do que com cowboys  conseguiu dizer a ele.
Tenho dvidas quanto a isso.
Dana sentiu que no resistiria muito tempo a todo aquele charme. Passara anos protegendo-se da influncia de John e, nesse momento, quando ele comeara a mostrar
um lado mais sensvel e vulnervel, ela j no sabia como reagir.
        Pode me tocar, Dana. Garanto que no sou perigoso.
Ela quase se sobressaltou. Alm de tudo, ser que John tambm lia pensamentos? Ou seus sentimentos estariam estampados em seu rosto, mais do que ela imaginava?
        No ser justo com voc  disse a ele.
        Injusto seria perceber o brilho de curiosidade em seu olhar e negar-lhe a chance de quebrar algumas barreiras e de espantar alguns medos  respondeu John.
Dando o dedo para J.J. segurar e distrair-se, sorriu para o filho, antes de voltar a olh-la.  Principalmente o medo que tem de mim  acrescentou.
Dana no tinha idia de que isso fosse acontecer, mas, ao olhar para o brilho de sensualidade nos olhos de John, sentiu anos de represso se esvaindo de seu ser.
Pensando bem, que mal poderia haver em deixar que seus dedos sentissem mais completamente a textura daquela pele quente?
Devagar, deixou que sua mo deslizasse sobre toda a extenso do peito de John. Seus msculos eram rgidos, denunciando o poder de toda aquela masculinidade.
Ela no bebera nada alcolico durante o jantar, ento qual seria a explicao para aquela sbita tontura? Qualquer que fosse o motivo, a sensao tambm fez com
que ela encarasse com mais naturalidade uma maior ousadia de sua parte.
Apesar dos saltos, teve de levantar-se mais um pouco para alcan-lo. Com cuidado para no machucar J.J., trouxe os lbios de John para junto dos seus.
Os olhos de ambos permaneceram abertos. Os seus, com certeza, refletiam toda sua inexperincia.
Nos de John, porm, ela viu um brilho de encorajamento e de desejo.
Seguindo seu impulso mais ntimo, roou a lngua pelos lbios dele.
Envolta pela magia daquela deliciosa sensao, acabou se rendendo e fechando os olhos. Ao ouvir o leve gemido trmulo de John, suspirou de pura satisfao. Levar
um homem como John Paladin a manifestar aquilo a fez sentir-se extremamente feminina e desejvel.
De repente, porm, a lembrana da noite em que haviam discutido lhe veio  mente. O modo quase violento como John a beijara na ocasio a deixara mais assustada
do que ela imaginara.
Ao afastar-se dele, lutou para manter o equilbrio.
        Desculpe-me  murmurou, embaraada.  Mas no pude deixar de me lembrar.
John emitiu algo entre um gemido frustrado e um resmungo.
        Ok. Tudo bem  disse, beijando-a no alto da cabea.  Est vendo? No aconteceu nada terrvel.
Dana no acreditou muito nisso. Dana podia at ainda ser virgem, mas seus instintos estavam bem aguados, e ela sabia muito bem reconhecer quando um homem estava
afetado fisicamente pelo desejo. No entanto, John havia mudado de alguma maneira.
Voc mudou  disse a ele.  E continua mudando. O John Paladin que conheci estaria dando murros de frustrao na parede mais prxima.
A idia no deixa de ser atraente, mas...
Voc no est se rendendo mais aos impulsos  completou Dana.
Ela sentiu vontade de beij-lo novamente, mas se conteve. No seria justo os dois se torturarem mais uma vez. No tinha o direito de exigir mais sacrifcio de John,
se ela prpria no estivesse disposta a correr riscos.
 O que est se passando por essa sua cabecinha?  perguntou ele, estreitando os olhos.
Estou tentando conciliar minhas expectativas com a realidade. Eu no esperava ter um dia to maravilhoso hoje.
Os lbios de John se curvaram em um sorriso.
Quer dizer que mudou sua opinio a meu respeito?
Acho que provei isso, no?  indagou Dana.
Mesmo depois do que lhe propus?
Dana sentiu o rosto esquentar. Porm, antes que ela pudesse responder, J.J. soluou alto.
No me dirigi a voc, rapazinho  brincou John, com ar de riso.
Ele parece ser o nico por aqui que est ciente de que as coisas esto indo rpido demais. J.J. est molhado. Por que no o troca, enquanto termino de arrumar aqui?
Rpido demais. Uma semana depois, John continuava a pensar nas palavras de Dana, enquanto calculava os gastos da fazenda.
Vinha lutando contra o terrvel impulso de sentir pena de si mesmo. Tocar e beijar Dana fora incrvel. Os muros emocionais que ela mantinha em torno de si para se
proteger pareciam estar menos resistentes do que nunca.
Talvez ela tivesse razo em agir com cautela em relao a ele. Afinal, legalmente ele continuava sendo um homem casado. Ambos eram catlicos, embora seus laos com
a igreja houvessem se tornado mais fracos com o passar dos anos, devido  averso de seu pai por todo tipo de ritual.
Mas Dana sabia que Celene queria o divrcio tanto quanto John, e que ela tambm estava disposta a ceder a custdia total de J.J. para ele.
Porm, depois do que acontecera no Dia de Ao de Graas, no haviam voltado a trocar nenhuma carcia. A cada dia que passava, John sentia mais vontade de beij-la
novamente, mas o bom senso lhe dizia para ir com calma. E se Dana houvesse chegado  concluso de que tudo aquilo no passara de um erro?
De sbito, o beep de sua calculadora trouxe seus pensamentos de volta  realidade. Perdera-se no clculo das contas pela terceira vez.
 Droga! Essa maldita tendncia...
Ao lembrar-se de que o filho se encontrava no mesmo aposento, ele se conteve. J.J. estava no carrinho, fitando-o com olhar de curiosidade.
Faa de conta que no ouviu isso, rapazinho  disse John.
Mas eu ouvi.
Dana entrou no escritrio, espalhando pelo ar um delicioso perfume floral. Ela avisara que iria chegar mais tarde nesse dia, devido a alguns compromissos com clientes.
Por mais que houvesse ficado satisfeito com a chegada dela, o fato de haver errado a contabilidade pela terceira vez manteve John mal-humorado. Ele detestava fazer
contas mais do que trocar fraldas.
Dana se aproximou de J.J., que comeou a sacudir os bracinhos e as perninhas ao reconhec-la.
Ol, gracinha  disse ela.  Como est meu beb preferido?
Agora que est aqui  comeou John , acho que vou abandonar esta causa perdida e me unir aos rapazes. Quando ajudo no trabalho com o gado, pelo menos me sinto mais
til.
Dana se virou para ele.
 Eu lhe disse que no me importaria em ajud-lo com a contabilidade, e que isso me ajudaria a preencher o tempo, enquanto cuido de J.J.  lembrou ela.  O que
houve?
Nada. Acho que me atrapalhei por causa do cansao  mentiu John.
J.J. no o deixou dormir direito?
No foi isso. Eu e ele dormimos bem.
Ento est com indigesto ou algo do gnero?
Nunca tenho indigesto  respondeu John, parecendo indignado com o comentrio.
Ento est bravo comigo.
No se tratou de uma pergunta. Ainda assim, John sentiu-se na obrigao de desmentir.
No diga tolices.
Voc est, sim. Posso sentir isso. Se fiz algo errado, quero saber o que .
"Sim, voc est me deixando maluco!", John sentiu vontade de gritar. "Estou cansado de esperar que voc perceba o que est bem debaixo do seu nariz. E tambm estou
cansado de dormir sozinho naquela cama enorme."
Mas claro que no poderia dizer nada disso. Aquela era Dana, e no alguma outra mulher. As regras normais de relacionamento no se aplicavam quele corao sensvel.
        O problema no  com voc, Dana. Eu estava fazendo a contabilidade, e sabe quanto detesto isso.
Fez meno de sair, mas quando passou por ela, Dana o segurou pelo brao.
 Espere.
"Ser que nunca teria um descanso?", John se perguntou.
Preciso mesmo sair.
O que tenho a dizer levar apenas um minuto.  sobre as necessidades espirituais de J.J.
John franziu o cenho, sem entender onde ela estava querendo chegar.
J pensou em batiz-lo?  perguntou Dana.  Sei que no sou a pessoa mais devota da cidade, mas acho que est na hora de pensarmos nisso. Seu filho merece, John.
Para ser sincero, isso nem havia passado pela minha cabea.
Voc foi batizado?
Sim. No lembro direito como so os detalhes da cerimnia.  preciso escolher padrinhos, no? Ento serei eu e...
No pode participar desse jeito, John. Voc  o pai.
Oh! Para que serviam os pais afinal?, ele se perguntou.  Ser que poderamos conversar sobre isso depois? Preciso sair, antes que fique tarde.
Sim, claro.
Dana ficou de lado, abrindo espao para ele passar.
Esquea o que eu disse, e cuide de suas prioridades.
John no deixou de perceber o sarcasmo na voz dela.
Ei, mas eu...

Pelo amor de Deus, John. Como pode considerar o batismo de seu filho como algo menos importante do que seu trabalho na fazenda?
Mas no foi o que eu disse!
No mesmo? Ento por que est com tanta pressa para deixar o assunto de lado?
John suspirou. Como poderia explicar que se ficasse ali por mais um minuto, poderia acabar arruinando tudo de positivo que conseguira conquistar com relao a ela?
Colocando o chapu, limitou-se a dizer:
 Tenho de ir.
Dana levou algum tempo para se concentrar no prprio trabalho e deixar de pensar no modo como John havia agido. Porm, seu nvel de concentrao no foi total.
Aps o almoo, levou J.J. para um passeio pelos arredores, torcendo para Durango no aparecer para conversar com ela. Chegou a sentir-se culpada quando o avistou
de longe e apenas acenou, tratando logo de desviar o caminho.
Sua mente insistia em manter-se ocupada com a imagem de John. No conseguia entend-lo. Quisera apenas ajudar com a sugesto do batismo, j que ambos eram catlicos.
Os homens no costumavam se importar com detalhes desse tipo, e John parecia ser ainda mais negligente do que a maioria, devido  sua formao.
Porm, de uma coisa tinha certeza: no iria se desculpar por haver sugerido o batismo. Talvez at procurasse o padre por conta prpria quando fosse  cidade.
Por fim, a caminhada ajudou-a a se acalmar. Ao voltarem para casa, preparou a mamadeira de J.J. e no demorou muito para ele acabar adormecendo enquanto mamava.
Dana o levou para o quarto de John, para que ele pudesse dormir com mais tranqilidade. Porm, ela prpria acabou cochilando, devido ao cansao pelo exerccio da
caminhada.
E foi l que John a encontrou, horas depois. Dana abriu os olhos ao sentir algum se aproximar da cama.
O que aconteceu?  perguntou, com um sobressalto.
Nada  respondeu John.  Voc est bem?
Sim. Por que voc...?
S ento ela percebeu que o quarto se encontrava parcialmente escuro. Ao abaixar a vista, viu J.J. ainda adormecido junto dela.
 Meu Deus, que horas so?
 Quase seis. Quando vi que a casa estava escura, apesar de seu carro estar l fora, deduzi que estivessem em casa. Mas no imaginei que encontraria uma cena to
terna no meu quarto.
Acho que ns dois ficamos mais cansados com a caminhada depois do almoo do que imaginei.
Ento est tudo bem?  insistiu John.
Sim, est.  Olhando-o com mais ateno, acrescentou:  Voc tambm parece cansado. Conseguiu pr seu importante trabalho em ordem?
John afastou o chapu para trs, percebendo a ironia.
Pensei que j houvesse esquecido o que aconteceu.
J superei a parte dolorosa. Ainda assim,  difcil esquecer certas coisas, como o descaso pela espiritualizao de um filho, por exemplo.
John respirou fundo. Segurando a mo dela entre as dele, falou:
Minha atitude foi de pura autodefesa, Dana. Mas esquea o que aconteceu.
Eu me sentiria melhor se me explicasse por que agiu daquela maneira intempestiva.
John a olhou com um ar impaciente, mas pareceu lembrar-se da presena do beb e manteve o tom de voz baixo ao dizer:
Voc me deixou preocupado.
Preocupado?  Ela franziu o cenho.  Mas eu avisei que chegaria mais tarde hoje.
As pessoas dizem muitas coisas que no cumprem, Dana.
No no meu caso.
Ok, mas isso no muda nada  insistiu John.  Foi como me senti e pronto.
Est adquirindo aquele ar autoritrio novamente.
No use isso como desculpa, querida. E no adianta me acusar por dizer algo que a faz sentir-se feminina.
        No me chame de querida.  Apesar do protesto, Dana reconheceu que John estava certo. Ela se acostumara a se proteger escondendo-se por trs da idia de
que John era autoritrio e de que gostava de realizar tudo ao modo dele. Quando J.J. se mexeu, Dana olhou para ele.  No deveramos estar discutindo assim  disse.
 Afinal, estamos do mesmo lado, no? O dele.
John olhou para o filho.
Ainda fico surpreso ao olhar para J.J. e saber que ele  uma parte de mim.
Mas sente-se orgulhoso disso.
Muito  admitiu John, voltando a fit-la.  Eu queria lhe dizer que pensei sobre o que voc disse hoje e cheguei  concluso de que est certa. Durante o trajeto
de volta, pensei em quanto voc ficaria satisfeita. Com sorte, eu poderia at ser presenteado com um daqueles lindos sorrisos.
Est se referindo ao batizado? Oh, John, que bom que aceitou a idia!
Ainda bem que gostou. Mas sei bem onde estarei me metendo. Tenho certeza de que o fato de eu estar em meio a um divrcio e de eu no ser um freqentador assduo
da igreja criar complicaes.
Verei o que posso fazer quanto a isso  prometeu Dana.  O importante  que voc tenha concordado em realizar o batismo. Bem, j decidiu quem sero os padrinhos?
 Bem, isso me causar mais algumas horas de problema.
Dana no conseguiu deixar de sentir-se decepcionada. Pensara que tal escolha seria bem mais fcil para John.
 O padrinho com certeza ser Bud Hackman  declarou ele.  Ser a melhor pessoa para cuidar de J.J. se algo me acontecer.
 Nada vai lhe acontecer  protestou Dana.  Ento, Kay ser a madrinha?
No  respondeu ele, sem hesitar.  Espero que ela no fique desapontada, mas no h dvida sobre quem ter de ser a madrinha.
"Ter de ser"?  Ela franziu o cenho.

Sim. Ou pretende recusar?
Dana mal conseguiu conter a alegria.
Oh, John! Voc tem certeza?
Absoluta.
No est sugerindo isso por um senso de obrigao?
 Claro que no!  John se indignou.  Querer que voc seja madrinha do meu filho no tem nada a ver com obrigao.
Sem conseguir conter a felicidade, Dana o beijou no rosto.
 Obrigada, John.
Quando ele a fitou nos olhos e aproximou-se devagar, Dana no fez meno de se afastar. Nem mesmo quando os lbios dele cobriram os seus, em um beijo lento, mas
muito sensual.
Dana esqueceu-se de onde estava, tendo a impresso de haver sido arremessada s estrelas de repente. Suspirou alto, sem embarao de demonstrar quanto aquilo estava
sendo maravilhoso para ela.
Ao sentir os braos de John em torno de si, rendeu-se ainda mais, entreabrindo os lbios. Percebeu uma breve hesitao em John, mas logo ele conduziu o beijo a
um nvel mais intenso.
 Tem certeza, irlandesa?  sussurrou ele, afastando-se ligeiramente.
Era uma pergunta justa, mas Dana no tinha uma resposta. Inebriada pelas sensaes, queria apenas se deixar levar por elas.
Como resposta, enlaou os braos em torno do pescoo de John, em um convite silencioso. O chapu dele caiu para trs, mas nenhum deles se importou. O ritmo dos
beijos foi se tornando cada vez mais intenso, envolvendo-os em um delicioso calor sensual.
 Estou aqui, Dana. E ficarei com voc para sempre  sussurrou John.
Ouvir aquilo pareceu deix-la em alerta por alguns segundos.
 No tenha medo, meu anjo. Quero t-la junto de mim, s isso. Nada sair do nosso controle.
Enquanto falava, John acariciou o ombro dela e foi descendo a mo devagar, at alcanar-lhe o seio.
Apesar da nova onda de desejo que a invadiu, Dana se sobressaltou.
Eu te quero muito, Dana  murmurou John, surpreso com a reao dela.
Ento era isso o que queria? Pensou que me convidando para ser madrinha do seu filho conseguiria qualquer coisa a mais com facilidade? Pois fique sabendo que no
sou fcil como aquela com quem voc se casou!
John respirou fundo, sentindo como se houvesse recebido um balde de gua fria no corpo. Indignado, acendeu a luz do abajur. A claridade fez J.J. despertar e no
demorou muito para comearem a ouvir seu choro de protesto.
John o pegou no colo, mas no deixou de olhar Dana.
Por que ainda me surpreendo quando voc diz algo com a inteno de me arrasar? Para algum com um rosto de anjo, voc tem a lngua de uma feiticeira, Dana.
Isso no  justo!
Justo?! Casar-me com algum que eu no queria tambm no foi justo, mas Celene tinha ao menos uma qualidade que no posso deixar de mencionar: ela nunca teve medo
de amar!
Foi a vez de Dana sentir o tal balde de gua fria. Aquilo s serviu para provar que apesar do que j haviam passado juntos, ele ainda no a conhecia.
J.J. aumentou ainda mais o volume do choro, levando-a a estender os braos para peg-lo em seu colo.
A fralda deve estar molhada. Vou troc-lo, antes de descermos  disse a John.
Pode deixar. Ele  meu filho e eu mesmo posso fazer isso.

CAPITULO VII

 Entendo. Sendo assim, no h mais motivo para eu permanecer aqui, as ltimas palavras de Dana, antes de sair do quarto, continuavam ecoando na mente de John.
 Droga!  praguejou ele, ao notar que passara direto pela porta da delegacia.
No vinha prestando muita ateno em seus atos, nos ltimos dois dias, desde que Dana havia ido embora. Mas passar direto por um local que ele conhecia como a palma
da mo fora simplesmente ridculo.
 Segure-se a, garoto  disse ao filho, deitado no suporte acolchoado, no banco de trs.
Virou na esquina da biblioteca pblica logo adiante, cujo estacionamento ficava ao lado da delegacia. Com certeza no se importariam que ele deixasse o carro ali
por alguns minutos, pensou.
Depois de desligar o veculo e de tirar J. J. do suporte, tomou o cuidado de cobrir parcialmente o rosto do beb, para que ele no pegasse friagem no caminho.
Um policial chamado Grady, com mais ou menos a sua idade, estava saindo da delegacia quando John chegou. O rapaz sorriu, segurando a porta para ele passar. John
assentiu, retribuindo o sorriso, apesar de seu humor no estar dos melhores nessa manh. Tinha muito trabalho  sua espera na fazenda. Alm disso, no estaria ali
se no fosse pelo que Dana havia comeado.
        Vejam s quem est aqui!  disse o policial da recepo, com o mesmo ar de zombaria com que tratava John sempre que o via.  Ol, papai!
Ignorando as piadas dos conhecidos, John se encaminhou diretamente at Bud, que se encontrava de p  porta do escritrio, tomando uma xcara de caf.
Podemos conversar por um minuto?  perguntou ao xerife.  Em particular.
Parece que algum levantou-se pelo lado errado da cama hoje  resmungou o policial da recepo, com uma careta de desagrado.
Ok, Cooney, chega de piadinhas  censurou Bud, ficando de lado para John entrar no escritrio.  Para ser sincero, voc no parece estar muito bem, meu amigo  disse
ele, ao fechar a porta.
No durmo direito h dois dias  explicou John. Ao sentar-se diante da mesa de Bud, acomodou J.J. em seu colo.  Ele est inquieto  acrescentou, afastando a fralda
do rosto do beb.
J.J. fez uma careta e olhou para o pai, como que protestando por no haver tido chance de observar o trajeto at ali.
Ei, garoto!  brincou Bud, inclinando-se para olh-lo e toc-lo no queixo.
E melhor no fazer isso  avisou John.  Ele no costuma se dar muito bem com estranhos.
Porm, as brincadeiras de Bud e suas imitaes de animais provocaram muitos risos no beb. John disse a si mesmo que no deveria estar surpreso. Afinal, as ltimas
quarenta e oito horas no estavam sendo muito comuns em sua vida. Por que esperar que seu filho fosse reagir de forma diferente? Do jeito que as coisas estavam,
s faltava o governador fazer uma declarao pblica de que John Paladin fora eleito o idiota do ano!
Ei, voc j est bem crescido, no?  perguntou Bud ao beb, mantendo o tom de brincadeira.  Daqui h pouco tempo estar montando algum potro na fazenda de seu
pai.  Ao endireitar o corpo, olhou para o rosto preocupado de John.  E ento? Qual o motivo por trs de sua visita, meu amigo?
Mulheres.
Bud puxou um pouco o tecido da cala e sentou-se atrs da mesa.
 O que fez a Dana dessa vez?
John arregalou os olhos.
O que  isso, afinal?  questionou, indignado.  Alguma conspirao contra mim? Primeiro Durango, agora voc. Por que no passou pela cabea de vocs que dessa vez
a culpa pode ser dela?
Porque, apesar da confuso em que se meteu com Celene, voc  um homem fiel. Seu erro foi se interessar pela nica mulher que no caiu a seus ps assim que voc
demonstrou algum interesse. Porm, isso nunca o desanimou. Bastou olhar para Dana e decidir "aquela garota ser minha", para pensar que tudo j estava resolvido.
S que as coisas com ela no so to simples assim, meu caro. Mantenha as rdeas curtas, J.P.! Precisa mostrar quem  que manda.
Ao ouvir aquilo, John ajeitou o chapu com mais firmeza e levantou-se, balanando o filho devagar.
 Eu deveria saber que seria pura perda de tempo vir at aqui.
Bud respirou fundo.
 Ok, ok. Sente-se. Reconheo que fui insensvel.
John obedeceu, ainda que a contragosto.
Acha que desabafei com voc sobre meu relacionamento com Dana para depois ouvir voc me acusar? Se eu pudesse, faria o tempo voltar quele dia e consertaria aquela
besteira. S que isso no  possvel. Ela estava determinada a sair com o tal Guy Monroe, independentemente da minha opinio. Sei bem o tipo de raposa que ele ,
mas no fui ouvido quando tentei alert-la.
No deveria t-la beijado enquanto estava furioso, J.P.
Como voc se sentiu na primeira vez em que tocou Kay? O que sente quando a abraa?
Oh, nem me lembre disso  protestou Bud.  Encontrarei a casa sozinha hoje. Ela foi levar as crianas para passar o fim de semana na casa da me dela.
E a esse tipo de sentimento que me refiro. No consegui me manter longe de Dana. Quando a beijei, simplesmente perdi o controle.  Fechou os olhos por um instante,
sentindo-se culpado.. No  possvel escolher por quem nos sentimos atrados, Bud. Tentei me livrar do que sinto por Dana, mas no consegui. Ela est impregnada
em mim, entende? Sinto o perfume dela em todos os lugares onde vou. Continuo insistindo, por achar que algum dia ela acabar me dando outra chance.
O amor s vezes  cruel  filosofou Bud.
John nunca utilizara a palavra "amor" para descrever seus sentimentos por Dana, e no o faria at que pudesse confessar a ela o que realmente sentia.
        Vamos mudar de assunto  sugeriu ao xerife.  O motivo que me trouxe at aqui  J.J. Ele precisa de um padrinho de batismo, e eu gostaria que fosse voc.
Bud sorriu.
Voc realmente tem um jeito inusitado de prolongar uma visita.
Bem, foi Dana quem lembrou que precisvamos batizar J.J.  explicou John.  Ser bom fazermos isso, no caso de me acontecer algo.
Bud o olhou em silncio por um momento. Cruzando os braos sobre o peito, falou:
 Ser uma honra ser padrinho de seu filho, J.P. Quando e onde precisar da minha presena?
John respirou aliviado.
Terei de lhe responder isso depois.
Ainda no marcou a data?
        Nem a data, nem a igreja, nem o padre. Aquilo tudo era uma de suas ltimas preocupaes.
Quando J.J. se tornou inquieto, John comeou a balanar a perna, tentando distra-lo.
        No comece, J.J.  ralhou ele.  D um tempo a seu pai, sim? O horrio de sua mamadeira  s daqui a duas horas.  Olhando para Bud, completou:
        No me lembro de haver comido tanto quando tinha a idade dele. Onde ser que ele armazena tanta comida?
 Na fralda.
O riso de Bud foi contagiante, mas, mesmo assim, John limitou-se a curvar os lbios, antes de ficar de p novamente.
Estou me sentindo um idiota  desabafou.
Bem, todos agimos como idiotas de vez em quando         disse Bud, tentando consol-lo.  Se Kay o visse agora, iria querer preparar algum prato especial para voc.
Ela  do tipo de mulher conservadora, que acha que tudo se resolve pelo estmago.
At que no seria m idia tentar essa soluo, pensou John. As nicas coisas que haviam entrado em seu estmago naqueles dois dias havia sido caf e biscoitos.
        Fale comigo, John. Que outro problema o est perturbando? H algo mais sobre Dana, no ?
Seguiu-se um momento de silncio.
        Sim, h  admitiu John, com um suspiro.  Bem, ela me deixou e estou atrapalhado com essa histria de batismo. No tenho idia de como organizar o evento.
Voc sabe que a ltima vez em que estive em uma igreja foi para comparecer ao enterro da me de Dana.
Mesmo assim, ele nem conseguira ficar at o final. No suportara ver Dana chorando. Ela parecia to sozinha, apesar de todas as pessoas em volta dela, que ele tivera
de se conter para no tom-la nos braos e lev-la para longe de l, a fim de consol-la. De qualquer forma, Dana teria detestado se ele houvesse feito isso.
O que quer dizer com "ela o deixou"?  indagou o xerife, interrompendo os pensamentos de John.  Quem o est ajudando a cuidar de J.J.?
Ningum.
Bud assobiou baixinho.
No  de admirar que esteja com esse ar de cansao. Mas no  do feitio de Dana comear algo e no terminar. Ainda mais no que diz respeito ao beb. Kay me contou
que os viu no mercado outro dia e realmente pareciam me e filho. Dana adora seu filho.
Acho que sim  anuiu John.  O pai dele  que representa o maior problema para ela.
Bud riu.
No exagere. Esse  o seu ponto de vista sobre a situao, e no significa que seja o correto.
Nada est acontecendo da maneira como imaginei. Eu sabia que demoraria algum tempo at eu conseguir consertar a besteira que cometi, mas eu estava tentando mudar.
Cheguei a pensar que havamos feito um bom progresso desde o Dia de Ao de Graas.
S que Dana no acha o mesmo?  deduziu Bud.
Desisti de tentar deduzir o que se passa pela cabea dela.
As mulheres so mesmo misteriosas, John. E isso que as torna especiais. Vamos, conte-me o que aconteceu.
Seria difcil, concluiu John. Ele nunca fora. muito bom em desabafar mesmo com o melhor amigo.
Eu a beijei  disse simplesmente.
Isso eu j havia imaginado  afirmou Bud.
Na verdade, eu a beijei mais de uma vez. E... Bem, ela praticamente me jogou um balde de gua fria.
Tentou conversar com ela sobre isso?  indagou o xerife.
John deu de ombros.
No disse a ela para compartilhar com voc o que estava sentindo?  insistiu Bud, incrdulo.  Vocs nunca conversam?
Claro que conversamos.
Pelo visto, no sobre os assuntos que deveriam.
Para John, no havia nada pior do que algum apontar um problema que ele vinha tentando esconder havia anos.
Ns conversamos  repetiu, como que tentando se convencer de que aquilo era verdade.  Mas...
Nunca sobre sexo  completou Bud.
John preferiria levar um soco no queixo a ter de passar por isso. Ajeitando o beb no colo, respondeu:
Ok, "sr. Sabe Tudo". O que devo fazer?
Quem escolheu para ser a madrinha de J.J.?
John suspirou.
Voc sabe a resposta.
Ento faa o possvel para que ela volte a falar com voc. E quando conseguir isso, dessa vez lembre-se de que mesmo os assuntos embaraosos devem ser abordados
entre um homem e uma mulher que realmente se importam um com o outro.
John voltou para a fazenda pensando no conselho de Bud. O sermo no fora uma experincia das mais agradveis, mas teve de reconhecer que o amigo o ajudara muito.
Mais uma vez.
Talvez Bud acreditasse que muitos de seus problemas com Dana se deviam s cicatrizes emocionais que ela carregava, mas estava na hora de admitir que seu prprio
trabalho para ajud-la poderia ter sido melhor. Tornar-se apenas visvel na vida dela no fora a soluo correta. Era provvel que Dana houvesse interpretado sua
persistncia como algo sufocante e intimidador.
Entretanto, a questo que permanecia em sua mente era se haveria espao para uma terceira chance no corao de Dana. Determinado a descobrir a resposta, entrou com
o carro na trilha que conduzia  casa dela.
Dana atendeu  porta quase imediatamente, para espanto de John. Ao v-lo, porm, sua expresso tornou-se fria.
 Surpresa  disse ele.
Esperou que ela fosse responder algo, mas Dana continuou apenas a olh-lo.
 Podemos conversar?
John pensou que ela fecharia a porta diante dele, mas, para sua surpresa, Dana ficou de lado para ele entrar.
O conjunto de cala e blusa de malha brancos que ela estava usando a deixavam com um aspecto feminino e vulnervel ao mesmo tempo, fazendo-a ficar com uma aparncia
de adolescente.
Sem se importar com o embarao da situao, J.J. comeou a soltar gritinhos e a estender os braos na direo dela, assim que a reconheceu.
Deixe-me segur-lo  pediu Dana, aps fechar a porta.  Ele adoeceu?
No. Bem, no sei se consegui preparar a mamadeira direito ontem, mas ele pareceu gostar do contedo. S que hoje ele acordou impaciente e est assim desde ento.
Aposto que no sem motivo. O que quis dizer com "no sei se consegui preparar a mamadeira direito"?
Dana...
Voc esterilizou o recipiente, como lhe ensinei?
Sim.
Ento ele deve estar bem.
Teria sido mais fcil abordar uma leoa cuidando dos filhotes, pensou John.
 J.J. est muito bem. Olhe s para ele.
Dana fez o que ele sugerira e no conseguiu deixar de sorrir, ao ver aquele rostinho adorvel sorrindo para ela. Ao notar que John os observava, voltou a ficar sria
e olhou para ele.
Talvez ele esteja apenas sentindo-se rejeitado  sugeriu.
Oh, muito  ironizou John.  Manter-me acordado com ele no colo durante as duas ltimas noites no representou nada como companhia.
Desculpe-me  disse Dana, reconhecendo que fora dura no comentrio.  Voc deve estar exausto.
John percebeu as olheiras sob os olhos dela. Pelo visto, Dana tambm no andara dormindo direito.
Se j terminou sua tentativa de me fazer sentir como um inseto repulsivo, posso falar agora?  perguntou ele, enfiando as mos nos bolsos do casaco.
Pare de exagerar  ralhou Dana, evitando encar-lo.  Pode falar, mas j vou avisando que sua ttica no vai funcionar. No vou voltar para Long J. Na verdade,
eu deveria ter deixado que voc contratasse uma daquelas babs.
S que no o fez. Sabotou as entrevistas, e ambos sabemos muito bem o motivo. Voc adora J.J. E quer saber mais?
No.
Tambm  louca por mim!
Dana arregalou os olhos. John nunca a vira to chocada.
Chega, J.P.  falou ela.  Tentamos uma vez e no deu certo.
Tivemos uma "briguinha", mas isso no representa o fim do mundo.
"Briguinha"? Ns no temos feito outra coisa a no ser tentar nos magoar!
Ento vamos falar sobre o motivo que nos leva a fazer isso, Dana.
No, no vamos.
Acho que se afastou de mim duas noites atrs por causa de alguma lembrana desagradvel.
Prefiro esquecer o que aconteceu, se no se importa.
Mas eu no quero esquecer  insistiu John.  No posso. Quando nos tocamos, acontece algo especial, irlandesa. Sei disso e acredito no que estou dizendo. Mas...
peo desculpa por minha precipitao. Acho que a nica maneira de me redimir  fazendo-lhe uma promessa.
Outra?  perguntou Dana, incrdula.
Nunca  fcil convenc-la, no ?  protestou John.  Sim, vou lhe fazer outra promessa. A ltima. De agora em diante, manterei as mos longe de voc, a menos que
diga o contrrio. Sairei da sua vida de uma vez por todas.
Dana arqueou as sobrancelhas.
Posso ter essa declarao por escrito?
S se concordar com dois detalhes. O primeiro  ser madrinha de J.J. Faa isso e prometo assinar o documento com meu sangue, se for preciso.
Dana revirou os olhos.
        Quanto exagero. Mas, pensando bem, no deixa de ser uma idia interessante. Posso escolher a veia?
John no conseguiu se manter srio.
No me importo em correr riscos, mas no sou louco a esse ponto, minha cara. At aqui tudo bem?
Depende. Qual  a outra exigncia?
Que fale comigo.
No  isso que estou fazendo agora?
No. Estou me referindo a conversar.
Sobre o qu?  indagou ela, com ar de suspeita.
Sobre tudo.
Dana ajeitou o babador de J.J., antes de dizer:
        Sei que fiz alguns comentrios sobre voc no me compreender, mas isso no significa que ter de sofrer essa violenta metamorfose para conseguir que eu
o ajude. Eu... reconheo que no fui justa ao deix-lo cuidar sozinho de J.J. Ofereo-me para ficar com ele at que voc possa entrar em contato com uma daquelas
candidatas. Talvez alguma delas ainda no tenha arranjado um emprego.
John empurrou o chapu para trs.
No quero nenhuma delas para cuidar de J.J. Quero voc. E no estou dizendo isso com a inteno de me aproveitar da situao depois. Eu a conheo melhor do que imagina,
irlandesa. Sei que tem amizade com algumas pessoas dessa cidade, mas ningum  realmente de confiana para voc. Seu pai fez questo de mant-la longe de todos,
exceto dele e de sua me.
Ela precisava de mim  explicou ela, num fio de voz.  E eu no me importava com isso.
Meu pai tambm precisava de mim, mas nunca abriu mo de deixar algumas horas por semana para que eu pudesse me divertir, jogar futebol e sair em companhia de Bud
de vez em quando. Long J representava tudo para ele, mas o velho Paladin tinha noo de que um garoto deveria aproveitar bem a infncia. Voc tambm acredita nisso.
Caso contrrio, no teria usado aquele argumento de que uma das babs no se acostumaria ao ritmo de J.J., quando ele comeasse a descobrir o mundo. O que aconteceu
 criana que existiu em voc, Dana? O que aconteceu aos medos e aos sonhos que ela nunca pde expressar?
No acho que...
Vou lhe dizer o que acho  continuou John, com receio de que ela no o deixasse terminar.  Acho que essa criana ainda est escondida em voc, s que atrs de um
muro to espesso que nem voc consegue ouvi-la chorar.
Pare!  pediu Dana, sentindo os olhos se encherem de lgrimas.  Ser que no entende que no quero ouvir?Por que no, querida? Seu pai j morreu. Ele no pode
mais mago-la. Sua me tambm morreu e no precisa mais de voc. Est livre, Dana. Por que no se entrega  liberdade de se conhecer?  John respirou fundo.  Quero
entender o que a afeta, para estar do seu lado quando precisar de apoio. Mas, para tanto, ter de aprender a lidar com as lembranas desagradveis, para que elas
no se transformem em entraves na sua vida.
Dana continuou ouvindo, sem interromp-lo.
        Acho que piorei seus traumas mais do que ajudei-a a super-los, e no posso garantir que agirei sempre corretamente com relao a isso. Mas se me der
uma terceira chance, prometo que me esforarei ao mximo. Mais uma vez.
Dana pestanejou, parecendo impaciente.
        J tentamos isso antes e no deu certo  lembrou.
        No dessa maneira, Dana  salientou John.  Das outras vezes, entrei em sua vida e disse: "Estou aqui, vou ficar e voc  minha". O que estou propondo agora
 diferente. Droga, o que eu estava
fazendo era praticamente uma repetio, do comportamento de seu pai! O que estou querendo agora 
que d uma chance a voc mesma, e no a mim.  Com um sorriso, acrescentou:  O que acha de nos
descobrirmos juntos?
Uma lgrima rolou pelo rosto de Dana. Um gemido quase de dor escapou de seus lbios. Em silncio, levantou a cabea e olhou para o teto, tentando se controlar.
        Desde quando se tornou to potico, John Paladin?  perguntou, quando voltou a olh-lo.
Potico? Ele? Aquilo soou como uma grande novidade aos ouvidos de John. S tinha noo de que suas pernas estavam um pouco trmulas, nada mais. Se Dana o rejeitasse,
no sabia o que faria de sua vida dali em diante. S tinha certeza de que no conseguiria esperar uma resposta por muito tempo.
 Isso  um "sim" ou um "no"?  perguntou.

CAPTULO VIII

 No, John. Aquilo no  um amontoado de neve na estrada. O termmetro est marcando uma temperatura bem baixa, mais ainda no chegou ao ponto de congelamento,
e provavelmente no baixar mais do que isso esta noite. Agora quer relaxar, por favor?  disse Bud, com calma, sem tirar os olhos da estrada.
        Eu estava apenas curioso. Voc sabe o que costumam dizer: "Dois pares de olhos enxergam melhor do que um". Veja s o modo como aquele BMW passou por ns!
Se o sujeito chegasse mais perto acabaramos batendo.
Sentadas no banco de trs do carro, Dana e Kay trocaram um olhar de cumplicidade.
Acredita nisso?  sussurrou Dana, contendo o riso.
Casamentos, nascimentos e batismos deixam os homens muito estressados  explicou Kay, com um sorriso paciente.
Um ano mais nova do que Bud, a simptica ruiva conhecia John tanto quanto o marido, j que eram amigos desde muitos anos.
        Tente relaxar, John. Bud mandou colocar os pneus especiais para o inverno assim que soube sobre a possvel mudana na temperatura. Ns vamos chegar a tempo.
No se esquea de que no podero comear a cerimnia sem nossa presena.
Dana olhou mais uma vez para fora da janela do carro. A garoa fina havia comeado antes da sada de Dusty Flats. E ali, na metade do caminho para Abilene, j era
possvel perceber sinais de que logo iria comear a nevar. John estava certo em se preocupar com o perigo na estrada, j que o asfalto costumava ficar escorregadio
naquelas condies. S que ele se esquecera de que o trfego os obrigaria a seguir devagar, diminuindo o risco.
Alm disso, Kay tambm tinha razo. O padre Patrick, com quem haviam combinado tudo dez dias antes, esperaria por eles. Bud era um motorista responsvel e estava
muito mais calmo do que John. No poderiam estar em mos mais competentes.
 Veja s o que seu filho est fazendo  disse a John, tentando distra-lo e dar um pouco de sossego
a Bud.
J.J. parecia determinado a puxar todas fitas que prendiam seu chapu. Uma ponta que passava alm de seu queixo j estava mida de tanto ser levada  boca.
A expresso preocupada de John se suavizou assim que ele olhou para J.J.
Ei, garoto, no faa isso com o presente de sua madrinha, mesmo que no considere laos algo muito masculino. Prometo lhe comprar um chapu de verdade assim que
sua cabea crescer o suficiente para usar um.
Isso no vai demorar muito, levando-se em conta que ele  um Paladin  observou Bud.
Todos riram. Mas Dana voltou a ficar sria assim que seu olhar encontrou o de John. Por um momento, foi como se s existissem os dois dentro do carro. O acontecimento
estava sendo muito importante para ele, concluiu Dana, sentindo um aperto no peito.
Ela comeara a perceber aquilo dias antes, desde que voltara a cuidar de J.J. Nos ltimos dias, John vinha se esforando ao mximo para ser um pai exemplar, mesmo
com uma poro de outras tarefas para cumprir na fazenda.
Celene provou ser o maior dos problemas. Ela telefonara no comeo da semana para reclamar da demora para a obteno do divrcio. Aconselhado pelo advogado, John
deixara praticamente tudo de lado e fora com o advogado at Atlantic City para apanhar Celene. Em seguida, o trio fora at o Mxico para conseguirem uma dissoluo
mais rpida do casamento.
Depois viera a dificuldade em encontrar uma igreja que aceitasse realizar o batismo apesar de situao heterodoxa entre John e Celene. Fora frustrante ver a decepo
de John ao conversar com o padre ultraconservador de Dusty Flats e receber uma resposta negativa. A certa altura, ele comeara a perder a esperana. Fora ento que
Dana encontrara o jovem padre Patrick, em Abilene. O religioso tinha idias mais modernas e aceitveis dentro da igreja. Mostrara-se no apenas simptico, mas compreensivo,
oferecendo ajuda no que fosse preciso quanto ao batismo, e tambm no doloroso processo de divrcio.
Ainda assim, toda aquela "maratona" ficou evidente no rosto cansado de John. Por mais que ele estivesse lindo com o terno de l cinza, Dana sabia quanto John estava
exausto e preocupado com a quantidade de trabalho acumulado na fazenda. Como se no bastasse, o inverno estava chegando mais cedo do que o normal, o que dificultaria
ainda mais a situao.
Todavia, sua nica preocupao no momento parecia ser o batismo do filho. Isso demonstrava quanto ele estava empenhado em cumprir a promessa que fizera a ela. Ao
se dar conta disso, Dana no pde deixar de sentir-se orgulhosa dele. E tambm ficou grata pela pacincia que ele vinha tendo com ela.
Ainda me lembro do batismo de nosso primeiro filho  disse Kay, interrompendo os pensamentos de Dana. Trocando um olhar com o marido, atravs do retrovisor, ela
acrescentou:  A maior parte da equipe de Bud estava de cama, com gripe, e ele quase teve uma crise de estafa ao tentar manter a delegacia funcionando e providenciar
os detalhes do batismo ao mesmo tempo. Voc se lembra, querido?
Ser que  o momento certo para contar a ela que estvamos em meio a uma maratona de pquer?  provocou John, olhando para Bud.
Teria sido melhor se estivssemos  resmungou o xerife.  Sabe que sempre tive sorte com cartas, e um dinheiro extra at teria nos ajudado com as despesas da casa
nova, da famlia se formando e tudo mais. Em vez disso, porm, eu s me preocupava em chegar logo em casa, para ver minha esposa e meu filho. Nada como os braos
carinhosos de uma mulher para manter a sanidade e o senso de equilbrio de um homem.
Dana viu John virar a cabea para a janela, fingindo interesse na paisagem. O que ele estaria pensando? Teria ele receio de que o amigo reconhecesse uma sombra
de inveja em seu olhar? Deus sabia que ela prpria tambm no deixara de sentir uma ponta de inveja ao ouvir aquilo.
Estaria John desapontado com o fato de a situao entre eles no estar mudando com mais rapidez? Sua primeira semana, depois da volta a Long J, fora uma verdadeira
provao para os dois. Dana o flagrara vrias vezes observando-a em silncio. Fora preciso algum tempo para ela se acostumar  nova situao. Afinal, nunca fora
alvo de observao antes, mas a promessa de John inclua a tentativa de ajud-la a "sair do casulo emocional".
Pelo visto, ele achava que nada havia mudado, mas Dana no concordava com isso. Muita coisa mudara desde ento, e ela teve vontade de tocar o ombro dele e confessar
isso. Talvez a sensao de que ela no estava preparada para o casamento ainda continuasse a persegui-la, mas...
Adorei essa roupinha que voc encontrou para J.J.  a voz de Kay interrompeu seus pensamentos mais uma vez.  E de alguma loja da regio? Pensei que conhecia todos
os estilos das lojas de Dusty Flats, mas nunca vi algo assim.
No, no  da regio  respondeu Dana.  Encomendei-a por meio de um catlogo de Dallas.
Encostando o dedo junto  mozinha de J.J., ficou observando-o segurar seu dedo com firmeza. Em seguida, desprezou a chupeta e tentou levar o dedo de Dana  boca.
Oh, no' Nada disso, mocinho  ralhou ela.  No  saudvel querer o que no deve ter.
Esse no  necessariamente um desejo exclusivo dos bebs  salientou Kay.
Eu ouvi isso - interveio Bud, olhando-a por cima do ombro.  Qualquer que seja a indireta, nunca se esquea de quem a ama de verdade.
O amor entre Bud e Kay ficava evidente em cada palavra e em cada olhar que trocavam. A compatibilidade devia ser o segredo para manter aquela felicidade, pensou
Dana.
 Vocs tm sorte em compartilharem tantas coisas em comum  disse, esperando obter alguma confirmao de sua teoria.
  isso o que pensa?  indagou o xerife.
Aquela no era bem a resposta que Dana esperava ouvir.
 Meu palpite passou longe?  perguntou a eles.
Sim, de certa forma  falou Kay, pousando a mo sobre a dela.  Na escola, fomos eleitos como o casal que tinha menos caractersticas em comum em nossas personalidades.
Pensavam que ao final do curso eu iria desmanchar o namoro com Bud e viajar para Nova York, para trabalhar como modelo ou algo do gnero. E que Bud abriria alguma
loja de convenincia  beira da estrada. O fato de continuarmos juntos prova que nunca se pode prever o futuro com certeza.
"Nunca diga nunca"  citou Bud.
Dana olhou de um para o outro, ciente da mensagem que haviam deixado no ar com aquela histria. Ela os conhecia desde que se mudara para Dusty Flats, mas por serem
um pouco mais velhos, nunca tinham feito parte de seu crculo de amizades, j que as poucas pessoas com quem seu pai a deixara ter contato tinham quase sempre a
mesma idade que ela. A revelao de que perdera amizades to preciosas por tanto tempo deixou-a mais chocada do que ela poderia imaginar.
Quando chegaram  igreja, observou quando Bud se apressou em abrir a porta do carro para Kay, antes de trocarem um beijo apaixonado. Ento sua ateno se voltou
para John, que se aproximara para ajud-la com J.J.
        Tudo bem?  perguntou ele, parecendo preocupado.
        Sim. Por que no estaria?
Somente ao notar o desapontamento nos olhos dele foi que Dana se deu conta de que sua reao fora defensiva, como no passado. Ela sentiu vontade de se desculpar,
mas a essa altura ele j estava se afastando com o filho nos braos. Por fim, foi Bud quem ajudou-a a sair do carro.
        Vamos l, Dana. Pegue meu outro brao. Sempre tive a ambio de viver cercado por mulheres bonitas.
Dana riu, agradecida, mas seu olhar logo se voltou para John, que seguiu em direo  igreja.
Apesar de ntima e relativamente rpida, a cerimnia de batismo foi inesquecvel, graas  simpatia do padre Patrick, cuja eloqncia deixou todos admirados.
Dana sentiu a garganta apertar por vrias vezes e chegou a ouvir Kay assuar o nariz com delicadeza atrs dela. No entanto, foi John quem mais a surpreendeu. Assim
que teve a primeira chance de olhar para ele, teve a impresso de v-lo com a cabea abaixada, em uma prece silenciosa. Da segunda vez em que o olhou, percebeu que
ele tambm estava lutando contra as emoes.
Sempre simptica e prestativa, Kay se aproximou dele, oferecendo-lhe apoio. A viso do rosto comovido de John continuou na mente de Dana por muito tempo. Ao olhar
para J.J., cujos protestos indicavam que ele no estava gostando muito de tudo aquilo, no pde deixar de pensar em quanto aquela criana era importante para John.
Por fim, Bud teve de chamar sua ateno para lembr-la de que ela precisava responder  pergunta do padre.
        Sim  respondeu, sabendo que se tratava de um juramento sobre seu afilhado.
Como todos os grandes momentos da vida, a cerimnia pareceu curta demais para tantos preparativos. Enquanto John e Bud agradeciam ao padre pelas belas palavras,
Dana e Kay se encaminharam a uma das salas laterais, para trocar a fralda de J.J.
Voc  mesmo um anjinho, sabia?  falou Kay, distraindo o beb enquanto Dana o trocava.
Ele se comportou direitinho, no?  disse Dana, orgulhosa do afilhado.  Voc acha que John ficou satisfeito com o andamento da cerimnia?
Voc viu bem como ele ficou  respondeu Kay. Como sempre, a esposa de Bud fora direta. Ciente de que tambm deveria ser sincera, Dana assentiu.  John Paladin 
um dos homens mais complicados e temperamentais que j conheci  afirmou Kay, forando um sorriso.
Dana ficou surpresa ao ouvir aquilo.
 Ele  meio contraditrio s vezes, mas... complicado?
O que voc v quando olha para ele? Mantendo a sinceridade, Dana respondeu:
Vejo algum cuja presena  impossvel de ser notada. Um homem com fora e poder. Kay meneou a cabea.
        Mas ele no  uma montanha de granito, Dana. Por mais que tenha aquela aparncia de fora, se o ferir, ele sangrar como qualquer ser humano normal. E foi
isso que voc viu hoje. Um homem tem de ser muito sensvel para se comover com as palavras de um padre em uma cerimnia de batismo, e John nem conseguiu conter as
lgrimas. Apesar de tanta sensibilidade, John continua sendo o homem mais solitrio que conheo.
Solitrio?, pensou Dana. Estariam elas falando do mesmo homem? Se aquilo fosse verdade, ento ela era a nica pessoa que no conhecia John Paladin durante todo aquele
tempo.
Para ser sincera, acho que ele est sempre ocupado demais para prestar ateno aos prprios sentimentos  falou.
 verdade  concordou Kay.  John deixa a fazenda consumir todo o tempo dele. Cruzando os braos, encostou-se na parede.  Mas ele tem um grupo de empregados competentes
trabalhando em Long J  salientou ela.  Poderia ter mais tempo para si mesmo, se quisesse, mas no se preocupa com isso porque no tem nenhuma outra ocupao para
preencher seu tempo.
Com o nascimento de J.J. isso mudou um pouco  lembrou Dana.
Sim, a presena do filho  importante, mas no  tudo. No  suficiente para algum como John, com tanto amor para oferecer.
Dana ficou surpresa mais uma vez.
        Celene  bonita?  perguntou de repente.
Kay pensou por um instante.
Ela  esperta, e sabe valorizar suas caractersticas mais atraentes. Sem metade da maquiagem que costuma usar, seria considerada apenas uma garota "bonitinha".
Mas, com boa maquiagem e roupas selecionadas, qualquer mulher se torna atraente. Acha que John  to inconseqente a ponto de haver se interessado apenas por isso?
Isso ficou mais do que bvio, no?  respondeu Dana, terminando de fechar a fralda de J.J.
O que est evidente  que voc nunca olhou alm de seus prprios problemas para enxergar os de alguma outra pessoa.
Espantada, Dana olhou para Kay. A ruiva lanou-lhe um sorriso compreensivo.
        timo. Estou satisfeita que meu comentrio tenha chamado sua ateno.  Tocando o ombro da amiga, continuou:  Gosto muito de voc, Dana, mas por John
o que sinto  amor de uma irm. Tenho medo que ele no consiga extrair da vida a felicidade que merece. Pare de negar as caractersticas que vocs tm em comum.
Vocs deveriam estar se ajudando e no entrando em conflito. Est muito fechada em seus prprios traumas e no quer enxergar os problemas de John. Se no tomar
cuidado, quando despertar para a realidade, vai se dar conta tarde demais de que a melhor chance para sua felicidade escapou por entre seus dedos por puro descaso.
E no apenas uma vez, mas duas.
O tempo cada vez mais frio obrigou-os a desistir de comemorar o batismo com um almoo na cidade. Por isso, Bud os levou de volta para Dusty Flats pouco depois.
Dana no se importou com isso, embora o trajeto de volta mais tenha parecido com o cortejo de um funeral do que com a comemorao de um batismo. No que algum
estivesse aborrecido. Na verdade, estavam todos absortos em seus prprios pensamentos.
Na residncia dos Hackman, John se despediu dos dois, agradecendo mais uma vez pelo batismo e pela amizade que continuava a uni-los. Bud se ofereceu para levar Dana
para casa, mas ela explicou que havia deixado o carro na fazenda.
 Ficarei bem, se no demorar muito para voltar para casa  disse, ao se despedir.
Assim que entraram na caminhonete de John, ela percebeu que ele ainda estava com um ar de preocupao.
 Est pensando nos problemas com a fazenda, no ?  perguntou, ajeitando J.J. no colo.
Sim  admitiu John.  Parece que esse ano o inverno ser rigoroso e no poderemos conduzir o gado at os lugares certos para alimentarmos os animais com mais facilidade.
Ter de sair assim que chegarmos  fazenda  deduziu ela.
Como Kay dissera antes, a fazenda tomava tempo demais na vida de John.
Eu deveria, mas no posso deixar J. J. Talvez os empregados entendam...
Eu ficarei com ele  Dana se ofereceu.
John a olhou por um momento, antes de ligar o carro. Dana no o culpou pelo espanto, j que ela prpria ficara surpresa com a deciso. Do jeito que estava a condio
do tempo, se ela ficasse em Long J, talvez no conseguisse voltar para casa antes de alguns dias, devido  quantidade de neve que logo se acumularia na estrada.
Voc j fez muito, Dana  respondeu John, com um ar de agradecimento.  No tenho o direito de exigir mais nada de voc.
Mas no  nenhuma exigncia! Sou eu quem est se oferecendo para cuidar de J.J.
John se manteve em silncio por um longo tempo, antes de dizer:
Agradeo pela oferta.
No h o que agradecer.
Acho que fiquei surpreso com sua deciso.
Garanto que isso no aconteceu apenas com voc  afirmou Dana.
Se John aceitasse a proposta significaria dormirem sob o mesmo teto, sem muita opo para ocultar as carncias fsicas e emocionais.
Apenas a sugesto disso seria suficiente para fazer Dana entrar em pnico semanas antes, mas, ao ser sugerida, a idia j no lhe pareceu to assustadora.
O trajeto at a fazenda demorou pouco mais de quinze minutos. J.J. j estava impaciente quando saram do carro.
John dirigira com cuidado para no assust-lo e Dana o assegurou de que o mau humor do beb deveria ser apenas cansao depois de toda aquela agitao.
Porm, mesmo depois de estar trocado e banhado, J.J. continuou impaciente.
        No se preocupe  disse Dana, quando John apareceu, j vestido com a roupa de trabalho.  Ele vai adormecer assim que terminar a mamadeira. Pode ir, mas
tenha cuidado.
John olhou para o relgio, notando que j havia se passado alguns minutos das duas horas da tarde.
        Tentarei voltar assim que puder  avisou-a.  Durango ir comigo, portanto, se precisar de alguma coisa, ter de telefonar para Bud.
Dana percebeu que John estava realmente preocupado em deix-la ali, sozinha com o beb. O estado de sade de Durango no o deixaria se mover com a mesma facilidade
dos outros, e talvez isso os atrasasse um pouco.
Est com fome?  perguntou Dana.  Se quiser, posso preparar um sanduche rpido e caf ou...
Durango j cuidou disso. Verifiquei isso com ele, enquanto voc estava dando banho em J.J. Est tudo preparado na cozinha.  Batendo as luvas sobre a palma da mo,
acrescentou:  No era assim que as coisas deveriam estar transcorrendo.
No tem problema  Dana o tranqilizou.
O olhar de John a percorreu de alto a baixo, mostrando um brilho de admirao.
 Est to bonita. Merecia pelo menos um almoo especial ou algo do gnero.
Voc sabe que no me importo com isso, John. De verdade.
Dana teve a impresso de que ele iria dizer algo mais, ou mesmo beij-la antes de sair. A atmosfera de expectativa a fez dar um passo atrs, para recuperar o flego.
Entretanto, John limitou-se a ajeitar o chapu e sair sem dizer mais nada.
O tempo foi ficando pior, conforme as horas foram se passando. E tambm a sensao de arrependimento de Dana, por haver evitado se aproximar de John mais uma vez.
No incio da noite, caiu uma chuva forte. Quando a energia eltrica acabou de repente, ela no soube como ligar o novo gerador que John havia comprado. Por isso,
levou J.J. para a sala e acendeu a lareira. Alm de iluminar o aposento, o fogo tambm serviria para aquec-los.
Depois de acomodar o beb entre as almofadas do sof, pegou uma lanterna e foi at o quarto de John, de onde voltou com uma poro de lenis e de travesseiros.
Talvez a energia eltrica demorasse para voltar, e John sara com tanta pressa que no pensara em deixar um estoque de madeira extra para a lareira.
Lembrar-se de John a deixou preocupada. Por mais que o escuro no estivesse agradvel dentro de casa, do lado de fora a situao deveria estar pior. Ser que John
e os empregados haviam ido muito longe para reunir o gado? E se algo acontecesse a algum deles? Ou a John?
Quanto mais tentava distrair os pensamentos, mais a angstia persistia. Depois de ajeitar os lenis e os travesseiros e acomodar J.J. com mais conforto, pensou
em cochilar um pouco, mas logo descartou a idia, sabendo que no conseguiria.
Aproveitando a iluminao ainda que fraca da lanterna, foi at a cozinha e preparou um pouco de caf. Em seguida, fez alguns sanduches com os ingredientes que
Durango estocara na geladeira. Se os empregados voltassem famintos, pelo menos teriam algo j pronto para comer.
Ao voltar para a sala, sentou-se ao lado de J.J., que a essa altura j havia adormecido. Sem nada para se distrair, a casa pareceu maior e muito vazia de repente.
Adorava ver J.J. dormindo, mas seus pensamentos estavam to conturbados que ela no quis ficar muito perto dele, para no lhe perturbar o sono delicado.
Pegar a lanterna e ver se a chuva no estava entrando pela janela dos outros aposentos lhe pareceu uma soluo eficaz para passar o tempo. Tambm aproveitaria
para ver se os homens j estavam voltando para casa.
Pela primeira vez, comeou a observar com mais ateno os detalhes da casa de John. Talvez assim encontrasse algumas respostas para aquelas questes que continuavam
a ocupar sua mente.
Por que no notara antes que no havia nenhuma foto pela casa? Aquela da sala, com a vista area da fazenda, no contava. Queria ver pessoas, rostos como o da me
e do pai de John, mas no havia simplesmente nada. Era estranho ver que John e os pais nunca haviam se interessado por esse tipo de lembrana.
Seu prprio pai, por outro lado, adorava fotos. Todas mostravam um falso clima de alegria na famlia, mas isso pouco importava para ele. Mantinha fotos de famlia
na mesa de trabalho, mas preferia mesmo quando a foto dele saa em algum jornal da cidade. Ento seu ego inflava feito um balo.
Parou de repente, ao avistar uma caixa diferente, disposta sobre uma prateleira na biblioteca. Nunca a tinha visto ali antes. Provavelmente por que sempre se forava
a realizar apenas seu trabalho, mantendo-se o mais longe possvel de tudo que dizia respeito a John.
Ao pegar a delicada caixa, admirou seus detalhes prateados, com a figura de um unicrnio na tampa. No resistiu ao impulso de segurar a lanterna mais prxima, para
observar o objeto com mais ateno. Foi ento que viu uma fechadura na parte da frente, mas sem chave. Curiosa, tentou levantar a tampa, e no encontrou nenhuma
resistncia. A caixa estava aberta.
Dentro havia uma poro de papis, recortes de jornal e uma foto. Ao analis-los, conteve o flego. Tudo se referia a ela!
A foto mostrava o momento em que ela recebera o diploma do colgio. Nem sabia que John comparecera quela cerimnia. No fazia idia de que ele se importava tanto
com ela, e desde aquela poca! Tudo bem que John chegara a mencionar isso algumas vezes, mas ouvi-lo falar e ter as provas em mos era algo muito diferente.
Para sua surpresa, tambm encontrou uma cpia do certificado que ela ganhara como melhor aluna da classe, no ltimo ano do colgio. Ser que John sabia que ela forara
a voz de propsito, para ficar com laringite e no ser a oradora da classe na formatura? Ainda se lembrava de quanto seu pai ficara furioso ao descobrir a verdade.
 Oh, John...  murmurou.
Gostaria de poder chorar pelos dois, mas no conseguiu. Sua nica reao foi ficar com as mos trmulas. Guardou tudo dentro da caixa e a fechou. De repente, ouviu
um som diferente. Teria J.J. acordado?
Sentindo o corao acelerar, voltou para a sala e descobriu que o beb havia mesmo acordado. Ao v-la, iluminada pela luz da lanterna, ele balbuciou algo.
 Estou aqui, meu anjo  disse, sentando-se ao lado dele.  Estou aqui.
Notando que ele estava tranqilo, encostou a cabea no encosto do sof e fechou os olhos por um instante, pensando em tudo que encontrara naquela caixa.

CAPTULO IX

Quando John entrou em casa, pela porta da cozinha, j passava das dez horas da noite, havia acabado de tirar a jaqueta e as botas encharcadas quando viu a garrafa
grande de caf e uma bandeja com sanduches sobre a mesa. Grato e aliviado ao mesmo tempo, levou tudo para o alojamento dos empregados. Com certeza, estavam to
exaustos quanto ele.
Ao voltar para casa, pensou em subir para tomar um banho e vestir uma roupa limpa, antes de comer algo. Porm, ao passar pela sala, viu a luz acesa, a lareira ainda
parcialmente aquecida e Dana adormecida no sof, junto com J.J.
Deduzindo o que acontecera, John no pde deixar de sorrir. Dana fora muito esperta ao acender a lareira quando a luz acabara, provavelmente por causa da tempestade.
Enquanto subia a escada, no conseguiu desviar a vista daquele lindo rosto adormecido.
Do lado de fora, o maior perigo da tempestade j passara, restando apenas o vento e a garoa. Pela manh, se o tempo continuasse mais estvel, seria provvel que
no houvesse mais perigo nas estradas. Ento ele mandaria Dana voltar para casa pela ltima vez.
Depois de tomar um banho, vestiu jeans e uma camisa de flanela. Ao voltar para a sala, serviu-se de uma dose de conhaque e sentou-se na cadeira de balano, observando
Dana e seu filho lindamente adormecidos. Queria ficar ali at que ela acordasse e gravar bem a cena na memria, porque tomara uma deciso nessa noite.
No agentava mais ter Dana to perto de si e no poder toc-la nem mostrar quanto se importava com ela. A promessa de que daria algum tempo para ela fora sincera,
e talvez o maior sacrifcio de sua vida. Mas nem isso fora suficiente para reaproxim-los.
Chegara o momento de enfrentar a derrota. Soubera disso no momento em que ela o evitara, antes de ele partir  tarde. A atitude de Dana continuou a se repetir em
sua mente, principalmente quando ele se deu conta de que ela compartilhara um dos dias mais importantes de sua vida. Se nem mesmo isso a convencera de que deveriam
ficar juntos, nada mais a convenceria.
Portanto, s havia uma coisa a fazer. Uma ltima chance de faz-la enxergar o que ela estava perdendo e reconhecer que se esconder no era a melhor soluo. Todavia,
se no desse certo, ele teria de aceitar a resoluo do destino. Por isso, seria mais sensato no gerar nenhuma expectativa.

J.J. acordou primeiro. Quando o fogo comeou a aumentar na lareira, depois dos novos pedaos de lenha que acrescentara, o crepitar das chamas o fez despertar.
Ele olhou para Dana, como que esperando que ela tambm fosse despertar.
O corao de John se encheu de ternura diante da cena. Mais ainda quando um sorriso se insinuou nos lbios do beb. Agitando os bracinhos e as perninhas, deu alguns
gritinhos, como que comemorando algo que s ele sabia o que era.
        Sei como se sente, garoto  sussurrou John.
Sem querer que J.J. a acordasse, John pegou-o no colo com cuidado e voltou para a cadeira de balano. O Natal seria dali a algumas semanas, pensou ele, observando
o semblante inocente do filho. Queria tornar a data especial de alguma maneira. Talvez para resgatar tudo que ele no tivera nos ltimos anos. Com carinho, beijou
as mozinhas de J.J.
        Farei o melhor por voc, J.J.  prometeu.  Sempre. S no sei se conseguirei fazer o mesmo
por Dana.
Os dois ficaram ali por um longo tempo, at Dana abrir os olhos. Ela pareceu assustada quando no viu J.J. perto de si.
Tudo bem. Ele est aqui.
Levantando a vista, ela murmurou:
Oh, meu Deus... Voc voltou.
Percebendo que Dana se tornara tensa ao v-lo, John sentiu um aperto no peito.
 J faz algum tempo.
E mesmo? Sinto muito por no haver acordado antes. Que horas so?
Quase onze, eu acho. A energia eltrica j voltou e a chuva diminuiu bastante.
Oh, que bom. Vocs...  Cobriu a boca, com um bocejo.  Desculpe-me. Conseguiram transferir o gado para outro lugar?
A maior parte.
Dana se espreguiou, fazendo o lenol revelar que ela vestira um dos pijamas dele.
 Espero que no se importe  ela se desculpou.  Eu estava quase cochilando quando percebi que poderia estragar a roupa do batismo. Por isso fui at seu quarto
e peguei um pijama emprestado.
 Tudo bem.
A verdade era que ela estava adorvel com aquele pijama bem maior do que o nmero dela.
 Como est J.J.?  perguntou Dana, aproximando-se para olhar o beb.  No voltou a ficar impaciente, espero?
John olhou para o filho, notando que ele voltara a ficar com sono.
No. Ele parece estar bem. Talvez aquela impacincia fosse apenas cansao mesmo. Se quiser ir dormir em algum quarto l em cima, fique  vontade. Vou levar J.J.
para o dele. Ele precisa comear a se acostumar a dormir nele.
Tudo bem, mas no precisa se importar em me acomodar em um quarto. J.J. pode at dormir comigo aqui embaixo. Vou apenas verificar a fralda dele...
Farei isso quando o levar para cima  insistiu John.  Talvez seja melhor ele no se acostumar a dormir sempre com algum por perto. Alm disso, j tomamos muito
de seu tempo. Tudo est sob controle agora. Os rapazes podero terminar o trabalho sem minha ajuda amanh. Ficarei aqui com J.J.
A falta de emoo na voz de John, ou mesmo sua expresso fria, afetaram Dana no mesmo instante. Ele percebeu que ela estava tentando encontrar as palavras certas
para dizer.
        Voc... parece que voc andou pensando muito enquanto reunia o gado.
John esforou-se para no sentir-se culpado pelo riso nervoso de Dana.
        Na verdade, fiquei mais pensativo depois que me sentei aqui  admitiu ele.
 Entendo. Ento o que voc disse realmente significa... Corrija-me se eu estiver errada, mas tenho a impresso de que est se despedindo de mim.
Claro que no  John apressou-se em dizer.  Voc  a madrinha de J.J. Tornou-se parte da vida dele, mas eu tambm me sinto na obrigao de lembrar que tambm tem
sua prpria vida. No acho justo prend-la mais aqui.
No fale como se no passasse de um egosta  ralhou Dana.
No  essa minha inteno.
Ainda bem, porque estou aqui por vontade prpria. Fiquei feliz em poder ajudar.
Agradeo por isso, Dana. S que preciso comear a pensar em como ser meu futuro sozinho.
Oh!
Preciso deixar que voc v embora, pelo nosso prprio bem  acrescentou, olhando para J.J.
Entendo . murmurou ela, mal conseguindo disfarar o desapontamento.
John perdera as energias para lutar. No tinha dvida de que Dana se importava com seu filho, mas isso no era suficiente. Queria seu prprio lugar naquele corao.
Preferia no ter nada, a mant-la por perto apenas parcialmente.
"Diga algo, Dana. Por favor!", pediu em pensamento.
Quando ela continuou em silncio, ele no conseguiu evitar uma onda de desapontamento. Ficou de p de repente.
        Acho melhor levar J.J. para o quarto  disse a ela, sentindo uma sbita necessidade de se afastar dali.
Subiu a escada devagar, tomado por um desagradvel peso no peito. No se permitiu olhar para ela nem sequer mais uma vez.
Dana no teve idia de quanto tempo continuou sentada no sof, olhando para a cadeira de balano vazia. Estava com dificuldade at para fazer coisas bsicas como
respirar. Pensar, ento, tornara-se impossvel no momento.
Se no sasse logo para tomar um pouco de ar, acabaria desmaiando. De sbito, comeou a sentir os primeiros indcios de uma hiperventilao.
Apesar das pernas trmulas, conseguiu ficar de p e pegar o casaco, deixado sobre uma cadeira. Estava prestes a vesti-lo quando lembrou-se de que estava usando o
pijama de John.
Com mos trmulas, trocou de roupa rapidamente e encaminhou-se para a cozinha, meio cambaleante. O ar frio ajudou a clarear seus pensamentos por um momento. Sentindo
o ar glido atingi-la quase com violncia, fechou o casaco com mais firmeza. John dissera que o tempo melhorara? Pois no era o que parecia.
At a chuva estava horrivelmente fria e logo umedeceu seus cabelos, enquanto ela se dirigia at o carro. Em questo de segundos, ficou gelada e trmula de frio.
Assim que ligou o carro, deu marcha  r e afastou-se da casa. Ir embora dali tornara-se a deciso mais importante no momento.
Foi ento que pisou no freio de repente. O que estava fazendo afinal?, perguntou-se. No decidira apenas ir embora de Long J, estava fugindo! E esse era o procedimento
de pessoas covardes. Sair sem se despedir, evitando se reencontrar com John. Deus, j fizera isso por tempo demais! Fugira de seus medos, de seus sentimentos e
principalmente de John.
Se fosse embora nesse momento, no haveria uma terceira chance, apesar do que John dissera sobre ela fazer parte da vida de J.J. Ela distinguira um brilho de determinao
nos olhos dele, algo que lhe disse muito mais do que mil palavras. Se fosse embora, nunca mais seria capaz de se olhar no espelho de novo sem sentir desapontamento
e frustrao.
Ela merecia tudo que John dissera. A questo era: por que ele no a dispensara antes? Passara anos se escondendo por trs da desculpa da crueldade de seu pai, forando
John a carregar a prpria culpa. Claro que no passado ele fora muito autoritrio e possessivo, alm de temperamental. Mas John mudara! E muito mais do que ela acreditara
a princpio.
"Pense, Dana!", disse a si mesma. O antigo John Paladin aceitaria cuidar do filho sozinho com tanta determinao e vontade de aprender? No. Alguma vez chegara na
fazenda pela manh e encontrara o beb mal alimentado ou sem a fralda recm-trocada? No. Ela mesma no o vira dar banho em J.J., utilizando aquelas mos fortes
com tanta delicadeza para lidar com o corpinho delicado do beb? John era um pai maravilhoso.
 O melhor  sussurrou, apoiando as mos sobre o volante.
E quanto ao respeito com que ele tratava os empregados? Principalmente tendo todos os motivos do mundo para estar impaciente, devido aos problemas com o divrcio,
com a criao de J.J. e com a prpria fazenda. Apesar disso, nenhum dos empregados pedira a conta ou olhava-o com temor. No, todos o respeitavam.
Durante o jantar de Ao de Graas, todos haviam comparecido e feito piadas com ele, tratando-o como um colega de trabalho. O nico momento em que John parecera
ficar aborrecido fora quando eles a haviam observado com olhares demorados demais.
Pensando bem, somente em assuntos que diziam respeito a ela era que John ficava alterado. Levada pelo egosmo de olhar apenas para seus prprios traumas, e pela
teimosia de no admiti-los, nunca percebia como acabava levando John a perder a pacincia.
A situao realmente sara do controle no Dia de Ao de Graas? No. Nem mesmo quando haviam trocado aquele beijo. Quando ela pedira que ele parasse, John atendera
o pedido no mesmo instante. Depois disso, tivera todo o direito de sentir-se frustrado e de ser indelicado com ela, mas, pelo contrrio, ele lhe dera outra chance.
E o que ela fizera com isso?
 Oh, cus, o que eu fiz hoje?  perguntou-se, apoiando a cabea no volante.
Na verdade, ficara embaraada na presena de Kay e de Bud. Eles eram pessoas maravilhosas, mas ela sentira como se cada um de seus gestos e palavras estivessem sendo
analisados nos mnimos detalhes. Sem conseguir sentir-se  vontade, acabara tratando John com indelicadeza diante da igreja.
 Oh, Deus!
Depois, quando haviam chegado  fazenda, ela praticamente evitara que ele a tocasse antes de partir com Durango. No porque no desejasse isso, mas por medo de
sua prpria reao.
Por certo, aquilo fora a gota d'gua. Afinal, quanto um homem tinha de ceder para demonstrar que havia mudado?
Sem hesitar, conduziu o carro novamente at o estacionamento e desligou o motor. Em questo de segundos, estava de volta ao interior da casa.
 Dana?
Ela foi direto para a escada, mas parou ao ouvir a voz de John. Pelo visto, ele voltara para o andar de baixo e sentara-se novamente na cadeira de balano.
O brilho de esperana nos atraentes olhos castanhos deu a Dana o incentivo que ela precisava para correr at ele.
Apoiando-se na ponta dos ps, diante dele, falou:
        No posso ir embora, John. Por favor, no me pea para fazer isso. Eu te amo e tambm amo J.J.
Quero ficar com vocs.
John continuou a olh-la, como que no acreditando no que acabara de ouvir. Segurando o rosto dela entre as mos, perguntou:
O que disse?
Eu no quero ir embora.
No, o restante.
Dana desejou poder sorrir, mas no tinha certeza de qual seria a reao de John.
        Eu te amo  repetiu.  Cansei de lutar contra meus sentimentos e de me deixar dominar pelos meus medos Eu...
Dana no conseguiu terminar a frase porque os lbios de John cobriram os dela, em um beijo apaixonado. Em seguida, beijou-a no rosto, no pescoo, atrs das orelhas...
Quando se afastou, enxugou o rosto dela. Seria a chuva que o molhara ou lgrimas de felicidade? John no soube dizer.
No acredito que isso esteja acontecendo  disse a ela.
Sim, est.  Dana sorriu.
Cus,  bom demais para ser verdade! Justamente quando eu estava aqui, desesperado, pensando em como suportaria viver longe de voc, entrou de repente para dizer
que me ama? Mal posso acreditar!
Nenhum homem seria to paciente quanto voc tem sido comigo, John.
Eu te amo, Dana. Sou louco por voc. No tinha outra sada a no ser insistir e ter esperana de que ficssemos juntos.
Ficando de p, John abraou-a com sensualidade, antes de beij-la mais uma vez.
        Faa amor comigo, John  sussurrou Dana, com um brilho de desejo no olhar.
John mal havia conseguido ouvir direito as palavras, mas a expresso de Dana lhe revelou mais do que ele poderia imaginar.
Em resposta, deslizou as mos por dentro do casaco dela, trazendo-a mais para junto de si.
Dana continuou fitando-o nos olhos, mas no conseguiu manter os seus abertos por muito tempo. Rendeu-se  deliciosa explorao das mos de John alcanando lugares
sensveis de seu corpo sedento de amor.
No conseguiu conter um suspiro de prazer quando as mos firmes cobriram seus seios completamente e seus mamilos foram acariciados pelos polegares de John.
Segundos depois, seus lbios substituram o lugar onde seus dedos haviam estado, provocando um gemido de prazer em Dana.
 Voc  linda...  sussurrou ele.
Como ela pudera se privar de tudo aquilo durante tanto tempo?, Dana se perguntou. Mesmo tomado pela paixo, John parecia o homem mais cuidadoso do mundo. No entanto,
isso serviu apenas para aumentar ainda mais seu desejo.
Em um gesto mais ousado, insinuou as mos por dentro da camisa dele, moldando com os dedos os contornos daquele peito msculo.
        Tem idia de quantas vezes sonhei com esse momento?  murmurou ele.  Passei noites em claro imaginando como seria poder t-la assim, em meus braos...
Aos poucos, os beijos e as carcias foram se tornando cada vez mais intensos.
At que, quando Dana pensou que ele iria lev-la para o quarto, John se afastou de repente.
        O que foi?  perguntou a ele.  Fiz algo errado?
Ele sorriu.
No, nada. Quero apenas realizar tudo da maneira mais apropriada.
Mas eu pensei que...
John a silenciou com outro beijo.
        Seria maravilhoso, Dana. Mas primeiro quero me casar com voc. Quero v-la entrar na igreja toda vestida de branco, como venho sonhando h anos. E na primeira
vez em que fizermos amor, quero que seja tudo muito especial.
Dana olhou para a lareira acesa e para os lenis que continuavam sobre o sof.
Pensei que aqui seria suficientemente romntico.
No me tente a mudar de idia agora, feiticeira. J me decidi.
Ela estreitou os olhos.
Est ficando autoritrio novamente.
Autoritrio demais?  perguntou John, arqueando uma sobrancelha.
Dana assentiu, mas acabou sorrindo e aceitando a deciso que ele tomara. Em seguida, ofereceu os lbios a ele mais uma vez.
        Hum...  murmurou John, ao se afastar, muito tempo depois.  Alguma vez pensou em se casar no dia de Ano-Novo?
Dana ainda estava sem flego, mas conseguiu balbuciar:
 Seria um casamento legal?
John havia praticamente acabado de conseguir o divrcio e considerando-se as dificuldades que haviam enfrentado com o batismo de J.J., no seria fcil conseguir
algo to inusitado.
Acho que sim  respondeu John.  Mas vou verificar isso com mais detalhes. Vai dar certo. Quero seu nome prximo ao meu em uma certido de casamento, antes que
eu acorde de repente e veja que tudo isso no passou de um sonho.
E real, John  afirmou Dana, afastando os cabelos da testa dele.  Dessa vez  para sempre. Graas a voc, finalmente consegui enxergar que estava na hora de deixar
o passado para trs.  Bem, Kay tambm contribura para sua deciso, mas explicaria isso a John em uma outra oportunidade.  Ambos cometemos erros  afirmou Dana.
 Eu deveria haver acreditado em voc antes e reconhecer que voc havia mudado de fato. Mas o orgulho no permitiu que eu fizesse isso.  Beijou-o com carinho. 
Sinto muito, John, mas prometo que agora dar certo.
Tambm estou comeando a acreditar nisso  respondeu ele.  Mas...
Conteve o flego ao notar que o decote de Dana se abrira mais uma vez, revelando a sedutora curva entre seus seios.
 Por que no fica de p para deixar de me torturar?  pediu ele, com olhar suplicante.
Dana sorriu com um ar sedutor e fez meno de se afastar, porm, John a deteve no ltimo instante.
 Espere. Antes que v...
Em um ousado gesto de sensualidade, ele abriu mais o decote dela e beijou-lhe cada um dos seios.
 John...
Quando ambos trocaram um olhar apaixonado, ele sussurrou:
 Eu te amo.

CAPITULO X

O casamento no aconteceu no Ano-Novo. De fato, a espera pelo grande acontecimento pareceu durar uma eternidade, mas Dana e John finalmente se casaram no ltimo
dia do ms de janeiro.
"Sou mesmo um homem de sorte", pensou John, olhando sua noiva entrar na mesma igreja onde J.J. havia sido batizado. Ela nunca lhe parecera to linda quanto naquele
momento.
Vestida de branco, com um longo vu cado atrs da cabea, olhava-o com um charmoso ar de mistrio, enquanto caminhava lentamente em sua direo.
O que farei depois com o vestido de noiva?  perguntara, quando ainda estavam fazendo os preparativos para o casamento.
No sei. Talvez nossa filha queira us-lo no prprio casamento, daqui a alguns anos  sugerira John.
O branco do vestido contrastava com o lindo colar de brilhantes e esmeraldas que ele dera a ela como presente de casamento. Por mais que a jia se destacasse sobre
a pele alva de Dana, nada se comparava ao brilho intenso daqueles olhos castanhos cada vez mais prximos dos seus.
Deus, como a amava. O sentimento era to intenso que s vezes chegava a surpreend-lo. Esperava que o tremor de suas pernas no estivesse sendo denunciado atravs
do tecido de seu elegante terno cinza.
No colo de Kay, J.J. olhava para todos os lados, levado pela curiosidade de seus cinco meses de idade. Ao reconhecer Dana, quando ela se aproximou, sorriu para aquela
a quem j chamava de "m".
John suspirou, mal se contendo de felicidade. Na fazenda, ficara tudo preparado para uma grande festa, que se estenderia durante todo o dia.
Olhando para Bud, sorriu ao receber um cumprimento de aprovao. Se o amigo lhe desse um dos abraos fraternais que costumava dar em celebraes como essa, era
bem capaz de comear a chorar feito um beb no ombro dele. Nunca pensara que um dia Dana aceitaria realmente se tornar sua esposa.
Pouco depois, Durango lhe entregou a mo de Dana. Ele a beijou e ambos se aproximaram do altar.
Quando ela retribuiu seu sorriso com confiana, John suspirou mais uma vez, tendo a certeza de que tudo daria certo.
Diante deles, o simptico padre Patrick comeou a cerimnia.
        Sinto um grande amor preenchendo esta igreja hoje, meus amigos. E por ele somos abenoados...
O discurso foi simples, mas extremamente inspirado. Por vezes, Dana e John chegaram a sentir os olhos cheios de lgrimas, mas conseguiram conter a emoo.
Minutos depois dos votos, foram declarados marido e mulher.
        Tm certeza de que no querem que o levemos conosco?
Dana sorriu para J.J., antes de olhar para o rosto preocupado de Kay.
Obrigada, Kay, mas no ser preciso. Ns ficaremos bem.
Adoraramos passar algum tempo com J.J.  afirmou a esposa de Bud.  Nossas crianas tambm o adoram, e agora que Josh parou de usar fraldas h um bom tempo, estou
sentindo falta de ter perninhas e bracinhos rechonchudos por perto.
Agradeo pela preocupao, mas hoje realmente pretendemos comear nossa vida como uma verdadeira famlia  respondeu Dana, com gentileza. Beijando o rosto da amiga,
acrescentou:  Sei que vai nos entender.
As duas haviam se tornado boas amigas nos ltimos meses. Fora Kay quem a ajudara a escolher o vestido de noiva e que lhe explicara alguns detalhes ntimos sobre
o casamento, j que a me de Dana nunca tivera coragem de falar sobre aquilo com a filha.
Dana estava sentindo-se mais calma do que nunca, embora fosse o dia de seu casamento. Talvez por saber intuitivamente que sua vida conseguira entrar em ordem, depois
de muito tempo de turbulncias emocionais.
Estava unida ao homem de sua vida e seria me de uma criana que ela j adotara como filho com todo seu corao.
H algo que pode fazer por mim, Kay  disse  amiga.
Pode falar.

Quero que me perdoe.
Kay franziu o cenho, confusa.
Perdoar por qu?
Pelo sermo que teve de me dar alguns meses atrs.
        No lhe dei nenhum sermo, Dana, apenas apontei a verdade, por gostar muito de voc e de John.
        No faz idia de quanto aquelas palavras me ajudaram  afirmou Dana.  Eu precisava ouvi-las, e ningum melhor do que voc para diz-las, minha amiga. Obrigada
por haver ficado do meu lado naquele momento difcil.
Kay, que fora madrinha do casamento, estendeu os braos para Dana e a abraou com carinho.
        Tenho certeza de que vocs sero muito felizes. Ficarei to orgulhosa de voc quanto ficaria de minha prpria irm, Dana.
J era quase noite quando o ltimo dos convidados partiu da fazenda. Durango e os outros empregados foram para os alojamentos, deixando os noivos sozinhos na casa.
A porta de entrada, os rapazes haviam deixado uma placa onde se lia: "Recm-casados. No perturbe!"
Rindo ao ver a placa, John trancou a porta e apagou a luz, deixando o ambiente iluminado apenas pelas luzes que entravam pela janela.
Seu sorriso se transformou em um suspiro quando ele se aproximou de Dana.
 Gostou do casamento, sra. Paladin?  perguntou, puxando-a para si.
Esse foi o dia mais feliz da minha vida, sr. Paladin.
John beijou-a na testa.
Est muito cansada?
Dana sorriu, com charme.
No tanto assim.

Quer subir para nosso quarto?  indagou John, com um tom de voz sedutor, antes de beijar a pele sensvel atrs da orelha dela.
S se voc vier comigo  respondeu Dana, com receio de que ele tivesse algo para fazer no andar de baixo.
Claro que irei com voc. John sorriu.  Esperei por isso durante muito tempo e no seria louco de deix-la subir sozinha para o quarto em uma noite to especial.
Dana enlaou os braos em torno do pescoo dele.
        Leve-me para nossa cama, meu amor  sussurrou, com um irresistvel brilho de seduo no olhar.
        E J.J.?  perguntou ele.
Dana sorriu.
        Eu e Kay o colocamos para dormir ainda h pouco. Portanto, a noite  nossa. Pelo menos, por enquanto  brincou.
Mantendo o bom humor, John tomou-a nos braos e levou-a para o quarto, colocando-a com cuidado sobre a cama.
Deitando-se ao lado dela, olhou-a com um ar de encantamento. Sob a luz tnue do abajur, Dana parecia ainda mais linda e irreal. Quase como se fizesse parte de um
sonho. Seu mais lindo sonho...
        Estamos juntos, irlandesa- murmurou.  S voc e eu.
Dana o fitou nos olhos ao dizer:
Quero ser sua, John.
Voc sempre foi. E sempre ser.
Com um beijo infinitamente carinhoso, John apagou qualquer trao de nervosismo que pudesse haver nela.
A sensualidade contida em cada gesto de John deixou Dana ainda mais excitada. Beijaram-se mais uma vez, deixando que seus gestos falassem mais do que qualquer outra
coisa.
 Deus, voc me deixa louco...  sussurrou John, deslizando os lbios pela curva sensvel do pescoo de Dana.
Ela gemeu baixinho, virando-se lentamente para que ele abrisse a enorme carreira de botes de seu vestido.
 Sempre achei que esse detalhe era cruel com o noivo  murmurou ele, com um sorriso, comeando a abri-los.
Minutos depois, os dois j estavam nus e deitados novamente na cama. Dana nunca imaginara que fosse to natural ser despida pelo homem amado.
Quando deu por si, j estava nos braos de John, em meio quela envolvente atmosfera romntica. Seus corpos ansiavam pela chance de se tornarem um, mas o momento
final deveria vir naturalmente, quando ambos se procurassem com o mximo da paixo.
 Eu te amo, Dana.
As mos firmes, mas carinhosas, percorriam seu corpo com lentido, tocando-a nos lugares certos e despertando-a para o amor. Mantendo-a sob a doce tortura da espera,
John revelou-se um amante maravilhoso, dosando cada carcia com uma dose de ousadia e de romantismo.
        Oh, John... Por favor...
Um sorriso de satisfao se insinuou nos lbios dele, ao ver Dana completamente rendida a seus braos e ansiosa para que ele a possusse.
Quando deitou sobre ela, ouviu Dana suspirar, demonstrando que estava pronta para receb-lo.
Para ela, todas as dvidas e receios haviam desaparecido. Restava apenas John, aquele que estava prestes a transform-la em uma mulher no sentido completo da palavra.
Por mais que a desejasse, em nenhum momento John deixou de demonstrar que se lembrava de que tudo aquilo era novidade para Dana. E ela o amou ainda mais por isso.
Um gemido mais alto cortou o silncio do quarto quando ele finalmente a possuiu, depois que Dana se mostrou completamente pronta para ele.
Amaram-se com paixo e tranqilidade ao mesmo tempo, com a certeza da felicidade a uni-los cada vez mais. Por fim, quando o clmax os arrebatou a um mundo maravilhoso
de sensaes, Dana pensou que fosse desmaiar de tanto prazer, mas o calor dos braos fortes do marido foi suficiente para mant-la consciente. John era um amante
ainda mais maravilhoso do que ela imaginara. E seria s seu dali em diante.
Permaneceram abraados durante um tempo que pareceu infinito, compartilhando uma agradvel languidez.
John estava olhando Dana dormir havia algum tempo quando o som dos leves gemidos de J. J. lhe chegou aos ouvidos.
Despertando por completo, saiu da cama com cuidado para no acordar Dana e enrolou uma toalha na cintura, antes de ir ao quarto do filho.
        Ei, ol, rapazinho  murmurou, inclinando-se sobre o bero.
A luz do aposento, que ele sempre deixava parcialmente iluminado, revelou que o beb estava bem acordado.
Como esto as coisas por aqui?  perguntou a J.J.  Ganhei alguns pontos em nossa competio, hein?  falou, dando o dedo indicador para o beb brincar.  Mantive
minha promessa, no mantive?
E que promessa foi essa?
John se virou ao reconhecer a voz de Dana, vinda da porta. Ela estava descala, vestida apenas com um robe branco.
Estamos tendo uma conversa de homem para homem  respondeu John, pegando o filho nos braos.  Certo, parceiro?
Isso no est me cheirando bem  disse Dana, fingindo desconfiana.  Estou correndo algum risco que desconheo?
 Muitos  declarou John, inclinando-se para beij-la.  Mas nada com que no consiga lidar.
J.J. demonstrou seu prprio gesto de aprovao, inclinando-se na direo dela para beij-la no rosto, como aprendera a fazer havia alguns dias.
Percebendo a escolha do filho, John reconheceu a derrota e o entregou a ela.
Ento acompanhou a esposa e o filho at seu quarto, sentindo pela primeira vez, depois de muito tempo, que sua vida estava realmente completa.




DICAS

O DCIMO-OITAVO MS
Desenvolvimento motor e psicolgico
Nesta fase a criana j anda a at corre com autonomia. Sente uma atrao especial por escadas ou por balanos e escorregadores. As mes nesta fase costumam ficar
apreensivas com os riscos que essas brincadeiras oferecem, mas com calma e ateno os perigos podem ser evitados. Aos dezoitos meses, as crianas repetem quase tudo
o que ouvem e passam a usar uma s palavra no lugar de uma frase, como gua querendo dizer: eu quero gua. Aprende a montar quebra-cabeas simples e reconhece fotos
suas. A msica continua sendo uma fonte de prazer para a criana, que agora j consegue cantarolar junto com a melodia. Brincar com gua  outra atividade que deixa
as crianas fascinadas e uma piscina plstica  um timo presente.  por meio das brincadeiras que a criana fortalece a musculatura e aprende coisas com rapidez
espantosa.
Alimentao
A alimentao segue igual aos 15 meses. Mas os purs podem ir sendo substitudos gradualmente por alimentos mais slidos. Agora a criana j pode receber sufls
de legumes ou queijo. As saladas de legumes ou de verduras cruas comeam a ser introduzidas na alimentao. Grande fonte de vitaminas e minerais, elas podem fazer
parte das duas principais refeies, sempre acompanhadas de carne, ovo, ou queijo. Entretanto, para que o consumo de verduras seja isento de perigos  preciso lavar
as verduras em gua corrente e deix-las de molho por aproximadamente 15 minutos em uma soluo de gua com 1 colher (sopa) de vinagre. Depois, elas devem ser enxaguadas 
e s ento servidas. Como tempero, apenas algumas gotas de suco de limo. As carnes modas agora j podem ser refogadas ou acrescidas de ovo, po amanhecido e temperos 
e grelhadas na forma de hambrguer. Tambm  aos dezoitos meses que os achocolatados comeam a ser empregados na alimentao das crianas. Os legumes secos, como 
ervilhas e lentilhas, levam mais tempo para serem digeridos e devem ser oferecidos, de preferncia, no horrio do almoo.
Nota: Os refogados no so includos no cardpio infantil diariamente; o mais prudente  us-los dia sim, dia no.
Relao de quantidades mnimas que uma criana deve comer entre 15 meses e os 2 anos:
Leite: 1 copo (cerca de 220 ml) por dia.
Ovos: 1/2 ovo cozido, de duas a trs vezes por semana.
Carnes em geral: 2-4 colheres (sopa) por dia.
Arroz, batatas ou massa: 3 colheres (sopa) por dia.
Verduras folhosas: 3 colheres (sopa) por dia.
Cenoura: 1/4 de cenoura por dia.
Suco de frutas ctricas (laranja, acerola, caju): 1 copo por dia.
Frutas (ma, banana, pra, mamo, caqui, pssego): 1/2 fruta de tamanho mdio. No caso do abacate, 1/4 de uma fruta pequena.
Farinhas tipo maisena, fub, aveia: 2 colheres (sopa) por dia.
Pudins, cremes, doces, bolos: 2 colheres (sopa) por dia.
CARDPIO I
. Desjejum
(6-7 horas)
Creme de ricota com fruta-do-conde
. Lanche
(9-10 horas)
Suco de laranja, adoado com o mnimo de acar possvel.
. Almoo
(10-11 horas)
3 colheres (sopa) de arroz
2 colheres (sopa) de caldo de feijo
2-3 colheres (sopa) de sufl de milho
Salada de alface e tomate
Pudim de ma com biscoito
. Lanche
(14-15 horas)
1 ovo cozido
. Jantar
(18-19 horas)
Sopa de couve-flor
2 colheres (sopa) de carne moda
Torrada
Banana crua
CARDPIO II
. Desjejum
(6-7 horas)
1/2 fatia de po integral com gelia
de fruta Caf com leite 
Pra crua
. Lanche
(9-10 horas)
Suco de cenoura, adoado com um mnimo de acar possvel
. Almoo
(10-11 horas)
3 colheres (sopa) de arroz
2 colheres (sopa) de peixe grelhado
2 colheres (sopa) de salada de legumes
Gelatina
. Lanche
(14-15 horas)
Flocos de milho com leite
. Jantar
(18-19 horas)
2 colheres (sopa) de arroz
2 colheres (sopa) de caldo de feijo
2 colheres (sopa) de pur de cenoura
1 falso hambrguer
Flan de laranja
CARDPIO III
. Desjejum
(6-7 horas)
Musse de abacate Biscoitos tipo Maria
. Lanche
(9-10 horas)
Suco de acerola
(com um mnimo de acar possvel)
. Almoo
(10-11 horas)
3 colheres (sopa) de arroz
2 colheres (sopa) de caldo de feijo
2 colheres (sopa) de miolo cozido e
refogado com legumes Salada de alface e tomate Doce de leite
. Lanche
(14-15 horas)
Iogurte batido com fruta e adoado
com mel Torrada Compota de pra com creme de leite
. Jantar
(18-19 horas)
Sopa de legumes, verduras e massinha
2 colheres (sopa) de carne de galinha desfiada
RECEITAS

Po-de-l
4 ovos
4 colheres (sopa) de acar
4 colheres de farinha de trigo
1 colher (ch) de fermento em p
Bata as claras em neve, junte as gemas e bata bem. Peneire o acar, a farinha de trigo e o fermento juntos, e v integrando essa mistura aos ovos, delicadamente. 
Coloque a massa em uma assadeira pequena, untada com margarina e polvilhada com farinha de trigo. Asse por cerca de 15-20 minutos. Retire antes de corar. Corte 
ao meio e recheie com doce de leite, goiabada ou gelia de fruta. Deixe esfriar completamente antes de oferecer ao beb.
Sufl de milho
2 colheres (sopa) de margarida
2 colheres (sopa) de farinha de trigo 
1 colher (ch) de sal
xcara de leite
xcaras de milho verde escorrido
colheres (ch) de cebola ralada
ovos separados
Aquea o forno. Unte uma frma com capacidade de 1 litro. Numa panela, derreta a margarina e junte a farinha de trigo e o sal. Mexa bem. V acrescentando o leite 
sem parar de mexer. Cozinhe lentamente durante 5 minutos, mexendo sempre, at que o molho engrosse. Junte o milho e a cebola, retire do fogo e deixe esfriar um 
pouco. Acrescente as gemas bem batidas. Por ltimo, adicione as claras batidas em neve. Despeje na frma preparada. Asse em forno moderado durante 30-40 minutos.
Falso hambrguer
250 g de carne moda
miolo de 1 po francs umedecido com leite
1 colher (sobremesa) rasa de farinha de trigo
1 gema batida
1 pitada de sal
1 colher (ch) de cebola ralada
1/2 colher (ch) de alho esmagado (opcional)
Junte todos os ingredientes e misture bem, amassando com as mos. Se for preciso, adicione um pouco mais de farinha de trigo, at dar "liga" na massa. Em seguida, 
molde pequenos discos com a massa, como se fossem mini-hambrgueres. Embrulhe-os separadamente em filme plstico e congele. Sirva-os fritos ou grelhados.
Cuidados para evitar acidentes
Mesmo os animais de estimao que esto acostumados a conviver com crianas, se provocados podem se enfurecer e morder ou arranh-las. E preciso ficar atento e alertar 
as crianas para no agir com os animais vivos como se estivessem lidando com seus bichos de brinquedos.
Notas gerais
 A disciplina comea a ser ensinada  criana. Entretanto, esse  um processo lento e difcil, que s comear a surtir efeitos depois dos dois anos. Agora, os 
pais devem se contentar com ensinamentos como "obrigado" e "desculpe" repetidos em ocasies oportunas, que acabaro sendo imitados pela criana.
As moleiras, agora, j devem estar fechadas. Basta passar a mo sobre o local onde elas existiam para se perceber que os ossos esto completamente soldados.
Desde os seis meses de idade, a criana j tem pesadelos, mas eles passam a ocorrer com mais freqncia dos 15 meses em diante. Isso porque a criana, at aos quatro 
anos de vida, no consegue distinguir direito entre o que  realidade e o que  fantasia. E nem sempre acender as luzes e explicar que ela teve um pesadelo ir 
ajud-la a se acalmar. Mesmo que volte a dormir, a criana poder ter pesadelos novamente. O melhor a fazer  entrar na fantasia que ela criou e eliminar bichos-papes 
ou monstros, "expulsando-os" de casa.
O sono do beb
Idade: 15 aos 18 meses
Diurno: 2 horas logo aps o almoo
Noturno: 10-12 horas


 

O desenvolvimento do beb                   
182MS        MENINOS        MENINAS           
COMPLETO                           
Peso        10,8-11,3 kg        10,6-10,8 kg           
Estatura        80 cm        79 cm           
Permetro ceflico        48,5 cm        47,5 cm           
Permetro torxico        49,5 cm        48,5 cm           
Aumento mensal        200 g        200 g         
Dentio
Dezesseis dentes: 2 incisivos medianos inferiores, 2 superiores; 2 incisivos laterais superiores e 2 inferiores; 2 molares superiores e 2 molares inferiores; 2 
caninos superiores e 2 inferiores.
Nessa fase comeam a surgir os molares e os caninos. As crianas costumam ficar mais irritadias e salivam muito. A inapetncia cresce e a criana manifesta mal-estar 
geral.
O que pode ajudar a melhorar o incmodo  passar a cada 2 horas, com um algodo, o seguinte preparado: um comprimido de analgsico dissolvido em um copo de gua 
filtrada e fervida.








HELEN R. MYERS satisfaz sua preferncia por uma vida mais tranqila vivendo em meio a uma floresta de pinheiros, a leste do Texas, com o marido, Robert. Escrever 
tem sido a realizao de um antigo sonho, e dar um teor diferente a cada nova histria uma eterna ambio. Assumidamente inquieta, considera esse lado de sua personalidade 
como algo benfico em seu trabalho. Segundo ela mesma costuma dizer: "Essa minha inquietao me faz estar sempre explorando novos territrios e novas experincias 
dentro dos romances".
